Parasitas Cardiopulmonares

Dra Caroline B. Lima

Ultima atualização: 17 MAR DE 2020

Nomenclatura

Verminose pulmonar, helmintose pulmonar, verminose cardiorrespiratória, Dirofilariose, elurostrongilose, angiostrongilíase.

Nome em Inglês

Heartworm disease, angiostrongyliasis, elurostrongylose.

Definição

Infecção causada por nematódeos que parasitam o sistema cardiorrespiratório de cães e gatos.

Fisiopatologia

Os animais podem desenvolver uma série de alterações devido a ação mecânica no parênquima ou nos vasos pulmonares e também por causar ativação do sistema imune levando a inflamações locais.

Etiologia

As parasitoses cardiopulmonares em cães e gatos podem ser causadas por alguns helmintos:

    • Aelurostrongylus abstrusus – parênquima pulmonar gatos: tem distribuição cosmopolita e é pouco diagnosticado. As infecções, em geral são assintomáticas, porém, em alguns casos podem provocar pneumonia, efusão pleural, piotórax e morte se não houver tratamento adequado. Os gatos se infectam ao ingerirem os moluscos contendo as larvas infectantes ou ingerindo hospedeiros paratênicos.
    • Angiostrongylus vasorum – vasos pulmonares de cães: tem distribuição cosmopolita (pouco visto no Brasil, é mais comum em locais de clima frio). Precisa de caramujos para completar seu desenvolvimento. Os parasitas adultos provocam irritação no endotélio arterial, gerando problemas circulatórios (tromboembolismo pulmonar). Os ovos, larvas e adultos levam a um quadro de inflamação pulmonar e pneumonia.

 

  • Dirofilaria immitis – ventrículo direito e vasos pulmonares de cães e gatos (gatos são mais resistentes a infecção): tem distribuição cosmopolita, porém, é mais comum em áreas litorâneas. Causa zoonose no homem (dirofilariose pulmonar). Sua transmissão se dá através da picada de mosquitos culicídeos dos gêneros Culex, Anopheles e Aedes.
  • Larvas de Toxocara canis, T. cati, Ancylostoma caninum, A. brasiliense, Nematoda –  migrantes nos vasos pulmonares e parênquima pulmonar  de cães e gatos. Tem distribuição cosmopolita e causam irritação do sistema cardiorrespiratório durante seu ciclo de vida, na qual os parasitas migram por este sistema antes de chegar ao trato gastrointestinal.

 

 

Maior ocorrência

Ocorre em animais que ficam em climas frios e em aglomerações. No caso da dirofilariose, é mais comum em pacientes que frequentam áreas litorâneas.

Achados de anamnese

Tutores referem tosse, descargas nasais, cansaço fácil, viagens para áreas litorâneas e que não fazem ou fizeram prevenção para essas doenças (repelentes de mosquitos e uso de vermífugos). 

Manifestações clínicas

Alguns casos podem passar despercebido e assintomáticos, mas podem ocorrer dispneia, taquipneia, arritmias, taquicardia, tosse seca persistente, mucosas pálidas – anemia, perda de peso, pneumonia, efusão pleural, piotorax, processos tromboembólicos pulmonares, lesões cutâneas, insuficiência cardíaca congestiva e diáteses hemorrágicas.

Procedimentos diagnósticos

Além dos dados de anamnese e exame físico, podem ser realizados testes antigênicos, pesquisa por anticorpos específicos pelo ELISA e microfilárias circulantes por exame direto de sangue fresco ou pelas técnicas de Filtração e/ou Modificada de Knott. 

Exame ecodopplercardiográfico, exames radiográficos e eletrocardiográfico não são específicos, mas podem ser muito úteis no tratamento e acompanhamento geral do animal. 

Exame das fezes através da técnica de Baermann, pelo encontro de larvas de primeiro estádio (L1) ou do exame de lavados traqueobroncoalveolares.

Diagnósticos diferenciais

Outras verminoses, pneumonia bacteriana ou viral, bronquite, displasias de valvas cardíacas, complexo respiratório felino e asma felina. 

Terapia inicial

Elurostrongilose: 

*Ivermectina – 0,4 mg/kg SC dose única

*Fenbendazol 50 mg/kg PO, uma vez ao dia, durante três dias

Restringir os gatos à vida domiciliar, alimentando-os exclusivamente com ração, evitando a atividade de predação necessária para adquirir a infecção.

 

Angiostrongilíase:

*Levamisol 10 mg/kg PO, uma vez ao dia, durante 2 dias.

Restringir os cães à vida domiciliar, alimentando-os exclusivamente com ração, evitando a atividade de predação necessária para adquirir a infecção.

 

Dirofilariose:

*Tratamento adulticída: tiacetarsamida sódica (2,2 mg/kg IV duas vezes ao dia, por dois dias), melasarmida sódica (2,5 mg/kg em duas aplicações com intervalo de 24 horas e em animais muito graves 2,5 mg/kg em dose única e após 30 dias 2,5 mg/kg em duas aplicações com intervalo de 24 horas).

*Tratamento microfilaricída: ivermectina (0,006 a 0,012 mg/kg) em duas doses com intervalo de 2 semanas que promove eliminação gradual das microfilárias ou ivermectina (0,05 mg/kg) em dose única que vai levar a rápida eliminação das microfilárias ou a milbemicina oxima (0,5 a 1 mg/kg dose única).

*Bactérias Wolbachia: Estas bactérias tem relação de simbiose com a Dirofilária, por isso, é preciso associar Doxiciclina 10mg/kg com intervalo de 24 horas durante 30 dias.

Terapia de suporte e manutenção

Para a prevenção da dirofilariose pode-se utilizar ivermectina (0,006 mg/kg mensalmente), milbemicina oxima (0,5 mg/kg mensalmente), selamectina (6 mg/kg tópico, mensalmente), moxidectin (0,003 mg/kg oral, mensalmente ou na apresentação injetável com microesferas 0,17 mg/kg SC cada seis meses, em cães acima de seis meses.

Além disso, é ideal realizar o combate aos hospedeiros intermediários nos ambientes e/ou nos cães, por borrifação ou através de colares inseticidas e, em animais de áreas indenes, o tratamento preventivo quando de viagens temporárias para áreas enzoóticas.

Controlar alterações graves como pneumonia, derrames pleurais, edema pulmonar com tratamento de suporte (fluidoterapia, drenagem da efusão, antibioticoterapia, diuréticos).

Prognóstico

Reservado, depende da carga parasitária e de quanto o sistema cardiorrespiratório foi afetado (ex. edema pulmonar, piotórax, pneumonia).

Literatura recomendada

JERICÓ, Márcia Marques; ANDRADE NETO, João Pedro de; KOGIKA, Márcia Mery. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2015.

MORAILLON, R., et al. Manual Elsevier de veterinária: Diagnóstico e tratamento de cães, gatos e animais exóticos. Dagli C, Guerra JM, Fernandes NCCA, Oloris SCS, Hernandes TD. Aves doenças infecciosas. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elservier, 2013.

RIBEIRO, Vitor Márcio. Controle de helmintos de cães e gatos. Rev Bras Parasitol Vet, 2004, 13.Suppl 1: 88-95.

Fotos retiradas de JERICÓ, Márcia Marques; ANDRADE NETO, João Pedro de; KOGIKA, Márcia Mery. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2015.

 

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