Felv: Subtipos e possíveis cursos da infecção

29 de setembro de 2021
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A Felv, ou leucemia viral felina, é causada por um retrovírus do gênero Gammaretrovirus, muito conhecido por ser um dos principais causadores de mortalidade entre felinos, provocando problemas como imunossupressão, distúrbios da medula óssea e neoplasias. 

Atualmente são conhecidos 4 subtipos da doença, sendo eles; Felv-A, Felv-B, Felv-C e Felv-T. Todos os subtipos são formas derivadas da Felv-A, sendo que cada um deles utiliza um receptor diferente para entrar nas células. Gatos infectados com a Felv-B, Felv-C e Felv-T podem ser reinfectados com a Felv-A, sendo essa a única transmissível de um animal para o outro. 

Confira abaixo as características de cada um dos subtipos da doença: 

 

  • FelV-A:  É o único subgrupo transmitido de gato para gato. A patogenicidade é leve e o nível de contágio, alto. As doenças associadas incluem neoplasia hematopoiética e hemólise.
  • FelV-B: O subgrupo B é uma forma recombinante do subgrupo A, tendo sido encontrado em conjunto com o subgrupo A em pelo menos 50% dos gatos com linfoma. Embora não seja patogênico sozinho, foi associado a um alto nível de virulência em combinação com o subgrupo A.
  • FelV-C: Esse subgrupo raramente é isolado e surge por mutação do subgrupo A. No entanto, aqui o vírus não se replica. As doenças associadas incluem anemia não regenerativa e mielose eritrêmica.
  • Felv- T: Esse vírus evoluiu do subgrupo A. É altamente citopático, com tropismo para células T e foi associado à imunossupressão, linfopenia, neutropenia, febre e diarreia.

 

Como visto acima, apenas o subgrupo A é responsável pela transmissão entre animais. A transmissão, via de regra, ocorre através do contato prolongado com a saliva, através de lambidas, mordidas, banhos conjuntos e do compartilhamento de recipientes de água e comida, por exemplo

“Gatas infectadas podem transmitir o vírus aos filhotes por via transplacentária ou por meio da amamentação”,explica a Dra. Paola Lazaretti, mestra com ênfase em nefrologia pela USP, “A transmissão iatrogênica também pode ocorrer por meio de fômites, transfusões de sangue, agulhas contaminadas, instrumentos cirúrgicos ou odontológicos”.

 

FELV: Patogênese.  

 

O curso clínico do FeLV é determinado pelas interações do vírus e do sistema imunológico do hospedeiro, particularmente na fase inicial da infecção, geralmente nas primeiras 12 semanas. Embora o curso da infecção seja normalmente determinado na fase inicial, o sistema imunológico do hospedeiro ao longo da vida e as interações do vírus podem afetar e alterar o curso da infecção posteriormente. 

“Em gatos infectados com FeLV, o equilíbrio entre o hospedeiro e o vírus pode ser alterado por diversos fatores, entre eles, imunossupressão, coinfecção, mudanças ambientais. 

Existem quatro diferentes cursos de infeção gerados por FeLV e que podem ser classificados em 4 grupos: progressiva, regressiva, abortiva e focal.

 

Curso Progressivo

 

A infecção progressiva é caracterizada por imunidade específica ao FeLV insuficiente. O FeLV não é contido durante a infecção inicial, e extensa replicação viral ocorre nos tecidos linfóides, medula óssea e tecidos epiteliais da mucosa e glandular.

Aproximadamente um terço dos gatos que vivem em ambientes com vários gatos com eliminação de FeLV desenvolvem viremia persistente e tornam-se progressivamente infectados. ​​A infecção das mucosas e glandular está associada à excreção de vírus principalmente na saliva.

Gatos infectados progressivamente têm tempos de sobrevivência mais curtos e comumente morrem por doenças associadas ao FeLV.

 

Curso Regressivo

 

A infecção regressiva é caracterizada por uma resposta imune eficaz e altas concentrações de anticorpos, e a replicação viral é contida antes ou no momento da infecção da medula óssea. O DNA proviral de FeLV pode ser detectado no sangue por PCR. No entanto, nenhum antígeno ou vírus cultivável está presente no sangue e o vírus não é eliminado na saliva depois que esses gatos passaram pela fase inicial de infecção e seu sistema imunológico suprimiu o vírus. Portanto, esses gatos não transmitem o vírus para outros gatos, exceto por meio de transfusão de sangue ou se ocorrer reativação viral.

A replicação do FeLV em gatos com infecção regressiva pode ser reativada e a viremia pode reaparecer, particularmente durante situações de imunossupressão, quando os gatos tornam-se antígenos positivos, podendo então transmitir o vírus e desenvolver doenças associadas ao FeLV. O risco de reativação da viremia diminui com o tempo, no entanto, o provírus integrado mantém sua capacidade de replicação e a reativação por anos e possivelmente por toda a vida após a exposição inicial ao FeLV.

Em alguns gatos, a infecção regressiva pode causar problemas clínicos (por exemplo, linfoma, supressão da medula óssea). Em gatos com infecção regressiva, a vacinação é ineficaz porque esses gatos já desenvolveram uma forte resposta imune anti-FeLV e a reativação não é evitada pela vacinação.

Aproximadamente um terço dos gatos que vivem em ambientes com vários gatos com eliminação de FeLV desenvolvem infecção regressiva. Embora esses gatos nunca tenham (ou consigam eliminar) a viremia, o provírus FeLV é integrado ao genoma do gato, resultando em infecção vitalícia.

 

Curso Focal

 

A infecção focal (isto é, infecção atípica) é considerada muito rara e ocorre em gatos com infecção por FeLV restrita a determinado tecido (por exemplo, baço, linfonodos, intestino delgado, glândulas mamárias).

Esses gatos frequentemente apresentam resultados discordantes e variáveis ​​no teste de FeLV. Eles não eliminam o  vírus na saliva, mas ainda podem transmitir a infecção em certas circunstâncias; por exemplo, uma gata com infecção focal por FeLV das glândulas mamárias pode transmitir FeLV para seus gatinhos através da amamentação.

 

Abortivo

 

Aproximadamente um terço dos gatos que vivem em ambientes com vários gatos com eliminação de FeLV desenvolve infecção abortiva caracterizada por infecção de baixo grau e imunidade. Nesses gatos, os métodos diretos de detecção de vírus produzem resultados negativos, e o único sinal de exposição ao FeLV é a presença de anticorpos específicos ao FeLV. 

A infecção abortiva é caracterizada por uma forte resposta imunológica ao vírus. Os gatos apresentam testes negativos para vírus cultivável, antígeno, RNA viral e DNA proviral, mas apresentam anticorpos específicos para FeLV.

Gatos com infecções abortivas não liberam vírus infecciosos e não desenvolvem sinais clínicos.

“Estes possíveis cursos da doença foram caracterizados em infecções experimentais, mas a infecção natural por FeLV nem sempre pode ser claramente estratificada em um destes cursos”, complementa a Dra. Paola Lazaretti.

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