CUIDANDO DE QUEM CUIDA – Controlar os gastos é o melhor remédio para manter a saúde financeira pessoal

17 de maio de 2020

Especialistas orientam como enfrentar os desafios impostos pelo isolamento social

Texto: Coordenadoria de Comunicação e Eventos do CRMV-SP

Além de mudar a rotina, a quarentena impacta nas finanças. Mesmo que muitos profissionais tenham mantido suas atividades e renda, outros tantos tiveram os salários cortados ou foram dispensados. Como manter o orçamento familiar equilibrado nesse cenário adverso? Especialistas advertem que o melhor remédio para a saúde financeira pessoal é o controle de gastos.

Para José Donizete Valentina, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP), a primeira medida a ser tomada é priorizar os itens de primeira necessidade. Quem evitar o consumo descontrolado durante o isolamento social, criar uma reserva financeira e controlar os gastos no cartão de crédito enfrentará a pós-pandemia com muito mais facilidade.

“O isolamento leva as pessoas a ‘navegarem’ nas redes sociais e as empresas aproveitam esse momento para oferecer seus produtos a preços reduzidos e ‘vantagens’ de pagamentos parcelados, cujo primeiro pagamento ocorra em 90 ou 120 dias. Esse falso atrativo pode causar um nível de endividamento futuro e um desequilíbrio financeiro muito perigoso”, alerta o presidente do CRC-SP, lembrando ser importante consumir o necessário junto ao comércio e serviços do bairro em que se reside de forma a fortalecer a economia local e a manutenção de micros ou pequenas empresas.

O consultor financeiro Eduardo Assali Achôa ressalta que só existe uma forma de gerir a vida financeira: deve-se gastar menos do que se ganha e aplicar a diferença, uma regra que poucos conseguem seguir à risca. E no caso dos médicos-veterinários que viram cair o movimento em suas clínicas, por exemplo, a prioridade absoluta é sobreviver à crise com algumas atitudes como reduzir os custos ao mínimo possível e renegociar contratos de todos os tipos. “Aproveite este momento para entender financeiramente seu negócio. É hora de parar de tomar decisões baseadas em intuição e ‘achismo’ que, em momentos como este, não contribuem na tomada das melhores decisões”, enfatiza Achôa.

“Minha primeira sugestão é buscar soluções junto ao contador responsável, profissional capaz de sugerir redução de custo dentro de uma perspectiva razoável, renegociar contratos, planejar o momento ideal de pagamento de terceiros e os impostos”, explica o presidente do CRC-SP.

Exatamente quando a crise se instala, segundo o consultor financeiro Eduardo Achôa, as pessoas têm basicamente três tipos de reação: negar, fugir ou lutar. “A negação é a que pode ter a pior consequência na estrutura financeira de alguém, pois ela gera a reação de que nada está acontecendo e o caos se instalará. A fuga leva à paralisia, que com certeza não ajudará. Lutar é a ordem, buscar informação (disponíveis neste momento gratuitamente em muitas ‘lives’ e cursos) e orientação sobre o que e como fazer”, afirma Achôa, destacando que é hora de reduzir custos e conscientizar toda a família de que é preciso sobreviver ao período de instabilidade.

É importante lembrar que crise também traz oportunidades e, nesse sentido, é imprescindível utilizar-se dos meios necessários para materializá-las, “porque hoje vivemos um momento de muita interatividade e empreendedorismo e, tomando todos os cuidados necessários com a saúde e seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), há a necessidade de se manter uma atitude ativa para buscar obter receitas”, afirma Donizete Valentina.

Planilha é fundamental

Quando o assunto é saúde financeira pessoal, a planilha de custos é apontada como uma das mais eficazes formas de controlar despesas e receitas e, acima de tudo, alcançar equilíbrio e manter seus planos e metas de vida. “A planilha de gastos, sem dúvida nenhuma é importantíssima, pois se não sei como gasto meu dinheiro, como saberei onde economizar?

Minha experiência mostra que a maioria das pessoas não controla suas despesas e, às vezes, nem mesmo a receita. O importante é encontrar a ferramenta com a qual se sinta mais confortável, seja planilha, aplicativo, agenda, caderninho”, explica Achôa. Já o presidente do CRC-SP orienta que controlar a planilha, evitar gastos excessivos e desnecessários, postergar pagamentos que podem ser negociados são procedimentos que devem ser tomados imediatamente. “A manutenção dos planos e metas de vida devem ser repensados, uma vez que podem ser realizados daqui a dois, três anos. O momento agora é de acreditar em seu potencial, de se motivar e agir. Ser resiliente é a melhor recomendação”, conclui Donizete Valentina.

Dicas para manter a saúde financeira

O momento é de planejamento e cautela para não tornar o futuro ainda mais complicado que o presente. O presidente do CRC-SP adverte que a crise é muito séria e impacta severamente as famílias. “Solicitar apoio aos familiares que não sofreram tanto com a crise também é um caminho positivo, uma vez que, geralmente, não há taxas a serem pagas”, afirma Donizete Valentina, que elenca algumas dicas sobre como agir em meio às instabilidades:

– Não se deixe levar pelo desânimo e mantenha o equilíbrio emocional;

– Acredite em seu potencial;

– Seja agregador e positivo;

– Acione sua rede de contatos, inclusive familiar;

– Faça as contas e não tenha medo de negociar ou de buscar recursos;

– Não se isole. Aproveite as oportunidades que a crise proporciona. O consultor financeiro Eduardo Achôa lista mais algumas orientações básicas de como lidar com as finanças pessoais:

– Gaste dinheiro com experiências e não bens materiais, pois as sensações vividas nestas experiências voltam sempre que forem lembradas ou comentadas, já a pseudo-felicidade sentida quando se compra algo desaparece rápido, trazendo a necessidade de outra compra;

– Entenda o custo de bens como um carro ou de uma casa maior do que necessita e, assim, faça escolhas mais inteligentes.

– Proteja tudo que conquista com seguros, para aqueles quem têm dependentes financeiros, é preciso ter, inclusive, seguro de vida;

– Prepare um fundo de previdência para garantir um padrão de vida razoável quando não quiser, não puder ou não conseguir mais trabalhar.

– Busque orientação na hora de escolher os investimentos.

Fonte: https://www.crmvsp.gov.br/site/noticia_ver.php?id_noticia=7289

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