Pseudocistos perinéfricos

Dora. Paola Lazaretti

Ultima atualização: 17 MAR DE 2020

Sinônimos

Pseudocistos perinéfricos, pseudocisto/cisto perirrenal, pseudocisto renal, pseudocisto pararrenal, cisto renal capsular ou capsulogênico, hidronefrose capsular, ou pseudohidronefrose.

 

Nome em Inglês

Perinephric pseudocyst

Definição

Pseudocisto renais são acumulaçoões de fluido ao redor do rim, uni ou bilateralmente. A cápsula destes pseudocistos não é revestida de epitélio, o que os diferencia dos cistos verdadeiros.

Os pseudocistos renais podem ser de três tipos:

1) Pseudocistos subcapsulares são os mais comuns, denominam os pseudocistos  formados pelo acúmulo de líquido entre a cápsula renal e o parênquima renal.

2) Pseudocistos renais extracapsulares ocorrem entre a cápsula renal e o peritônio. 

3) Um urinoma perirrenal ou pseudocisto urinífero, ocorre com ruptura do trato urinário na região do rim, pelve renal ou ureter proximal, com consequente acúmulo de urina no espaço retroperitoneal.

 

Fisiopatologia

O acúmulo de fluido pode ocorrer com alterações na pressão hidrostática ou oncótica, por ruptura de cistos renais ou de trato urinário proximal. O tipo de fluido encontrado pode dar indicação da causa subjacente.

Quando o conteúdo é sanguinolento, pode estar associado a um trauma externo, cirurgias, erosões neoplásicas, ruptura de aneurismas, distúrbios de coagulação e realização de paracentese. Quando observa-se o acúmulo de urina denomina-se urinoma ou pseudocisto perinéfrico urinífero e pode indicar a ruptura da pelve renal ou ureter proximal do ureter ou mesmo um processo obstrutivo ou traumático do trato urinário. Existem relatos de casos causados por complicações de obstrução congênita do trato urinário (hidronefrose fetal), acidentes e traumas cirúrgicos ou presença de nefrólitos ou ureterólitos, neoplasia ureterais e até hiperplasia prostática benigna.

A maioria dos pacientes com pseudocistos perinéfricos apresenta doença renal subjacente decorrente da contração progressiva do parênquima renal, que compromete a drenagem linfática e venosa local.

Etiologia

A causa exata é desconhecida na maioria dos casos. 

Os pseudocistos perinéfricos têm sido associados à neoplasia renal, doença renal policística, trauma prévio e nefrite intersticial crônica. Os pseudocistos perinéfricos podem ocorrer em qualquer estágio da doença renal.

Maior ocorrência

Os pseudocistos perinéfricos são pouco frequentes em animais  domésticos, mas são mais frequente em gatos quando comparado aos cães, talvez pela maior vascularização na região subcapsular na espécie felina. 

Os pseudocistos perinéfricos são uma causa incomum de renomegalia. 

Cerca de 50% dos gatos afetados apresentam pseudocistos renais unilaterais.

Os gatos machos são mais afetados que as fêmeas. 

Os gatos idosos estão 11 a 16 anos são mais frequentemente afetados. Nenhuma predisposição de raça foi reconhecida.

Anamnese

Alguns gatos são assintomáticos, mas muitos apresentam distensão abdominal.

Os tutores podem relatar anorexia, perda de peso, polidipsia, poliúria e vômitos, quando doença renal subjacente está presente.

Manifestações clínicas

Pode-se notar renomegalia ou presença de massa abdominal na palpação abdominal.

Desidratação e achados compatíveis com a presença de doença renal podem ou não estar presentes.

Em um caso foi observado, o hidrotórax por comunicação direta entre o pseudocisto e o espaço pleural.

 

Procedimentos diagnósticos

Exame de bioquímica sérica, hemograma e urina I:

Podem ou não apresentar anormalidades, dependendo do grau de lesão renal presente.

