BLOG – Você já atendeu algum acumulador de animais?

10 de abril de 2022

Você já deve ter presenciado ou atendido algum paciente de alguém que começou recolhendo animais de rua e depois de alguns anos tem sua casa lotada de animais, vivendo em uma situação longe de ser ideal.

Muitas vezes essas pessoas tem um número cada vez maior de animais, sem a menor condição de mantê-los. Geralmente não conseguem manter a casa limpa, não conseguem alimentá-los corretamente, dar assistência veterinária, vacinação, castração, pela falta de recursos, tempo e espaço. Essa falta de cuidado advém da falta de controle em não resgatar e/ou acolher mais animais, associada a um apego excessivo e a incapacidade de doá-los. Tudo isso  comumente culmina em casos graves de negligência e maus-tratos.

Importante saber que essas pessoas não fazem isso por maldade, intencionalmente, elas sofrem de uma condição psíquica chamada “Transtorno da Acumulação Compulsiva”, que pode ser caracterizada pela dificuldade persistente ou permanente de descartar ou de se desfazer de seus pertences, e no caso dos animais, na dificuldade de doá-los, independente da sua condição de mantê-los sob seus cuidados.

É um problema grave, complexo, com diversas causas e requer abordagem multifatorial e interdisciplinar de agentes da saúde, psiquiatras, médico veterinários, assistentes sociais e etc.

Este transtorno esta inclusive descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais (DSM- 5) desde 2014.

Os primeiros estudos sobre acumuladores de animais se iniciaram em Nova Iorque na década de 1980. E um consórcio foi criado em 1997 por um grupo de pesquisadores, o chamado The Hoarding of Animals Research Consortium (HARC), que trabalhou até 2006 e que continua publicando através do Dr. Gary Patronek e da Dra. Jane N. Nathanson.

Importante mencionar que apesar destes acumuladores terem um grande numero de animais, não é a “quantidade” que determina um caso de acumulação, e sim a falta de padrões mínimos de cuidado, a falta de higiene, de recursos mínimos para cria-los, associada a negação dos problemas e das consequências deste acúmulo em sua própria vida e na vida dos animais.

A acumulação causa extremo sofrimento tanto para os animais, como para a própria pessoa que se isola socialmente e profissionalmente, se isola do convívio familiar, dos vizinhos, dos amigos e dos colegas de trabalho. Além de riscos a saúde publica, como os riscos de incêndio, de desabamento, de dispersão de doenças infecciosas espécie especificas e zoonoses, e ajudando na proliferação de vetores e peçonhas – ratos, mosquitos, aranhas, escorpiões.

Sinais de alerta que podem ser compatíveis com um acumulador:

  •  Inabilidade de recusar um animal necessitado, mesmo que tenha muitos em casa;
  •  Achar sempre desculpa para resgatar, mesmo se há grandes dificuldades financeiras para abrigar;
  •  Má vontade em doar animal resgatado, para bons lares e acham sempre desculpas para rejeitar os adotantes;
  •  Inabilidade para cuidar dos animais, tanto física quanto emocionalmente;
  •  Ter crenças erradas sobre as necessidades dos animais acumulados e sobre alternativas de abrigos evitando comportamentos que vão expor o acúmulo, assim como convidar amigos em casa;

Lembre-se, um acumulador não é um “protetor de animais” que esta com muitos animais. O protetor tem características particulares como tentar sempre conseguir um dono para o animal resgatado, procurar por ajuda veterinária, tentar na medida do possível castrar e vacinar seus animais e geralmente este esta ligado a grupos de proteção animal.

São Paulo e Curitiba são uma das inúmeras cidades que possuem uma politica de atenção Integral a pessoas em situação de acumulação. Estes municípios possuem um fluxograma de atendimento que contam com profissionais de diversas áreas, como psicólogos , assistentes sociais, veterinários etc.

Politica de São Paulo – https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/index.php?p=244572 

Politica de Curitiba e Guia –

LINHA DE CUIDADOS PARA ACUMULADORES COMPULSIVOS DE ANIMAIS E RESÍDUOS  Curitiba – 2018 –

https://saude.curitiba.pr.gov.br/images/Guia%20de%20Cuidados%20Acumuladores%20Compulsivos%20de%20Animais%20e%20Res%C3%ADduos%202018.pdf

Exemplo do atendimento do município de Curitiba – PR

 

Se você atender ou conhecer alguém com este perfil, informe os órgãos de saúde de seu município, para que eles possam ajudar . Tente se informar na secretaria de saúde, ou na secretaria de bem-estar animal ou de assistência social de seu município sobre as formas de ajudá-la.

O objetivo principal do tratamento  será controlar ou minimizar os riscos aos quais o indivíduo, o animal e/ou o ambiente estejam expostos, através de um plano integrado e coordenado de ações a curto, médio e longo prazo.

Nunca faça nada sem ajuda de profissionais especializados e não maltrate ou estigmatize!

Saiba que pessoas nessas condições possuem boas intenções para com os animais, mas não compreendem a real situação por sofrer de um transtorno psiquiátrico que precisa de ajuda médica e psiquiátrica e tratamento.

Por M. V. MSc. Rosangela Gebara

 

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