BLOG – DESAFIOS NA PREVENÇÃO DA MORTALIDADE DE FILHOTES DE GATOS COM MENOS DE 8 SEMANAS

2 de março de 2021

MSc. M.V ROSANGELA RIBEIRO GEBARA

Quem trabalha com medicina do coletivo, em abrigos ou gatis municipais sabe que gatos filhotes não são simplesmente gatos pequenos, e já desenvolveu estratégias para lidar com o alto índice de mortalidade destes animais, prevenindo os problemas antes que eles apareçam. Mas e nós, clínicos? Sabemos lidar com estes desafios quando aparecem em nossa clínica? Sabemos orientar os tutores sobre ninhadas recém resgatadas?

A perda de filhotes de gatos em uma ninhada é angustiante, e não há muitos estudos detalhando as causas das mortes. Infelizmente, os neonatos podem descompensar rapidamente e frequentemente morrem sem que cheguem nas clínicas para que o diagnóstico e tratamento sejam realizados.

Sabemos que há 3 momentos de maior risco para os filhotes de gato: ao nascimento, nas duas primeiras semanas e próximo ao desmame. Um estudo que coletou dados de 1.056 ninhadas de 14 raças diferentes de gatos descobriu que 7,2 % de todos os gatinhos eram natimortos e, no geral, a mortalidade média entre o nascimento e oito semanas de idade foi de 9,1 % (Sparkes A.H. 2006).

Em outro estudo que avaliou exames post mortem de 274 gatinhos, demonstrou que 55% dos filhotes que morreram tinham doenças infecciosas, enquanto que as anomalias congênitas, os traumas e os problemas nutricionais foram responsáveis ​​pela maioria das mortes restantes (Cave T.A. 2002).

Para termos sucesso e prevenirmos estas mortes, precisamos conhecer as causas!

A primeira coisa que devemos  levar em conta é a idade do animal – neonatos (<1 dia) geralmente apresentam morte por lesão traumática ou morte idiopática e à medida que o gatinho envelhece, a probabilidade de desenvolver doenças infecciosas aumenta.

Sabemos que ao nascer, os gatinhos têm sistemas imunológicos imaturos, recebendo apenas 5%  de seus anticorpos derivados da mãe (AcM) por via transplacentária. Portanto, para obter proteção contra doenças infecciosas, deve haver transferência de AcM através do colostro.  Por isso gatos neonatos devem mamar e ingeri-lo no período perinatal imediato. A capacidade dos neonatos de absorver AcM começa a diminuir a partir de 6 horas após o nascimento, e não é mais possível absorver após aproximadamente 48 horas.

Portanto, gatos retirados de perto de suas mães antes de mamar o colostro tem poucas chances de sobrevivência.

O efeito protetor do AcM absorvido sistemicamente geralmente começa a diminuir a partir das 3ª e 4ª semanas de idade (mas pode diminuir mais cedo em alguns casos, por volta da 2ª semana). No entanto, a imunidade natural dos gatinhos ainda está se desenvolvendo neste momento, e uma vez que a maioria dos regimes de vacinação não são iniciados antes das oito semanas de idade, pode haver um período em que eles estão particularmente em risco, a chamada janela imunológica.

O exame clínico de filhotes muitos novos é outro desafio para o clínico. À medida que o sistema cardiovascular, o sistema nervoso, o urinário e os tratos gastrointestinais amadurecem, ocorrem mudanças marcantes nos “parâmetros normais”.

Identificar a idade correta em animais resgatados das ruas, pode ser outro desafio para alguns clínicos e conhecer alguns parâmetros e pesar o animal o ajudará nesta tarefa:

SISTEMA MARCO do DESENVOLVIMENTO IDADE
Umbigo Queda do umbigo 3º dia
Micção e Defecação Eliminação involuntária fezes e urina 3ª SEMANA
Visão Abertura das pálpebras 7- 10 dias em média
Presença do reflexo pupilar 28-30 dias ou depois
Visão normal 30º  dia
Cor definitiva da íris 4 a 6 semanas
Audição  Abertura dos canais auditivos 9º dia
Audição funcional 4 – 6 semanas
Locomoção Gatinhar 7 – 14 dias
Andar 14 – 21 dias
Dentição Erupção incisivos e caninos decíduos 3 – 4 semanas
Erupção pré-molares decíduos 5 – 6 semanas

Parâmetros normais para filhotes de gatos:

PARÂMETRO VALORES NORMAIS
Peso ao nascer 90 a 110 gr.
Temperatura retal 36 a 37 graus / com 1 mês – 38 graus
Frequência cardíaca (FC) Primeiras 2 semanas – 220 a 260 bpm
Frequência respiratória (FR) Recém-nascidos 10 -18 bpm / 1 semana – 15-35 bpm
Urina Dens: < 1.020 / produção urinária 2,5ml/100gr PV/dia
Necessidade de água  13 – 22 ml/100 gr PV/dia
Capacidade estomacal 4 – 5 ml/100 gr PV
Requerimento calórico 15-25 Kcal EM/100gr PV/day

Fonte – Little S. (2013). “Playing Mum: Successful management of orphaned kittens.” Journal of Feline Medicine and Surgery 15: 201-210.

