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BLOG – Outubro Rosa: prevenção e abordagem dos tumores mamários em cadelas

13 de outubro de 2025

O movimento Outubro Rosa, amplamente reconhecido pela conscientização sobre o câncer de mama em mulheres, também tem grande relevância na medicina veterinária. Entre as neoplasias que acometem fêmeas caninas, os tumores mamários ocupam posição de destaque, representando até 52% de todos os tumores em cadelas não castradas.

Devemos aproveitar este mês para promover a informação, a prevenção e o diagnóstico precoce, que são fundamentais para reduzir a morbidade e melhorar a sobrevida de nossas pacientes caninas.

EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO

A incidência de tumores mamários em cadelas está intimamente relacionada à influência hormonal. A exposição prolongada à progesterona e ao estrogênio aumenta o risco de transformação neoplásica do tecido mamário. Estudos mostram que a ovariohisterectomia (OH) antes do primeiro cio reduz em até 99% o risco de desenvolvimento de tumores mamários, enquanto a castração após o terceiro cio já não confere efeito protetor significativo.

Outros fatores de risco incluem:
– Idade: a maioria dos casos ocorre entre 8 e 12 anos.
– Raça: Poodles, Cocker Spaniels, Dachshunds e Setters Ingleses apresentam maior predisposição.
– Dieta e obesidade: a obesidade na puberdade e dietas ricas em gordura aumentam o risco.
– Uso de hormônios exógenos: anticoncepcionais contendo progestágenos estão associados à indução de hiperplasias e neoplasias mamárias.

DIAGNÓSTICO PRECOCE E ESTADIAMENTO

O exame físico minucioso, incluindo a palpação sistemática das cadeias mamárias durante consultas de rotina, é o primeiro passo para o diagnóstico precoce. Lesões menores que 1 cm têm prognóstico muito mais favorável.

Quando detectada uma massa, recomenda-se:
– Citologia aspirativa como triagem inicial;
– Biópsia incisional ou excisional para confirmação histopatológica;
– Exames de imagem (radiografia torácica e ultrassonografia abdominal) para avaliar metástases;
– Classificação clínica segundo o sistema TNM que avalia o Tamanho do tumor (T), a presença de linfonodos regionais comprometidos (N) e a Metástase à distância (M), sendo um padrão importante para o estadiamento.

ABORDAGEM TERAPÊUTICA

O tratamento cirúrgico permanece o principal recurso, podendo variar desde a mastectomia simples até a radical unilateral, conforme a localização e número de lesões. A decisão sobre a extensão da cirurgia deve considerar o tamanho do tumor, o envolvimento linfonodal e a presença de múltiplas massas. A castração concomitante à cirurgia é recomendada em fêmeas inteiras, especialmente quando há tumores dependentes de hormônios.

Em casos de carcinomas malignos com potencial metastático, a quimioterapia adjuvante (com agentes como doxorrubicina, ciclofosfamida ou carboplatina) pode ser indicada, embora sua eficácia varie conforme o tipo histológico. A terapia hormonal, diferentemente da medicina humana, tem resultados inconsistentes e ainda não é rotina na medicina veterinária.

PREVENÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO

Durante o Outubro Rosa, o mais importante é reforçar a educação de tutores sobre o risco de tumores de mama e ensina-los a palpar regularmente as mamas de suas cadelas e também reforçar o valor do acompanhamento veterinário periódico. Campanhas de conscientização em clínicas e redes sociais podem destacar mensagens-chave, como:

– “Cadelas e gatas também podem desenvolver neoplasias mamarias, fique atento”;

– “Palpe sempre, o diagnóstico precoce salva vidas”;

– “Toda massa mamária deve ser investigada”.

O papel do médico-veterinário vai além do diagnóstico e tratamento: ele é o principal agente de prevenção por meio da orientação responsável e do manejo reprodutivo adequado.

PROGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO

O prognóstico varia de acordo com o tamanho do tumor, grau histológico, presença de metástases e receptores hormonais. Tumores menores que 3 cm e bem diferenciados têm taxa de sobrevida superior a 80% em um ano. O acompanhamento pós-cirúrgico deve incluir reavaliações periódicas a cada 3 a 6 meses, com exame físico completo e, quando indicado, exames de imagem.

CONCLUSÃO

O Outubro Rosa é uma oportunidade para reforçarmos o nosso papel na promoção da saúde preventiva e no diagnóstico precoce das neoplasias mamárias em cadelas. A informação é a principal ferramenta para reduzir a incidência e melhorar o prognóstico desses casos. Devemos conscientizar tutores sobre a importância do diagnóstico precoce e ensiná-los a palpar as mamas de seus animais. Mais do que uma campanha, trata-se de um compromisso contínuo com o bem-estar e a longevidade das pacientes caninas e felinas.

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