Código de ética deve ser aliado dos veterinários durante atendimentos

31 de janeiro de 2020

Por: Cláudia Guimarães para www.cãesegatos.com.br

Saiba como divulgar seus serviços sem infringir nenhum artigo do documento

Elas não representam 100% o que ocorre na vida pessoal e profissional, mas podem ser consideradas uma extensão de nossos atos em casa, em uma viagem e em nosso dia a dia no trabalho. As mídias sociais, focando na atuação dos médicos-veterinários, têm o poder de amplificar os serviços que estes profissionais oferecem e, portanto, eles devem saber utilizá-las com sabedoria.

Em palestra organizada pela Associação dos Médicos-Veterinários do Interior Paulista (AMVIP), o médico-veterinário que presta assessoria e consultoria a estabelecimentos veterinários, Sérgio Lobato, declara: “Somos avaliados pelo somatório de percepções dos nossos clientes, colegas, da indústria e da fiscalização publicadas nas redes sociais”. Para o profissional, as mídias sociais representam a ponta do iceberg. “São apenas aquilo que vemos, mas, por trás disso, está nossa falta de ética, o desconhecimento sobre gestão, a péssima formação veterinária na área de habilidades acessórias e o desconhecimento do nosso Código de Ética. Essas plataformas só sinalizam a realidade, com força maior, porque alcançam mais pessoas e, assim, nossos defeitos surgem de forma mais clara”, adiciona.

O consultor aponta alguns dos artigos do Código de Ética da profissão mais infringidos pelos veterinários. “Como profissional da área da saúde, o veterinário deve entender três coisas: postura, atitude e imagem”, destaca e menciona o Art. 8° que diz que é vedado ao veterinário divulgar informações sobre assuntos profissionais de forma sensacionalista, promocional, de conteúdo inverídico ou sem comprovação científica. “Em 2018, foi gritante o número de colegas que perdeu a mão no quesito vacina contra a raiva. Houve muitos textos sensacionalistas que levaram a problemas com o Procon por conta de propagandas agressivas. Uma coisa é alertar o cliente, outra é amedrontá-lo”, esclarece.

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Um dos principais erros é o clínico se divulgar como

especialista sem ter, realmente, o Título
(Foto: reprodução)

Ainda o mesmo artigo do documento informa que é vedado ao veterinário anunciar-se especialista sem que tenha o título devidamente registrado no Sistema CFMV/CRMVs. Sobre isso, Lobato comenta que, caso o clínico deseje fazer um folder mostrando as especialidades que atende, deve apenas colocar os nomes delas, já que isso não traz problemas para a clínica. “Apenas os que possuem Título de Especialista devem divulgar isso, até porque é um diferencial competitivo no mercado”, salienta.

Já o Art. 14° mostra que é vedado ao profissional veicular em meios de comunicação de massa e em redes sociais os preços e as formas de pagamento de seus serviços. Isso, segundo Lobato, inclui a proibição de informações de bandeiras de cartão de crédito e valores de serviços. “E aí me perguntam ‘então por que tem tanta gente colocando?’, e eu respondo: por desconhecimento, inocência ou má fé mesmo. Muitos sabem que não pode, mas insistem em colocar”, denuncia.

Outro item vedado ao veterinário, segundo o Art. 15° do Código de Ética, é a divulgação de seus serviços como gratuitos ou com valores promocionais. O consultor afirma que isso não impede os veterinários de realizarem atendimentos nestes moldes, mas que eles não devem ser divulgados. “Não há problemas em querer ajudar ONGs, por exemplo. Se quer propagar isso, coloca na publicação termos como condições particulares, plano especial, atendimento especializado. Passe longe de coisas como ‘ONGs 50% de desconto’. Não é permitido privilegiar grupo nenhum em mídias. Quer fazer, faça, mas não divulga”, ensina.

O envio de orçamentos, preços e promoções pelo WhatsApp, por exemplo, é algo que o veterinário pode fazer, segundo Lobato, desde que seja comunicação one to one, ou seja, o profissional com um cliente. “O problema é se este cliente divulgar a conversa privada para algum grupo e isso viralizar. Nem pense em listas de transmissão! Mais de uma pessoa do contato já está infringindo o Código”, alerta.

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Sérgio Lobato presta assessoria e consultoria a

estabelecimentos veterinários (Foto: C&G VF)

Atenção nas divulgações! O profissional cita que, hoje, os veterinários não devem se preocupar apenas com o Conselho: a Defesa do Consumidor também vem bater à sua porta. “Por isso, cuidado com o que fala e com o que promove, principalmente em clínicas e hospitais que se dizem 24 horas: muitas vezes, o veterinário não está na clínica, deixa o estagiário e a secretária tomando conta e pede para ligarem caso chegue algum paciente. Se tiver prova documental de que o veterinário não estava presente e o Procon levar isso adiante, ele terá problema e, aos olhos deles, clínicas e hospitais 24 horas devem disponibilizar tudo durante as horas prometidas. Se não tiver raio-x, laboratório atuando em determinados horários, será autuado”, revela.

Lobato enumera algumas palavras que não devem ser utilizadas na comunicação de estabelecimentos veterinários, com base nas regras do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) de alguns Estados: promoção, desconto, preço, termos como ‘feirão da castração’, black Friday, combo, entre outros. Em sua opinião, o Conselho Federal (CFMV) deveria montar uma regra nacional, porque há palavras permitidas em alguns Estados e em outros não, em relação a atendimentos.

Segundo sua vivência, Lobato afirma que a palavra “promoção” é a mais utilizada erroneamente: “Serve para produto, então não podemos utilizar este termo, já que vendemos serviço. Se eu divulgo, estou mostrando para outras pessoas, então é preciso aprender a fazer isso de forma correta”, opina. Outras expressões cabíveis e que substituem as inapropriadas, de acordo com ele, são: condições especiais, planos de benefícios, programa. “Cuidado quando utilizar a palavra campanha para que o público não pense que é gratuito, já que é muito empregada pelo governo”, insere.

Trabalhe com ética! Para o consultor, o veterinário deve definir sua proposta e pensar ‘o que vou vender, para quem e como? Quem é meu cliente? Eu sou hospital, clínica ou consultório?’. “É essencial agregar valor ao seu atendimento: abuse de postagens emocionais e institucionais. É preciso se valorizar, principalmente quem está começando, pelo institucional, para divulgar seu trabalho; e é importante comover, com publicações que tocam o emocional dos tutores. Veterinário acredita que o tecnicismo vai salvá-lo, mas isso é obrigatoriedade. O que salva, realmente, é a maneira com que você vai aplicar a emoção na promoção e na venda do seu tecnicismo”, aponta. Como comentado por ele, o cliente nem sempre tem razão, mas ele está em primeiro lugar. “Para garantir o bem-estar do animal, preciso de parceiros e não de adversários, por isso, preciso trazer o cliente para o meu lado”, orienta.

Lobato concorda que não é fácil mudar de uma hora para a outra, menciona que é preciso estratégia e campanha de comunicação, mas é necessário agregar valor na área. “Ninguém se formou de brincadeira e sabe por onde caminhou para chegar no mercado veterinário e, por isso, deve se impor um desafio de melhorar a cada dia, de mostrar-se cada vez melhor, aprimorar a imagem da clínica, lapidar a documentação, aperfeiçoar a apresentação pessoal e focar nas mídias sociais”, conclui.

Fonte: http://www.caesegatos.com.br/noticia/c-digo-de-tica-deve-ser-aliado-dos-veterin-rios-durante-atendimentos

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