 

Diagnóstico de enfermidades

O tamanho de filhote de gato pode muitas vezes limitar o volume de sangue que pode ser coletado para fins diagnósticos e deve ser considerado antes da realização dos testes. Se várias coletas de sangue forem feitas em um curto período, pode ocorrer anemia. O volume de sangue pode ser calculado usando a seguinte fórmula:

(Peso corporal (kg) x 0,06) x 1000 = volume total de sangue ml

Exemplo – um filhote com 500gr tem aprox. 30 ml de sangue

0,5 x 0,06 = 0,03 x 1000 = 30 ml

Portanto devemos colher no máximo 10% do sangue total dele, ou seja, 3 ml

Se 20% por cento do volume de sangue for colhido, pode haver choque hipovolêmico. Portanto, consideramos 10% o máximo que pode ser puncionado. E como a medula óssea precisa de tempo para substituir essas células – precisamos também levar em conta o tempo entre as colheitas.

Sempre manter um registro minucioso do volume de sangue total colhido em cada exame e nunca exceder 7,5 % do volume de sangue total por semana (o que equivale a aproximadamente 4 ml/ kg/sem). Os exames sanguíneos devem ser priorizados para minimizar o volume necessário.

O sangue deve ser colhido com cuidado usando seringas menores e (1 a 3 ml ) e agulhas bem finas – calibre 25 ou 26, e deve ser aspirado muito lentamente para evitar o colapso venoso. Um pequeno volume (0,5 ml) de sangue pode ser usado para os exames mais essenciais e críticos. Cuidado com o posicionamento do pescoço, pois eles são muito frágeis, e podem ser colhidos com o animal sentado ou colocar o animal em decúbito dorsal no colo de um assistente.

Lembrar ao avaliar os resultados dos exames que existem variações marcantes em cálcio, fósforo, fosfatase alcalina (FA), creatinina, uréia e hematócrito relacionadas à idade, que devem ser levadas em consideração. Como o fígado não está totalmente desenvolvido, os níveis de glicose podem se esgotar rapidamente. O uso de um glicosímetro para avaliar a glicose minimiza a quantidade de sangue necessária e pode permitir avaliações frequentes. Além disso, deve ser dada consideração especial à detecção do vírus da imunodeficiência felina (FIV): gatinhos nascidos de mães infectadas com FIV ou vacinadas podem ser soropositivos como resultado de anticorpos maternos adquiridos passivamente. Portanto sempre testar os filhotes após 16 semanas, quando há declínio do AcM, embora em alguns casos possam permanecer positivos até seis meses.

Diagnóstico por imagem

Em certos casos, o diagnóstico por imagem pode ser recomendado, mas devemos sempre levar em conta as variações da idade na interpretação das imagens.

Radiografia: Foi demonstrado que a fusão das epífises do tubérculo escapular, do carpo acessório, do úmero distal, das falanges proximal e média e epífise radial proximal se fundem entre 4 e 7 meses, e as epífises da extremidade proximal do fêmur, do metacarpo, as epífises metatarsais, a ulnar proximal e as epífises fibulares distais se fundem entre 8 e 14 meses. As epífises proximais tibial e proximal fibular, a distal femoral, a radial e a ulnar e a epífise proximal do úmero fundem-se entre 14 e 20 meses.

A radiografia abdominal pode ser útil em alguns casos; no entanto, a falta de gordura intra-abdominal limita a capacidade de visualizar detalhes intestinais e, portanto, pode ser de difícil visualização. A radiografia torácica em animais jovens pode demonstrar aumento cardíaco do lado direito devido ao aumento da capacidade do coração no útero. Ao nascer, o lado direito do coração é proporcionalmente maior que o esquerdo. Isso pode levar a um aumento aparente do lado direito em neonatos. Foi demonstrado que gatos de 3 meses têm um coração parecendo maior e mais redondo, e quando usamos o escore do coração em relação as vertebras ele parecerá aumentado, permanecendo assim até os seis meses, mas diminuindo gradualmente entre nove e 12 meses de idade.

Ultrassonografia: Embora a escassez de gordura intra-abdominal em pacientes pediátricos resulte em perda de detalhamento na radiografia abdominal, essa escassez melhora a imagem ultrassonográfica. A aparência geral da maioria dos órgãos deve ser semelhante à de um adulto, mas gânglios linfáticos proeminentes são comumente relatados, assim como um pequeno volume de fluido livre anecóico intra-abdominal.

