Prurido cérvico-facial

Rita Carmona

Ultima atualização: 17 MAR DE 2021

Nomenclatura (sinônimos)

Prurido cérvico-facial em felinos, dermatite de cabeça e pescoço em felinos, prurido de cabeça e pescoço em felinos

Nome em inglês

Head and neck pruritus

Definição

O prurido cérvico facial de felinos, não é uma enfermidade, mas um tipo de padrão lesional em felinos de causas diversas.

Fisiopatologia

O prurido cérvico-facial em felinos está dentre os padrões lesionais em felinos, que ainda incluem: alopecia auto-induzida, dermatite miliar e dermatose eosinofílica.

As possíveis causas para essa tão desalentadora manifestação são: doenças parasitárias (otoacaríase, sarna notoédrica e democidiose oriunda do parasitismo pelo Demodex gatoi), dermatopatias fúngicas (dermatofitose), dermatopatias alérgicas (alergia alimentar e síndrome atópica cutânea felina), dermatopatias bacterianas e dermatopatias de origem psicogênica.

Maior ocorrência

Inexiste predisposição racial, de faixa etária e sexo

Manifestações clínicas

É caracterizado por prurido intenso na face, cabeça e pescoço. Os pacientes acabam por se automutilar de forma vigorosa resultando em vários graus de escoriação, erosão e ulceração. Pode ser observada blefarite, com ou sem ulceração corneana. O prurido associado a esse padrão pode ser particularmente grave e de difícil controle, muitas vezes exigindo não só a intervenção terapêutica, mas contenção física com uso de bandagens ou colares protetores para minimizar o auto trauma. Infecção bacteriana secundária é comumente observada.

 

Procedimento diagnóstico

O diagnóstico deve ser realizado através da evidenciação das manifestações clínicas, com evidente prurido moderado a intenso e áreas de escoriações, erosões e úlceras em região cervical, de face e cabeça.

Deve ser incluído o exame citológico das lesões, que pode ser coletado através de decalque (inprint) ou através de haste de algodão (swab) para excluir enfermidades fúngicas, por exemplo a esporotricose, e a possível evidenciação de estruturas bacterianas, pois não é incomum a ocorrência de infecção bacteriana secundária.

Em algumas situações o exame histopatológico de fragmento cutâneo pode ser requerido para exclusão do diagnóstico de enfermidades auto-imunes.

Como o prurido cérvico-facial não é uma enfermidade e sim um padrão lesional, pode ser decorrente de enfermidades parasitárias, alérgicas, bacterianas e psicogênicas. Então, faz-se necessário a realização de exame parasitológico de raspado cutâneo (sarna notoédrica e demodiciose) e exame parasitológico de cerumen (sarna otodécica).

Cultura fúngica deve ser requerida para investigação de dermatofitose.

Para a diferenciação de doenças alérgicas e doenças psicogências, deve-se adotar terapia com corticóide. Se houver resposta à terapia, pode-se concluir que trata-se de etiologia alérgica.

Os principais diferenciais alérgicos são a alergia alimentar e a síndrome atópica cutânea felina.

Segundo levantamento de dados de literatura, parece que o prurido cérvico-facial está mais associado à alergia alimentar. Então, quando da exclusão terapêutica de doença psicogênica, faz-se necessária a realização de dieta de eliminação com rações hipoalergênicas de proteína hidrolisada ou dieta caseira com proteína inédita por 8 a 12 semanas.

 

Diagnóstico diferenciais

Esporotricose

Micobacteriose

Pênfigo Foliáceo

Terapia inicial

Deve realizar antibioticoterapia quando da ocorrência de piodermite, por 3 a 4 semanas. Preconiza-se como primeira linha de tratamento antibióticos da classe dos beta-lactâmicos (cefalexina, cefadroxila, cefovecina ou amoxacilina com clavulanato de potássio).

O uso de corticóide para alívio rápido do prurido e melhora das lesões deve ser realizado, desde que não haja comorbidades que contra-indiquem seu uso. Incialmente pode-se usar prednisolona na dose de 1 a 4 mg por quilo de peso a cada 24 horas ou em casos refratários, a dexametasona na dose 0,1mg por quilo a cada 24 horas pode ser necessária.

A monitoração de possíveis efeitos adversos (diabetes melito, hepatopatias, nefropatias e distúrbios de comportamentos) deve ser realizada durante o curso de uso de corticóides.

Terapia de manutenção

Para manutenção do quadro, quando do diagnóstico de síndrome atópica cutânea felina:

  1. Ciclosporina oral na dose de 7 a 10 mg por quilo a cada 24 horas, com início do efeito terapêutico em 3 a 4 semana.
  2. Oclacitinib: uso extra-bula na dose de 1mg por quilo de peso a cada 12 horas. Efeito benéfico no controle de prurido em cerca de 60% dos casos. Devem ser monitorados quanto à função renal
  3. Maropitan: uso anedotico na dose de 2mg por quilo de peso a cada 24 horas. Mostrou-se benéfico no controle de prurido cérvico facial em gatos por ser um inibidor de receptor da substância P que pode estar relacionada a prurido em alguns gatos.
  4. Pamitoletanolamida (PEA): lipídeo natural com propriedades anti-inflamatórias, modula a degranulação de mastócito e pode ser benéfico no controle de prurido em felinos, na dose de 10 mg por quilo de peso a cada 24 horas.

Prognóstico

Bom a reservado

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