Siringomielia

Claudia Inglez

Ultima atualização: 09 JUN DE 2020

Nomeclatura (sinônimos)

Hidromielia

Siringohidromielia

Nome em inglês

Syringohydromyelia

Hydromyelia

Syringomyelia

Syrinx

Definição

A siringomielia (SM) refere-se a cavitações anormais no parênquima da medula espinhal, preenchidas por fluido. O termo é utilizado para englobar as anteriormente separadas entidades: siringomielia, hidromielia (dilatação do canal central) e siringohidromielia (comunicação entre as cavitações no parênquima medular e canal central).

Fisiopatologia

A siringomielia é resultante de movimento anormal de líquido cerebroespinhal (LCE). Pode ocorrer sempre que houver uma obstrução do espaço subaracnóide e assim do fluxo de fluido cerebroespinhal. A patogenesia ainda não é clara, havendo várias teorias. A mais aceita é que a pressão do pulso arterial e a onda de pulso de LCE devem ser sincronizadas. Se há uma obstrução do fluxo de LCE e assim altera essa sincronização, pode ocorrer do LCE atingir uma região quando a pressão arterial estiver baixa, fazendo com que fluído ocupe este espaço. Inicia-se no canal central, progredindo para o parênquima.

Etiologia

Anomalias, principalmente malformação semelhante a Chiari

Neoplasia

Inflamações/Infecções

Trauma

 

Maior ocorrência

Idade juvenil, sem predisposição sexual.

Raças:

Cavalier King Charles Spaniel

Griffon de Bruxelas

Affenpinschers

Yorkshire Terrier

Maltês

Chihuahua

Pomeranian

Boston Terrier

Papillon

Buldogue Francês

Pug

Anamnese

Os tutores reportam que cães apresentam vocalização espontânea, ao movimentarem-se ou ao serem apanhados. Podem fazer movimentos de coçar o pescoço, sem tocá-lo, ou apresentar lambedura excessiva das patas. Os tutores reportam também que os cães parecem piorar à noite, ao acordar, e em temperaturas extremas (calor ou frio).

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos podem estar ausentes, sendo esta condição um achado.

Quando presentes, podem ser dor, paresia e ataxia, aparentam coçar a face, pescoço e ombro (coceira fantasma).

Procedimentos diagnósticos e resultados esperados

Ressonância magnética é a modalidade de escolha, podendo visualizar o acúmulo de fluído no parênquima medular e/ou dilatação do canal central na medula espinhal cervical e torácica cranial. Outras anormalidades podem ser detectadas como causa da afecção, como neoplasias ou malformação de Chiari.

A tomografia computadorizada é muito útil na detecção de anormalidades craniocervicais. A mielotomografia também pode ser diagnóstica para a SM.

Diagnósticos diferenciais

Encefalite, neoplasia da medula espinhal, trauma na medula espinhal, meningite, discopatias

Terapia inicial

A terapia visa principalmente controlar a dor e diminuir a produção de líquido cerebroespinhal. Caso haja uma causa base, a mesma deve ser tratada.

Fármacos para controle da dor:

  • Anticonvulsivantes:

Gabapentina: 10-20 mg/kg a cada 8-12 hrs

Pregabalina: 4mg/kg a cada 12h

  • Anti depressivo tricíclicos

Amitriptilina: 3-4 mg/kg a cada 12h

  • Antagonista de receptor NMDA

Amantadina: 3-5 mg/kg q12-24h

  • Opióide

Tramadol: 4-5 mg/kg q8h

  • Antiinflamatórios não esteriodais

Carprofeno: 2,2mg/kg a cada 12h

Meloxicam:0,1mg/kg a cada 24h

  • Fármacos para diminuição da produção de líquido cerebroespinhal:

-Corticosteróides:

Predinisona: 0,5mg/kg a cada 12h

Dexametasona: 0,07mg/kg a cada 12h

-Inibidor de bomba de prótons

Omeprazol: 0.5-1 mg/kg q24h

 

Terapia definitiva

Intervenção cirúrgica pode ser indicada em casos de malformação semelhante a Chiari que sejam refratários à terapia médica ou que sofrem efeitos colaterais com as medicações empregadas. As técnicas descritas são:

- Descompressão crânio-cervical

- Descompressão subociptal

- Descompressão do forame magno, com ou sem cranioplastia.

Prognóstico

Reservado ao que se refere à qualidade de vida, necessitando de tratamento contínuo, sendo a condição progressiva na maioria dos casos.

Literatura recomendada

Ashley C Hechler, Sarah A Moore. Understanding and Treating Chiari-like Malformation and Syringomyelia in Dogs. Top Companion Anim Med . 2018 Mar;33(1):1-11
Bagley RS, Silver GM, Kippenes H, et al: Syringomyelia and Hydromyelia in Dogs and Cats. Compend Contin Educ Pract Vet 2000 Vol 22 (5) pp. 471-8.
da Costa RC, Parent JM, Poma R, Duque MC: Cervical syringohydromyelia secondary to a brainstem tumor in a dog. J Am Vet Med Assoc 2004 Vol 225 (7) pp. 1061-4, 1048.
Jung D, Park C, Kang B-T, et al: Acquired cervical syringomyelia secondary to a brainstem meningioma in a maltese dog. J Vet Med Sci 2006 Vol 68 (11) pp. 1235-8.
Rusbridge C, Greitz D, Iskandar BJ: Syringomyelia: current concepts in pathogenesis, diagnosis, and treatment. J Vet Intern Med 2006 Vol 20 (3) pp. 469-79.
Rusbridge C, MacSweeney JE, Davies JV, et al: Syringohydromyelia in Cavalier King Charles spaniels. J Am Anim Hosp Assoc 2000 Vol 36 (1) pp. 34-41.
Summers BA, Cummings JF, de Lahunta A: Malformations of the central nervous system. Veterinary Neuropathology St Louis, Mosby 1995 pp. 77-78.
Summers BA, Cummings JF, de Lahunta A: Myelodysplasia. Veterinary Neuropathology St. Louis, Mosby 1995 pp. 88-90.

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