Terapia em filhotes de gatos

Muitas vezes diagnosticamos doenças que necessitam de tratamentos específicos. No entanto, na maioria das vezes não se encontra uma doença ou causa específica e, portanto, a terapia é inespecífica, somente para estabilizar o animal, como restabelecer a volemia, controlar a hipotermia e a hipoglicemia, que podem se desenvolver rapidamente e desestabilizar o paciente pediátrico.

Fluidoterapia: os filhotes de gatos não desenvolvem a capacidade de concentrar a urina até aproximadamente 10 semanas de idade, portanto, se eles estão perdendo líquidos (ou seja, vômitos ou diarreia) ou têm ingestão diminuída de líquidos, eles estão propensos ao desenvolvimento de hipovolemia. Infelizmente, avaliar a desidratação é mais difícil em filhotes muito novos, pois eles têm a pele mais maleável, com mais quantidade água, e só vemos alteração no pregueamento da pele quando a desidratação esta bem severa. Além disso, o sistema nervoso simpático não está totalmente maduro até aproximadamente 8 semanas de idade e, portanto, os gatinhos não podem responder à hipovolemia da mesma maneira que um adulto, ou seja, muitas vezes estão desidratados, mas frequência cardíaca não aumentou.

Quanto à fluidoterapia, esta pode ser outro desafio devido ao calibre dos vasos. Se o acesso venoso estiver muito difícil, pode-se tentar a via intraóssea – utilizando agulha hipodérmica de calibre 18 a 25 no úmero proximal ou no fêmur. Idealmente, deve ser removido após duas horas, quando o fluido adequado foi fornecido para permitir o acesso intravenoso.

Lembrar que o volume de fluido necessário para reidratar é sempre maior do que o necessário para um gato adulto. E isso se deve ao fato de que o corpo dos filhotes contém uma porcentagem maior de água. Eles também têm menos gordura corporal e uma taxa metabólica mais alta, portanto requerem mais água. No entanto, a pele é mais permeável aos fluidos e os gatinhos têm uma alta proporção entre área de superfície e volume, aumentando a necessidade de manutenção para um recém-nascido. A necessidade diária recomendada de líquidos para um gatinho é de 80 a 100 ml/ kg/dia, com ajustes adicionais para perdas contínuas (ou seja, vômitos ou diarreia).

Nutrição

Filhotes com vômitos, diarreia, hipotermia, ingestão nutricional inadequada ou em sepse correm o risco de desenvolver hipoglicemia severa. Isso ocorre pelo fato da função hepática não ser madura suficiente e consequentemente seus estoques de glicogênio acabam rapidamente.

Devemos sempre tomar cuidado para prevenir a hipoglicemia em filhotes!

Os gatinhos hipoglicêmicos tornam-se fracos e letárgicos, o que pode causar dificuldade em se alimentar exacerbando a anorexia, além da dificuldade de manter calor, agravando a hipotermia.

Se um gatinho desenvolveu hipotermia, essa deve ser tratada antes de fornecermos nutrição oral, uma vez que a motilidade gastrointestinal estará comprometida. Como resultado, há um alto risco de regurgitação e, com isso, pneumonia por aspiração (o reflexo de vômito não está presente até aproximadamente 10 dias após o parto).

A hipoglicemia clínica se desenvolve quando a glicose no sangue cai abaixo de 55-60 mg/dL (3 mmol /l),  e  se não corrigida progride para síncope, coma e, finalmente, morte. Portanto, é importante que uma nutrição adequada seja fornecida e a escolha da via de nutrição deve ser bem pensada em cada caso:

Alimentação por tubo:

Em um filhote lactante que esteja hipoglicêmico, mas não hipotérmico ou desidratado, um tubo estomacal pode ser colocado facilmente, pois o reflexo de vômito não está presente em animais com menos de 10 dias.

Lembrar que se pode usar tubos tamanho Fr 5 para filhotes com peso < 300 g, e tamanho 8 Fr para filhotes com mais de 300 g.

Meça o tubo de alimentação da ponta do nariz do gatinho até um pouco antes da última costela e marque o tubo com fita adesiva ou uma caneta especial. O tubo precisará ser medido semanalmente à medida que o seu paciente cresça.

Com o gatinho em decúbito esternal e a cabeça elevada, o tubo gástrico (previamente medido e marcado) pode ser passado suavemente pelo lado esquerdo da boca até o esôfago. Se houver resistência ou ocorrer tosse, o tubo deve ser removido e reposicionado. A colocação correta do tubo pode ser confirmada instilando um pequeno volume de solução salina estéril e avaliando a resposta. Se ocorrer tosse ou engasgo isso pode indicar que o tubo foi para a traquéia. Retire imediatamente e repita a operação após alguns minutos.