Radiografia abdominal: 

O exame radiográfico não pode diferenciar massas císticas de sólidas. Na presença de um pseudocisto perinéfrico observa-se geralmente uma massa unilateral, arredondada de bordas suaves e regulares.

Ultrassonografia: 

Presença de rins pequenos sob um espaço anormalmente amplo e cheio de líquido anecóico são comumente vistos.

Análise de fluido: 

A aspiração e análise do fluido pode ser útil no apoio ao diagnóstico de pseudocistos perinéfricos. O líquido do pseudocisto é geralmente classificado como transudato ou transudato modificado. No caso de urina pode-se analisar a presença de creatinina no liquido e comparar com aquela do soro, no caso de urinoma o valor de creatinina no liquido será muito mais alto que o valor de creatinina no soro.

O fluido tem baixa celularidade e baixo teor de proteína e baixa densidade específica. O líquido pseudocisto é normalmente estéril. Ocasionalmente o líquido pode ser hemorrágico.

 

Diagnósticos diferenciais

  • Nefrite bacteriana
  • Peritonite infecciosa felina
  • Hidronefrose
  • Doença renal policística
  • Neoplasia renal

 

Terapia inicial

Quando a quantidade de fluido presente no pseudocisto for pequena nenhum tratamento pode ser necessário. No entanto, a pressão persistente aplicada ao parênquima renal pelo fluido pode causar progressiva deterioração da função renal. O alívio temporário pode ser obtido pela drenagem percutânea via paracentese, no entanto, o pseudocisto irá se formar novamente.

A ressecção cirúrgica da parede do pseudocisto perinéfrico por laparotomia ou laparoscopia e / ou fenestração de pseudocisto é eficaz no alívio de sinais clínicos Esses procedimentos não resolvem o vazamento de líquido pelo rim, mas permitem a absorção de fluido pela superfície peritoneal, dependendo da quantidade de fluido pode-se observar formação de ascite após esses procedimentos. 

A omentalização cirúrgica dos pseudocistos também pode ser realizada. A terapia cirúrgica dos pseudocistos perinéfricos não interrompe a progressão da doença renal. A nefrectomia é recomendada apenas em casos de trauma grave ao rim ou quando o rim já não é mais funcional. 

Terapia de suporte e manutenção

Os animais apresentando doença renal crônica devem ser tratados e monitorados adequadamente de acordo com a progressão da doença.

Deve-se monitorar a recorrência e progressão dos pseudocistos com ultrassons seriados.

Prognóstico

O prognóstico varia de acordo com o grau e progressão da doença renal subjacente.

 

Literatura recomendada

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Beck J A, Bellenger C R, Lamb W A, et al : Perirenal pseudocysts in 26 cats. Aust Vet J 2000 Vol 78 (3) pp. 166-71.

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Lulich JP, Osborne CA: Perirenal Pseudocysts. Blackwell’s Five Minute Veterinary Consult Canine and Feline. Ames, Blackwell Publishing 2007 pp. 1064.

McCord K, Steyn P F, Lunn K F: Unilateral improvement in glomerular filtration rate after permanent drainage of a perinephric pseudocyst in a cat. J Feline Med Surg 2008 Vol 10 (3) pp. 280-3.

Mouat E E, Mayhew P D, Weh J L: Bilateral laparoscopic subtotal perinephric pseudocyst resection in a cat. 2009 Vol 11 (12) pp. 1015-8.

Hill T P, Odesnik B J: Omentalisation of perinephric pseudocysts in a cat. J Small Anim Pract 2000 Vol 41 (3) pp. 115-8.

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Geel J K: Perinephric extravasation of urine with pseudocyst formation in a cat. J S Afr Vet Assoc 1986 Vol 57 (1) pp. 33-4.

Santos D.R., Souza P.M, Mamprim M.J., Belotta A.F., Freitas M.A., Kairalla L., Brandão C.V.S.,  Zanuzzo F.S., Machado L.H.A. Contribuição da ultrassonografia no diagnóstico de pseudocisto perinéfrico urinífero em um felino - relato de caso. Med. Vet. 2011 dez.; 5(4 Supl. 1): 27

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