Cães intoxicados: o que se sabe e o que falta esclarecer sobre investigação envolvendo petiscos

8 de setembro de 2022
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Imagem Pxhere

Polícia Civil de Minas Gerais investiga três marcas de petiscos por suspeita de contaminação por monoetilenoglicol, substância tóxica que pode levar à insuficiência renal.

Por g1

Desde o fim de agosto, a Polícia Civil de Minas Gerais investiga mortes de cachorros após comerem petiscos supostamente contaminados por monoetilenoglicol, substância tóxica que pode levar à insuficiência renal. As suspeitas foram relatadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que também abriu investigação.

Os primeiros casos apareceram em Minas Gerais, que investiga oito casos, mas já há relatos em pelo menos 9 estados e no Distrito Federal. Abaixo, veja o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso.

Como estão as investigações?

Investigações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) apontam que há irregularidades em uma das empresas que fornecem matéria-prima para a Bassar, fábrica de petiscos para animais interditada após a detecção de substância tóxica em uma das amostras de seus produtos.

Um ofício do MAPA aponta o envolvimento inicial dos lotes AD5053C22 e AD4055C21 na descoberta do monoetilenoglicol pelos exames de laboratório da Polícia Civil de Minas Gerais. Esses lotes contêm a matéria-prima propilenoglicol, da empresa Tecno Clean Industrial LTDA.

Um galpão da empresa funciona como depósito de materiais em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. A sede da empresa fica em uma área industrial de Contagem, na Grande Belo Horizonte.

De acordo com o MAPA, as atividades licenciadas para a Tecno Clean Industrial LTDA, em Barueri, não envolvem a fabricação de produtos para a alimentação animal. Por isso, a fabricante não tem registro no Ministério da Agricultura e em outros órgãos fiscalizadores.

O documento ministerial ainda afirma que a empresa comercializou lotes de produtos de terceiros, indicando que fosse dela a fabricação. Além disso, não poderia ter vendido produtos para alimentação animal sem atender critérios técnicos de identidade e qualidade.

g1 procurou a Tecno por volta de 21h30 desta terça-feira (6), mas não obteve retorno.

O que está sendo investigado?

Uma suposta intoxicação de cachorros que morreram depois de comerem petiscos comerciais.

Quantas mortes já foram registradas?

Ao menos 40 mortes de cães foram registradas até está segunda-feira (5), segundo a delegada Danúbia Quadros, da Delegacia Especializada em Defesa do Consumidor de Minas Gerais. A polícia Civil do estado investiga apenas as oito mortes registradas em Minas Gerais.

Em quais estados foram registradas mortes?

Há relatos de mortes em pelo menos oito estados, além de Minas Gerais e do Distrito Federal: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Sergipe e Goiás.

Quais são as marcas envolvidas?

Os petiscos identificados até o momento são: Dental Care, Every Day e a Petz Snack Cuidado Oral. Todos são de fabricação da empresa Bassar.

Os produtos continuam sendo vendidos?

O Ministério da Agricultura determinou o recolhimento nacional de todos os lotes de produtos da Bassar em 2 de setembro. A pasta também interditou a fábrica da empresa, em Guarulhos (SP), até que sejam apresentadas todas as informações requeridas pela fiscalização.

O que diz a empresa?

A empresa responsável pelos petiscos foi notificada pela Polícia Civil de Minas Gerais através de uma carta precatória para prestar esclarecimentos. A produção dos petiscos é realizada em uma fábrica na cidade de São Paulo, e seus responsáveis terão que informar detalhes do processo de produção e os produtos utilizados na composição dos alimentos caninos.

Qual é a substância encontrada nos petiscos?

Na última sexta-feira (2), a Polícia Civil de Minas Gerais informou que foi identificada a presença de monoetilenoglicol em um dos petiscos entregues à delegacia por tutores de animais que passaram mal ou morreram.

A substância, que é tóxica e pode levar à insuficiência renal, já tinha sido detectada por meio de necropsia realizada pela Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em um dos cãezinhos mortos.

Quais são os sintomas da intoxicação?

Os animais apresentaram cansaço repentino, desconforto abdominal, diarreia, vômito e convulsões.

O que fazer ao identificar uma possível intoxicação?

A Polícia pede que os tutores que tenham identificado o mal-estar ou precisem internar os animais depois da ingestão de petiscos, informe a corporação para a investigação.

O que dizem os envolvidos?

Em seu site, a Bassar publicou uma nota dizendo que interrompeu a produção de sua fábrica “até que sejam totalmente esclarecidas as suspeitas de contaminação de pets envolvendo lotes de seus produtos”. A empresa também afirmou que “contratou uma empresa de perícia para fazer uma inspeção detalhada de todos os processos de produção e maquinários” e que colabora com as investigações.

O g1 procurou a Tecno por volta de 21h30 desta terça-feira (6), mas não obteve retorno.

Fonte:https://g1.globo.com/pop-arte/pets/noticia/2022/09/07/caes-intoxicados-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-esclarecer-sobre-investigacao-envolvendo-petiscos.ghtml

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