Uma vez que a colocação correta foi confirmada, o substituto de leite em uma seringa de 3 – 5 ml pode ser conectada ao tubo de alimentação e deve ser infudndio lentamente durante alguns minutos.

O estômago pode ser palpado para avaliar o grau de distensão. A alimentação excessiva deve ser evitada, pois pode causar distensão gástrica excessiva, causando desconforto e risco de regurgitação. Antes da retirada, o tubo deve ser dobrado para evitar a aspiração de substituto do leite. Todos os equipamentos de alimentação por sonda devem ser limpos completamente após o uso.

Isso pode ser usado para administrar periodicamente dextrose 5-10% por via oral no volume de 0,25 a 0,50 ml/100 g de peso corporal até que o animal fique mais forte. A administração oral é continuada até que o gatinho fique normoglicêmico. O tubo deve ser ocluído antes da retirada para garantir que o conteúdo do estômago não seja aspirado.

Em neonatos em estado crítico, pode ser necessária uma infusão em bôlus de dextrose 12,5% IV ou IO (0,1 a 0,2 ml/100 g). Isso pode ser seguido por uma infusão contínua de glicose 1,25 a 5% diluída em uma solução eletrolítica balanceada para prevenir a hipoglicemia de rebote.

Se a alimentação oral puder ser tolerada, a quantidade do alimento pastoso ou líquido deve ser limitado a cerca de 4 a 5 ml/100 g de peso corporal, pois esta é a capacidade máxima do estômago de um filhote.

Os alimentos devem ser introduzidos gradualmente para evitar a síndrome de realimentação. No geral, a necessidade diária de energia metabolizável (EM) para gatinhos nas primeiras quatro semanas de vida é de aproximadamente 24 kcal EM/ 100 g de peso corporal O conteúdo de energia do leite da mãe varia entre 0,85 a 1,6 kcal ME/ml, enquanto os substitutos do leite variam de cerca de 0,79 a 1,1 kcal ME/ ml. Se estiver alimentando-o com um substituto do leite, aqueça-o a 35 a 38 ° C em banho de água morna, antes da alimentação. Não aqueça em micro-ondas para evitar superaquecimento de partes do líquido.

Durante esse tempo, a necessidade de reposição de água para manutenção é relativamente alta, aproximadamente 18 ml/100 g de peso corporal por dia (13-22 ml/100gr).  Portanto, se os fluidos intravenosos não estão sendo dados, o conteúdo de água do alimento úmido deve ser calculado para garantir que não ocorra desidratação.

Quando usamos substitutos de leite especiais para filhotes de gatos (de marcas confiáveis), devemos levar em conta que o animal de 1 semana de vida deve ingerir em torno de 15% a 20% do peso (em gramas), em ml por dia (Ex: gato de 100gr, deve ingerir 15 a 20 ml), e deve ganhar 10-15 gr por dia de peso.

Para concluir, cuidar de gatinhos filhotes é sempre um desafio mesmo para um clínico experiente, pois como foi frisado no início – gatos filhotes não são gatos pequenos.

Conhecer a neonatologia de cada espécie é imprescindível e saber que estamos lidando com um paciente com sistemas imaturos faz toda a diferença.  Qualquer alteração no sistema cardiovascular, sistema nervoso, urinário e no trato gastrointestinais imaturos levam a mudanças marcantes nos “parâmetros normais” e apresentam um desafio diagnóstico para o veterinário. Além disso, a imaturidade desses sistemas prejudica a capacidade do filhote em manter a volemia, a temperatura corporal e a glicemia normais. Em muitos cenários, portanto, as terapias inespecíficas são necessárias para evitar as mortes antes mesmo de fecharmos o diagnóstico.

Portanto, antes de enviar seu paciente para fazer exames subsidiários a procura de um diagnóstico final da sua afecção, estabilize-o e monitore-o de perto, pois muitos animais morrem por conta de desidratação, hipotermia e hipoglicemia.

 

Referências:

Cave T.A., T. H., Reid S.W.J., Hodgson D.R, Addie, D.D. (2002). “Kitten mortality in the United Kingdom: a retrospective analysis of 274 histopathological examinations (1986 to 2000).” Veterinary Record 151: 497-501.

Little S. (2011). “Feline Pediatrics: How to Treat the Small and the Sick.” Compendium: Continuing Education for Veterinarians Sept: E1-E6.

Veterinary Practice news – November 1, 2019 “Kittens aren’t little cats – Assessing kittens for signs of ill health can be challenging” By Kerry Rolph, BVM&S, CertVC, FANZCVSc, PhD, ECVIM-CA, MRCVS, RCVS

A questionnaire-based study of gestation, parturition and neonatal mortality in pedigree breeding cats in the UK. Andrew H Sparkes 1, Katherine Rogers, William E Henley, Danielle A Gunn-Moore, Julia M May, Timothy J Gruffydd-Jones, Claire Bessant

 

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