Prolapso Uretral

Dra. Paola Lazaretti

Ultima atualização: 17 MAR DE 2020

Nomenclatura

Prolapso da mucosa uretral

Prolapso de uretra

Nome em inglês

Urethral Prolapse

Definição

Protrusão da mucosa uretral na extremidade distal do pênis.

Fisiopatologia

Nenhuma informação disponível

Etiologia

A causa exata é desconhecida. 

Pode ser resultado de excitação sexual prolongada ou masturbação. 

Pode ocorrer secundariamente a trauma e / ou estrangúria associada a uretrite ou cistite crônica.

Aumento do esforço / pressão abdominal devido a restrição das vias aéreas superiores ou aumento do esforço para urinar, após obstrução uretral parcial, por presença de urólito ou doença prostática.

Maior ocorrência

  • Machos
  • Cães braquicefálicos
  • Buldogue Inglês, Yorkshire, e raramente pode ser observado em jovens gatos machos.
  • Animais jovens.

Achados de anamnese

  • Lambedura frequente do pênis.
  • Sangramento local.
  • Hematúria
  • Disúria

Manifestações clínicas

Presença de tecido eritematoso, edemaciado na extremidade peniana.

Afeta a total circunferência (360º) do óstio uretral e geralmente área prolapsada tem cerca de 3 a 4 mm. 

Procedimento diagnóstico

Sob sedação tentar reduzir o prolapso usando um cateter uretral, confirmando que se trata de prolapso de uretra.

Realização de citologia ou biópsia.

Ultrassom abdominal para avaliar próstata. 

Realizar urinálise e urocultura para avaliar presença de infeção urinária.

Avaliar hemograma, possível presença de anemia em casos apresentando sangramento crônico.

Realizar cateterização uretral para avaliar patência da uretra.

Diagnósticos diferenciais

  • TVT ou outras neoplasias (Mastocitoma, Carcinoma),
  • Parafimose,
  • Papilomatose viral.

Terapia inicial

A correção cirúrgica do prolapso uretral é o tratamento recomendado.

Existem algumas técnicas descritas:

  • Ressecção e anastomose cirúrgica ou a laser. 
  • Uretropexia

(Não é o intuito deste resumo descrever as técnicas cirúrgicas citadas)

A redução do prolapso e colocação de sutura em bolsa de fumo é descrita, mas não é recomendada pois apresenta grande incidência de recorrência.

Recomenda-se realizar orquiectomia concomitante à correção cirúrgica para evitar comportamento sexual e recorrência do prolapso.

Animais com várias recorrências podem ter recomendação de amputação peniana e uretrostomia escrotal. 

Terapia de suporte e manutenção

No pós cirúrgico recomenda-se a utilização de antibiótico tópico com ou sem corticosteróide.

Evitar excitação sexual (castrar e retirar brinquedos ou almofadas que os cães usem para se masturbar). 

Utilização de colar elisabetano até completa cicatrização e separação de outros animais em especial fêmeas durante proestro e estro.

Tratar quaisquer condições contribuintes concomitantes de forma adequada (por exemplo, terapia antimicrobiana para cistite, prostatite, uretrite etc).

A sedação também pode ser usada no pós-operatório para evitar excitação excessiva. Em um estudo, a recorrência de prolapso uretral foi menos comum em pacientes medicados durante o pós-operatório com acepromazina ou butorfanol.

Prognóstico

Hemorragia no pós operatório é comum e pode se estender por até 7 dias. 

Os pacientes devem ser monitorados quanto a sinais de recorrência. Em um estudo de longo prazo, 57% dos cães afetados apresentaram recidiva do prolapso uretral após a correção cirúrgica.

Um estudo retrospectivo determinou que hemorragia e recorrência do prolapso após correção cirúrgica pode ser minimizada utilizando padrão de sutura simples e contínua para a correção da anastomose uretral e também administrando sedativos ao cão no pós operatório. 

Segundo este estudo o fato do animal ser ou não castrado não demonstrou influência significativa n a ocorrência e resolução do prolapso uretral.

Literatura recomendada

Carr JG, Tobias KM, Smith L: Urethral prolapse in dogs: a retrospective study. Vet Surg 2014 Vol 43 (5) pp. 574-80.

Ghotoorlar SM, Abbasnia P, Zadeh MA, et al: Treatment of Urethral Prolapse i

2-Year-Old Male Mix-Terrier Dog. WVC 2008.

Reine NJ: Diseases of the Urethra. Handbook of Small Animal Practice, 5th ed. Elsevier Saunders 2008 pp. 553.

Seim HB: Surgery of the Male and Female Reproductive Tract. Atlantic Coast Veterinary Conference 2008.

Kirsch JA, Hauptman JG, Walshaw R: A Urethropexy Technique for Surgical Treatment of Urethral Prolapse. J Am Anim Hosp Assoc 2002 Vol 38 pp. 381-4.

Teixeira LG, de Ataide MW, Milech V, et al: Urethral prolapse corrected by microsurgery in a cat: a case report. J Vet Med Sci 2017 Vol 79 (12) pp. 2023-2025.

McDonald RK: Urethral prolapse in a Yorkshire terrier. Compend Contin Educ Vet 1989 Vol 11 (6) pp. 682-683.

Ragni RA: Urethral prolapse in three male Yorkshire terriers. J Small Anim Pract 2007 Vol 48 (3) pp. 180.

Tobias, K. M., Manual of Small Animal Soft Tissue Surgery, Wiley-Blackwell, 2010. pp. 323-328.

 

Você tem alguma observação sobre este conteúdo?

Por favor nos notifique mandando um e-mail para [email protected] caso você note qualquer erro ou omissão neste conteúdo.

Anexos referente a esta consulta rápida

Nenhum anexo disponível

O conteúdo deste site é para uso exclusivo e restrito dos associados. Apenas Médicos Veterinários graduados e estudantes de Medicina Veterinária são autorizados a acessar este site.

Não está permitida a divulgação de qualquer conteúdo sem a prévia autorização do Vetsapiens, por escrito. Os Médicos Veterinários são os únicos responsáveis pelo tratamento e cuidado de seus pacientes.

Quaisquer recomendações de colegas ou especialistas recebidas através deste site são meras opiniões individuais, e cada clínico é o exclusivo responsável pelo manejo de seus pacientes. Os fármacos e doses recomendadas ou calculadas no Vetsapiens devem ser sempre conferidos antes de sua aplicação.

Veterinários não devem utilizar medicações e ou protocolos com os quais não estejam familiarizados e confortáveis. O Vetsapiens preconiza que o encaminhamento para especialistas seja sempre a primeira recomendação dos clínicos gerais ao se depararem com casos clínicos além do seu conhecimento.

As imagens e informações trocadas neste site não substituem o exame físico do paciente, e a relação exclusiva entre veterinário-paciente-cliente. As imagens aqui postadas não podem ser consideradas de qualidade diagnóstica.

Toda e qualquer informação obtida neste site deve ser considerada apenas como uma sugestão individual e não tem qualquer valor diagnóstico.

Desenvolvido por logo-crowd