Escala ajuda a mensurar a qualidade de vida de cães e gatos

17 de outubro de 2020

Você já ouviu falar em uma escala para mensurar a qualidade de vida de cães e gatos?

Diversas vezes nos deparamos com situações onde nosso paciente esta em uma condição bem delicada, com um quadro de neoplasia ou uma doença terminal e debilitante sem previsão de melhora e mesmo com todos os cuidados paliativos, fica difícil avaliar se estamos no caminho certo ou se a eutanásia é a melhor decisão.

Sabemos que esta é uma decisão que deve ser tomada em comum acordo com o tutor e que devemos avaliar juntos a condição de vida e as opções para o animal, sempre procurando evitar o sofrimento.

Para isso a Dra. Alice Villalobos, uma renomada oncologista veterinária que criou o “Pawspice” um programa de qualidade de vida para animais de estimação com doenças terminais. O programa começa desde o diagnóstico e inclui o manejo de sintomas, cuidados paliativos e a indicação dos cuidados específicos para o paciente até chegar a sua morte. E como parte deste programa, a Dra. Villalobos desenvolveu este sistema de pontuação para ajudar os familiares e as equipes veterinárias a avaliar a qualidade de vida de um animal de estimação em uma situação terminal e saber ado é a hora de indicar a eutanásia.

Escala de qualidade de vida para cães e gatos

Os tutores, cuidadores de animais de estimação e veterinários podem usar esta escala de qualidade de vida para determinar se o animal está com uma boa qualidade de vida e se os cuidados paliativos estão sendo uteis.

A classificação varia em uma escala de: 0 a 10 (sendo 10 o ideal) em cada uma das 7 categorias e a pontuação mínima prevista é de 35 pontos, ou seja se o score de qualidade de vida do animal não atingir 35 pontos , deve-se pensar em mudanças nas estratégias dos cuidados paliativos ou em eutanasia.

 

 Score

Critério

0-10 DESCONFORTO – Aqui devemos avaliar o controle adequado da dor e a capacidade respiratória. A dificuldade para respirar é a parte mais importante de ser avaliada. Temos que nos perguntar: A dor do animal está bem controlada? O animal consegue respirar corretamente? A suplementação de oxigênio está sendo necessária?
0-10 FOME – O animal está comendo o suficiente? A alimentação manual está ajudando? O animal de estimação está precisando de uma alimentação forçada ou tubo de alimentação?
0-10 HIDRATAÇÃO – O animal está desidratado? Para pacientes que não bebem água suficiente, use fluidoterapia subcutâneos SID ou BID para complementar a ingestão de líquidos.
0-10 HIGIENE – O animal está com sujidades, escaras ou feridas? O animal deve ser escovado e limpo, principalmente após as micções e evacuações. Evite úlceras de decúbito usando colchonetes de água, ou de espuma espacial, e mantenha todas as feridas limpas
0-10 FELICIDADE – O animal expressa alegria, curiosidade e interesse? O animal responde à família, aos brinquedos, aos outros animais da casa, etc? O animal está deprimido, solitário, ansioso, entediado ou com medo? A cama do animal de estimação pode ser movida para ficar perto dos familiares?
0-10 MOBILIDADE – O animal consegue se levantar sem ajuda? O animal precisa de ajuda humana ou mecânica (por exemplo, um carrinho) para se locomover? O animal tem vontade de passear? O animal está tendo convulsões, ataxias ou tropeçando? (Alguns cuidadores acham que a eutanásia é preferível à amputação, mas um animal com mobilidade limitada, mas ainda alerta, feliz e responsivo pode ter uma boa qualidade de vida, desde que os cuidadores estejam comprometidos em ajudar seu animal de estimação.)
0-10 MAIS DIAS BONS DO QUE RUINS – Quando os dias ruins superam os dias bons, a qualidade de vida pode estar muito comprometida. Quando um vínculo saudável entre nós e os nossos animais não for mais possível, o tutor deve estar ciente de que o fim está próximo. A decisão pela eutanásia deve ser tomada se o animal estiver sofrendo e se não há como reverter ou aliviar esta situação de sofrimento. Se a morte vier de forma humanitária, sem dor ou estresse e de preferência em casa, tudo bem.
TOTAL

Um total de mais de 35 pontos representa qualidade de vida aceitável para continuar com os cuidados veterinários.

Fonte: Oncology Outlook, by Dr. Alice Villalobos, Quality of Life Scale Helps Make Final Call, VPN, 09/2004; scale format created for author’s book, Canine and Feline Geriatric Oncology: Honoring the Human-Animal Bond, Blackwell Publishing, 2007.

Revisado pelo International Veterinary Association of Pain Management (IVAPM) 2011. Palliative Care and Hospice Guidelines. Dr. Alice Villalobos & Wiley-Blackwell.

 

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