Pancreatite Aguda

Dr Fernando Maschio

Ultima atualização: 17 MAR DE 2020

Nomenclatura (sinônimos)

Pancreatite

Nome em inglês

Canine and Feline Pancreatitis

Definição

Consiste em um processo inflamatório agudo do pâncreas com envolvimento variável dos órgãos e tecidos peripancreáticos.

Fisiopatologia

O estágio inicial da pancreatite aguda é caracterizado pela ativação prematura do tripsinogênio em tripsina, o que pode promover a autodigestão do tecido pancreático.

A gravidade do quadro depende da extensão da lesão e da liberação de mediadores inflamatórios, podendo, juntamente com outros mediadores químicos, levar a uma falência múltipla de órgãos e eventualmente uma coagulação intravascular disseminada. 

 

Etiologia

Os fatores envolvidos nos processos de ativação de enzimas intrapancreáticas não são totalmente conhecidos.

Alterações de cálcio intracelular parece ser o mecanismo mais importante na ativação de tripsinogênio em tripsina.

Alguns fatores como hiperlipidemia, medicações e endocrinopatias podem predispor à pancreatite, porém a maioria dos casos é idiopática.

Maior ocorrência

Raças e idade:  ocorre geralmente em animais de meia idade a idosos sendo predispostos cães das raças Yorkshire Terrier, Schnauzer miniatura e Cocker Spaniel. 

 

Achados de anamnese

Normalmente os tutores relatam apatia, anorexia e presença de vômitos.

A dor abdominal é frequente sendo que alguns paciente podem adotar a “posição de prece”.

Pode haver histórico de ingestão prolongada de medicamentos ou dieta rica em gorduras.

Manifestações clínicas

A pancreatite aguda é um quadro típico de abdome agudo pois promove vômito e dor abdominal.

Outros achados comuns são a desidratação, anorexia e apatia.

Dor em região epigástrica é normalmente evidenciada.

Procedimentos diagnósticos

Na rotina o diagnóstico é baseado no histórico, achados de anamnese, achados laboratoriais e de imagem, principalmente o ultrassom. 

Diagnósticos diferencias

  • Gastrite e ulcera gástrica
  • Cetoacidose diabética
  • Obstrução intestinal

Terapia inicial

Ainda não há pesquisas ou trabalhos científicos que demonstrem um tratamento mais eficaz. O tratamento tem inicio com reposição volêmica agressiva, objetivando melhorar a pressão arterial e perfusão. Analgésicos, antieméticos e protetores gástricos são amplamente utilizados. A alimentação parenteral ou enteral pode promover um menor índice de mortalidade internação, ao contrário do que é amplamente difundido, onde o jejum é instaurado até o desaparecimento dos sinais clínicos, promovendo um “repouso glandular”.

A alimentação enteral pode aumentar a atividade antioxidante e reduzir a resposta da fase aguda e também a magnitude da resposta inflamatória.

A antibiótico terapia profilática ainda tem sua eficácia discutida, quando a inflamação é restrita ao pâncreas.

Terapia de manutenção

Dietas adequadas, com alimentos de baixo teor de gordura podem ser instauradas após o tratamento medicamentoso

Prognóstico

O prognóstico da pancreatite aguda é mau, tendo mortalidade variando de 20% a 30%

 

Literatura recomendada

JERICÓ, M.M. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2 v. 1ed. São Paulo: Roca, 2015 pag. 1047-1052, 2015

MANSFIELD CS, JONES BR: Review of feline pancreatitis, part one: The normalfeline pancreas, the pathophysiology, classification, prevalence and aetiologiesof pancreatitis. J Feline Med Surg 3:117–124, 2001.

RUAUX CG: Pathophysiology of organ failure in severe acute pancreatitis indogs. Compend Contin Educ Pract Vet 22:531–542, 2000.

RUAUX CG, ATWELL RB: A severity score for spontaneous canine acute pancre-atitis. Aust Vet J 76:804–808, 1998.

WHITCOMB DC: Mechanisms of disease: Advances in understanding themechanisms leading to chronic pancreatitis. Nat Clin Pract Gastroenterol Hepatology 1:46–52, 2 004

WEISS DJ, GAGNE JM, ARMSTRONG PJ: Relationship between inflammatoryhepatic disease and inflammatory bowel disease, pancreatitis, and nephritis incats. JAVMA 209:1114–1116, 1996.

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