Conselho de Veterinária alerta para avanço preocupante da esporotricose entre gatos - Vetsapiens

Conselho de Veterinária alerta para avanço preocupante da esporotricose entre gatos

6 de janeiro de 2026
Novojornal – janeiro 5, 2026 16:04

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo emitiu novo alerta sobre o crescimento dos casos de esporotricose animal em municípios paulistas, destacando que a doença já provoca impactos relevantes tanto na saúde animal quanto na saúde humana. Causada por fungos do gênero Sporothrix, a enfermidade é classificada como uma zoonose urbana preocupante, especialmente pela facilidade de transmissão e pela dificuldade de controle em áreas densamente povoadas.

Os gatos são os animais mais afetados pela esporotricose, principalmente porque a temperatura corporal da espécie favorece a adaptação do fungo, tornando-os elo central na cadeia de transmissão. Animais que circulam livremente pelas ruas estão mais vulneráveis, o que transforma a doença em um dos principais desafios sanitários urbanos relacionados às zoonoses no Brasil, segundo avaliação do próprio conselho, que publicou norma técnica específica para orientar profissionais da área.

Os gatos contraem a doença por inoculação traumática, seja pelo contato com solo ao cavar, com espinhos, lascas de madeira ou matéria orgânica contaminados, seja pelo contato direto com outros animais doentes, principalmente durante brigas, arranhões e mordeduras, ou ainda pelo contato com secreções de lesões cutâneas, considerada a principal via de contaminação”, explica a coordenadora técnica médica-veterinária do conselho, Carla Maria Figueiredo de Carvalho.

A esporotricose está presente em todas as regiões do país, com maior concentração nos estados do Sul e do Sudeste. Há registros de transmissão entre animais domésticos e silvestres, além de cerca de mil casos anuais em humanos. Em São Paulo, a doença apresenta crescimento contínuo desde 2011, com expansão para municípios da Região Metropolitana e também do litoral paulista.

Dados oficiais mostram que, entre 2022 e 2023, os casos confirmados de esporotricose animal no estado aumentaram de dois mil quatrocentos e dezessete para três mil trezentos e nove registros. “Apesar desse crescimento, a notificação da doença em animais ainda não é obrigatória na maior parte do território paulista, o que dificulta a mensuração real do problema e o planejamento de estratégias eficazes de controle”, destaca nota divulgada pelo conselho.

Com o avanço dos casos, a variante humana da esporotricose passou a ter notificação compulsória a partir do primeiro semestre de 2025. As formas zoonóticas, entretanto, ainda não seguem a mesma regra. O Projeto de Lei número setecentos e sete de dois mil e vinte e cinco, em tramitação na Assembleia Legislativa paulista, propõe tornar obrigatória a notificação de todos os casos suspeitos ou confirmados, tanto em humanos quanto em animais, aos serviços estaduais de vigilância epidemiológica.

O conselho alerta que os sintomas em humanos podem surgir poucos dias após a infecção ou levar até três meses para se manifestar. “Geralmente, a doença começa como um pequeno nódulo indolor que pode evoluir para ferida aberta, com diferentes formas clínicas, dependendo do estado imunológico do paciente”, afirma Carla Maria.

A orientação é procurar atendimento médico ao surgirem os primeiros sinais. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para quadros graves. O conselho reforça ainda a importância de tratar os animais doentes e evitar o abandono, interrompendo a cadeia de transmissão, com avaliação veterinária e exames laboratoriais sempre que possível.

Fonte: https://www.novojornal.com.br/conselho-de-veterinaria-alerta-para-avanco-preocupante-da-esporotricose-entre-gatos/

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