Piodermite

Dra. Rita Carmona

Ultima atualização: 28 JUN DE 2020

Sinônimo

Foliculite bacteriana

Nome em inglês

Pyoderma

 

Definição

Enfermidade bacteriana da pele de cães e gatos que gera flogose (inflamação).

 

Etiologia e Fisiopatologia

Na grande magnitude dos casos é causada pelo Staphylococcus pseudointermedius, cerca de 90% dos casos em infecções superficiais e 60% nas profundas, mas também podem ser associadas, em menor prevalência, ao Staphylococcus aureus (nesse caso por contato com humanos ou indivíduos de áreas rurais), Staphylococcus schleiferi sub schleiferi e Staphylococcus schleiferi sub coagulans e Staphylococcus hyicus. Nas infecções profundas e nos quadros imunossupressores, podemos ter a ocorrência de Pseudomonas spp, Proteus spp e ainda, mais raramente, do complexo Burkholderia cepacea.

São vários as condições que vão determinar o crescimento dos agentes infecciosos, dentre eles alterações de: barreira biológica, barreira física (epiderme), barreira química (peptídeos antimicrobianos) e barreira imunológica. Na maioria dos casos, as piodermites serão secundárias à outras enfermidades destacando-se: as alergopatias (dermatite alérgica à picada de pulgas, alergia alimentar e dermatite atópica), enfermidades parasitárias (escabiose e demodiciose), endocrinopatias (hiperadrenocorticismo e hipotireoidismo), enfermidades disqueratinizantes e seborréicas, erros de manejo, terapia imunossupressora e síndromes imunossupressoras, vistas em algumas raças.

Pode ser classificada, de acordo com o grau de acometimento da pele em: piodermite superficial, quando atinge a epiderme e piodermite profunda quando atinge também a derme e hipoderme. 

As piodermites superficiais englobam: piodermite pio-traumática, impetigo, piodermite mucocutânea, foliculite bacteriana e piodermite esfoliativa. 

As piodermites profundas: foliculite furunculose celulite, piodermite nasal, piodermite mentoniana, piodermite de calos e piodermite interdigital.

Prevalência

Ainda é considerada umas das principais enfermidades dermatológicas. É mais ocorrente em cães, contudo os gatos também podem ser acometidos.

Achados de Anamnese e Manifestação clínica

A faixa etária de maior acometimento depende da causa de base

Nas piodermites superficiais observam-se lesões cutâneas caracterizadas por: pápulas, pústulas, lesões em colarinho epiderme, crostas melicéricas e eritema

O prurido está presente na maior parte dos casos, oriundo da causa de base ou de fatores inerentes às bactérias como geração de inflamação cutânea e pela ação de toxinas bacterinas que levam a quadros de hipersensibilidade.

Nas piodermites profundas o quadro dermatológico é caracterizado por: eritema, edema, nódulos, vesículas com conteúdo hemorrágico ou pio-sanguinolento, crostas hemáticas  e presença de fístulas. A dor pode ser observada.

Procedimento Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se nos achados clínicos e dermatológicos. A realização de exame citobacterioscópico com coloração panóptico ou tipo Gram, evidenciando-se presença de bactérias (cocos e/ou bacilos) muitas vezes fagocitadas por neutrófilos e macrófagos podem auxiliar o diagnóstico.

A realização de cultura e antibiograma deve ser realizada, não como forma de diagnóstico, mas quando da suspeita de ocorrência de resistência bacteriana para direcionamento terapêutico.

Também a investigação da causa de base será importante, especialmente para controle de possíveis recidivas.

Diagnósticos diferenciais

Dermatofitose, demodiciose, micobacteriose e piogranuloma estéril

Tratamento

Na maior parte dos quadros de piodermite superficial deve-se optar pela terapia tópica antisséptica ou antibiótica. 

Os antissépticos mais utilizados no tratamento das piodermites são: igarsan ou triclosan (0,5 a 2%), a clorexidine (0,5 a 4%), o peróxido de benzoíla (1 a 5%) e o ácido hipocloroso (1 a 2%), o óleo de Lemon grass (1 e 1,5% e o Aloe Vera (4 a 6%). Todos podem ser utilizados na forma de xampu, spray, mousse, gel e creme. 

Como opções de antibióticos tópicos: bacitracina (250 a 500UI), ciprofloxacina (0,35%), clindamicina (2 a 3%) e gentamicina (0,3%). Ainda, tão somente naqueles casos de conhecida resistência bacteriana, preconiza-se o uso de: mupirocina (2%) ou ácido fusídico (1%).

Quando da necessidade de uso de antibióticos sistêmicos, como nas piodermites profundas ou piodermites superficiais disseminadas quando da impossibilidade de monoterapia tópica, os antibióticos sistêmicos que devem ser utilizados, segundo a ordem, são:

1ª escolha: cefalosporinas (cefalexina, cefadroxila ou cefovecina), amoxacilina com clavulanato de potássio, clindamicina ou lincomicina e sulfa potencializadas

2ª escolha: tetraciclinas (doxiciclina), quinolonas (enrofloxacina, marbofloxacina ou pradofloxacina)

3ª escolha: cloranfenicol, rifampicina e gentamicina

Não estão recomendados para tratamento de piodermites: a vancomicina, linezolida e cabapenêmicos pois são antibióticos de uso restrito em UTI.

Ressalta-se a necessidade de realização de cultura e antibiograma quando da suspeita de resistência bacteriana. 

O tempo médio de terapia para as piodermites superficiais é de 21 dias e nas piodermites profundas de 45 dias. Ainda, salientamos, que as doses preconizadas são aquelas maiores e respeitando-se a frequência de administração, para que haja menor possibilidade de ocorrência de resistência bacteriana.  

Prognóstico

Bom

Literatura recomendada

LARSSON & LUCAS. Tratado de Medicina Externa: Dermatologia Veterinária, 2ª edição, Ed Interbook, 2019

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