Veja como os médicos veterinários estão lidando com o gerenciamento da dor através de tratamentos multimodais

14 de julho de 2022

Nas fronteiras da ciência, pesquisa e medicina, surgem constantemente novas modalidades de tratamento. Ao considerar as opções de tratamento para o manejo multimodal da dor em pequenos animais, os veterinários devem ter as ferramentas adequadas em sua caixa de ferramentas. Aqui mostramos  3 técnicas que começam a chamar a atenção:

Técnicas para lidar com a dor combatendo o medo

Os veterinários Steve Dale, CABC, e Leilani Alvarez, DVM, DACVSMR, CVA, CCRT, apresentaram uma sessão chamada  “Pain Can Be Heeled: Multimodal Now Include Dog Training” na Conferência Fetch dvm360® 2022 em Charlotte, Carolina do Norte.

A dupla traçou paralelos com pesquisas em medicina humana mostrando como estresse, ansiedade, depressão e outros humores negativos podem aumentar a percepção da dor.

Por outro lado, eles afirmam que uma perspectiva mais positiva baixou os níveis de dor e incapacidade em um estudo.

Os resultados de outro estudo mostraram uma redução significativa na dor por 12 meses, quando foram utilizados  antidepressivos combinados com as drogas para controle da dor.

Os apresentadores disseram que essa evidência sugere uma ligação entre o estado de espírito e a percepção da dor, apontando relação entre as estratégias cognitivas para o controle da dor em humanos,  como um novo caminho,  diretriz para reduzir o medo, o estresse e a ansiedade em pacientes animais.

Eles recomendaram  aos veterinários conhecerem o “Fear Free Certification, um programa que educa profissionais veterinários sobre técnicas para prevenir e aliviar as emoções negativas em seus pacientes. O objetivo é reduzir o estresse, a ansiedade e o medo nos animais de estimação como parte de uma abordagem multimodal para o controle da dor.

Treinamento comportamental

Dale e Alvarez explicaram que determinados comportamento pode  moldar e levar a lesões crônicas dos tecidos moles. “Eu vejo, principalmente no caso de cães pequenos, pulando por cima dos móveis o dia todo…. Eles estão pulando em superfícies escorregadias, causando microfissuras nas cartilagem do carpo, e isso se apresenta para mim como lesões de hiperextensão do carpo”, disse Alvarez.

O animal de estimação pode se recuperar ou prevenir tais lesões passando por um treinamento comportamental personalizado, projetado para eliminar ou modificar um comportamento deletério. O paciente pode conseguir isso sendo atendido por um especialista em comportamento animal ou um plano de cuidados diferenciado aplicado por um veterinário. “Queremos não apenas evitar que a lesão se repita [mas também] evitar novas lesões”, disse Dale.

Oxigenoterapia hiperbárica
Durante anos, os médicos usaram amplamente a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) em medicina humana para tratar pacientes com muitas condições, incluindo infecções graves, feridas que não cicatrizam e anemias crônicas.

Durante a OHB, o animal é colocado com segurança e conforto em uma câmara com atmosfera composta por 100% de oxigênio e uma pressão 1,5 a 3 vezes acima da pressão atmosférica normal, permitindo assim a entrada de mais oxigênio para os tecidos.

De acordo com o Hospital de Pequenos Animais da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Flórida, esse tratamento geralmente resulta em “redução do edema, estimulação da formação de novos vasos sanguíneos no tecido cicatrizado/edemaciado, redução na pressão causada por lesões na medula espinhal, melhora da ferida cicatricial e melhor controle de infecção.”

Embora atualmente limitado a um pequeno número de hospitais veterinários, a HBO apresenta uma possível nova modalidade para o tratamento da dor, mas ainda necessita mais pesquisas.

Referencias:

  1. Dale S, Alvarez L. Pain can be heeled: multimodal now includes dog training. Presented at: Fetch dvm360® Conference; April 22-24, 2022; Charlotte, NC.
  2. Koechlin H, Coakley R, Schechter N, Werner C, Kossowsky J. The role of emotion regulation in chronic pain: a systematic literature review. J Psychosom Res. 2018;107:38-45. doi:10.1016/j.jpsychores.2018.02.002
  3. Sorel JC, Veltman ES, Honig A, Poolman RW. The influence of preoperative psychological distress on pain and function after total knee arthroplasty: a systematic review and meta-analysis. Bone Joint J. 2019;101-B(1):7-14. doi:10.1302/0301-620X.101B1.BJJ-2018-0672.R1
  4. Martinez-Calderon J, Zamora-Campos C, Navarro-Ledesma S, Luque-Suarez A. The role of self-efficacy on the prognosis of chronic musculoskeletal pain: a systematic review. J Pain. 2018;19(1):10-34. doi:10.1016/j.jpain.2017.08.008
  5. Kroenke K, Bair MJ, Damush TM, et al. Optimized antidepressant therapy and pain self-management in primary care patients with depression and musculoskeletal pain: a randomized controlled trial. JAMA. 2009;301(20):2099-2110. doi:10.1001/jama.2009.723
  6. Hyperbaric oxygen chamber. University of Florida Small Animal Hospital. Accessed June 15, 2022. https://smallanimal.vethospital.ufl.edu/clinical-services/integrative-medicine-services/hyperbaric-oxygen-chamber

Fonte:

Addressing multimodal pain management with 3 novel approaches
Bob Alaburda, Senior Editor

https://www.dvm360.com/view/addressing-multimodal-pain-management-with-3-novel-approaches

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