Tumor Venéreo Transmissível – TVT

Dra Claudia Brito

Ultima atualização: 05 MAR DE 2020

Sinônimos

Sarcoma ou Tumor de Sticker 

Nome em Inglês

TRANSMISSIBLE VENEREAL TUMOUR

Definição

Neoplasia que acomete a genitália de machos e fêmeas da espécie canina, transmitida via acasalamento, provocando lesões características com sangramento abundante, porém com prognóstico favorável.

Fisiopatologia

A transmissão ocorre durante o acasalamento pela deposição de células neoplásicas para uma mucosa vaginal ou peniana lesionada.

A instalação e multiplicação das células neoplásicas no hospedeiro se dão por uma falha do sistema imune em reconhecê-las, permitindo o crescimento indeterminado do tumor.

O transplante de células pode ocorrer também na mucosa oral ou nasal, se o animal lamber ou cheirar sua própria genitália ou a de outro animal afetado.

Cerca de 40% dos TVTs são localmente invasivos e a porcentagem de metástase é de 0 a 17%.

Metástases já foram relatadas e pele, olho, vísceras abdominais, cérebro e coluna, e estão mais associadas a pacientes pediátricos ou animais imunossuprimidos.

Na ocorrência de metástase é sempre muito importante avaliar uma doença de base que favoreça o crescimento tumoral pela baixa resposta imunológica como uma Erlichiose, Babesiose e Leishmaniose.

Etiologia

Tumor de células redondas, considerado maligno do ponto de vista histológico e benigno do ponto de vista clínico.

Possui característica única de transmissibilidade, sem agente causal associado, como vírus por exemplo.

Maior Ocorrência

Tumor de ocorrência mundial, principalmente em países subdesenvolvidos (mais animais de vida livre e pouco controle de natalidade) de clima tropical e subtropical  e prova disso é que a caracterização cromossomal do TVT é igual em qualquer região; seja Brasil ou Africa.

Não há predisposição racial ou sexual, apesar dos estudos mostrarem serem o SRDs os mais acometidos.

 

Achados de anamnese

Os tutores referem presença de sangramento vaginal/prepucial ou peniano discreto a abundante em 90% dos casos, animais com idade de 1 a 7 anos, em plena atividade reprodutiva e acesso constante a rua. 

Manifestações clínicas

  • Animais apresentam lambedura constante de região genital;
  • Sangramento vaginal/prepucial moderado a intenso; 
  • Presença de nodulações na região vaginal/prepucial/peniana de aspecto verrucóide ou de "couve-flor", que ao toque apresenta friabilidade e sangramento fácil;
  • Formações podem ser únicas ou múltiplas, coloração avermelhada; podem ser multilobulares e até pedunculadas;
  • Associados a metástases me região nasal o animal pode apresentar espirros, epistaxe, epífora e aumento de linfonodo submandibular.

Procedimentos diagnósticos

O diagnóstico será direcionado por meio do histórico e exame clínico do animal associado a exames como citologia esfoliativa da formação, ultrassonografia abdominal e RX para avaliação de possíveis metástases e definitivo com o histopatológico.

Exames complementares bioquímicos serão necessários e hemograma completo com contagem de plaquetas. Policitemia pode ser observada em alguns animais, uma vez que o TVT pode secretar eritropoetina.

Na citologia esfoliativa podem ser evidenciadas células redondas com citoplasma finamente granular contendo vacúolos, núcleo com cromatina mais frouxa e um ou dois nucléolos bem centralizados.

Alguns autores diferenciam os TVTs em linfoide ou plasmocitoide de acordo com as características citológicas e acredita-se que os plasmocitoides tenham uma evolução mais maligna.

 

Diagnósticos diferenciais

  • Neoplasias vaginais/penianas
  • Piometra/Hemometra
  • Vaginites e corpos estranhos vaginais
  • Subinvolução de sítios placentários
  • Metrites

Terapia inicial

Terapia de escolha para tratamento inicial do TVT é a quimioterapia com o sulfato de Vincristina na dose de 0,75 a 1,0 mg/m2 semanalmente, até redução completa da formação.

A prednisona (1mg/kg/ 15 dias e depois iniciar desmame) quando instituída no primeiro dia de tratamento com a Vincristina, melhora a ação do quimioterápico uma vez que o corticoide promove uma linfocitose, uma vez que sabe-se que o TVT possui grande quantidade de infiltrado de linfócitos na sua fase de progressão e estabilização. 

No caso das fêmeas é preconizado a OSH antes de iniciar a quimioterapia, se nenhuma metástase uterina for evidenciada pela ultrassonografia, pois sabe-se que a ação estrogênica do PROESTRO/ESTRO pode promover um efeito "protetor" ao TVT, uma vez que estimula o crescimento da mucosa vaginal e estimulando a mitose e angiogênese.

O TVT responde muito bem também a doxorrubicina, na dose de 30mg/m2 a cada 21 dias, sendo a segunda droga de escolha.

A eletroquimioterapia tem se mostrado uma terapia adjuvante com boa resposta nos casos de TVTs mais resistentes.  

Terapia de suporte e manutenção

Uma vez que a quimioterapia teve sucesso, o animal está curado.

Importante conscientizar o tutor da necessidade de esterilização do animal (no caso os machos), uma vez que pode ser acometido novamente se acasalar com uma fêmea portadora.

Prognóstico

É considerado muito bom já que a resposta a quimioterapia é em geral boa, e uma pequena porcentagem é resistente ao tratamento quimioterápico.

Literatura recomendada

APPARICIO, M.; VICENTE, W.R.R. Reprodução e Obstetrícia em cães e gatos. 1. ed. São Paulo: MEDVET, 2015. 458p.

JOHNSTON, S.D.; KUSTRITZ, M.V.R.; OLSON, P.N.S. Canine and Feline Theriogenology. 1ed. Philadelphia: Saunders, 2001. 592p.

SOUSA, J.1; SAITO, V.2; NARDI, A.B.2; RODASKI, S.3; GUÉRIOS, S.D.3; BACILA, M.SOUSA,J. CARACTERÍSTICAS E INCIDÊNCIA DO TUMOR VENÉREO TRANSMISSÍVEL (TVT) EM CÃES E EFICIÊNCIA DA QUIMIOTERAPIA E OUTROS TRATAMENTOS. Archives of Veterinary Science v.5, p.41-48, 2000.

BALLESTERO,F.H; MONTOYA FLOREZ,L; YAMATOGI,R.S.; PRADO, D.A.;ARAÚJOJ.P.; OLIVEIRA, R.A.; ROCHA,N.S. Does the tumour microenvironment alter tumorigenesis and clinical response in transmissible venereal tumour in dogs? Vet Comp Oncol. 2018 Sep;16(3):370-378

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