Mucocele biliar

Dra. Marcela Valle Caetano Albino

Ultima atualização: 04 MAIO DE 2020

Nome em inglês

Gallbladder mucocele

Definição

 

Mucocele biliar é o acúmulo anormal de bile espessa ou semi-sólida e/ou muco dentro da vesícula biliar.

Fisiopatologia

A exata patogênese da mucocele biliar ainda é desconhecida, mas os achados histopatológicos demonstram uma disfunção e proliferação das glândulas secretoras de muco na parede da vesícula biliar. O muco secretado causa distensão, obstrução e, em alguns casos, ruptura da vesícula biliar. Ainda não se sabe se essa hiperplasia cística é a causa primária para a formação da mucocele ou secundária a uma disfunção ou alteração de motilidade da vesícula biliar. 

Já foi sugerido que a estase biliar e o aumento na concentração de sais biliares no lúmen da vesícula biliar estimulam a formação da mucocele. Alterações na concentração de fosfolípides também parecem ser um fator precipitante.    

Etiologia

A etiologia da mucocele ainda não é completamente entendida, mas acredita-se que seja complexa e multifatorial.

Algumas endocrinopatias, como hiperadrenocorticismo e hipotireoidismo, parecem predispor ao desenvolvimento da mucocele, assim como as dislipidemias.

A colestase, por aumentar o tempo de contato e permitir que a bile fique mais concentrada, também é um fator de risco para mucocele. No entanto, a presença lama biliar ainda não foi relacionada a uma evolução para mucocele.

Maior ocorrência

Animais idosos, de raças de pequeno a médio porte parecem ser predispostos, em especial Pastores de Shetland, Cokers e Schnauzers Miniatura. Não há predileção entre machos e fêmeas.

Manifestações clínicas

As manifestações clinicas são inespecíficas e incluem prostração, êmese, anorexia, dor abdominal e icterícia. 

Procedimentos diagnósticos

A aparência da mucocele biliar ao ultrassom é bem definida e diagnóstica.  A mucocele clássica é caracterizada por um padrão radial de estriações finas, semelhante a um kiwi.

Outros achados ultrassonográficos comuns são espessamento da parede da vesícula biliar, líquido livre e reação ecogênica próximo à vesícula biliar.  

O hemograma pode apresentar leucocitose, com desvio à esquerda ou não. A bioquímica sérica pode apresentar aumento da atividade das enzimas hepáticas, hiperbilirrubinemia e hipercolesterolemia. 

Terapia

O tratamento de escolha nos casos de mucocele biliar é intervenção cirúrgica. A colecistectomia é o procedimento indicado, mas a patência do ducto biliar comum precisa ser confirmada previamente. É indicado a análise histopatológica da vesícula biliar e o envio de material para cultura bacteriana. A biópsia hepática, com exame histopatológico e dosagem de cobre, também sempre deve ser realizada.  

Colecistotomia não é recomendada, já que pode resultar em ruptura da vesícula biliar no pós-operatório. 

Ainda existem poucos estudos sobre o tratamento medicamentoso nos casos de mucocele biliar e, por isso, não deve ser recomendado como primeira opção terapêutica. Nos pacientes assintomáticos, a terapia medicamentosa pode ser considerada, mas os tutores devem estar cientes que o quadro pode evoluir para uma emergência, caso a doença progrida para obstrução biliar ou ruptura da vesícula biliar. A base do manejo medicamentoso é o uso de coleréticos e hepatoprotetores, como ácido ursodeoxicólico e S-adenosilmetionina. Uma dieta com baixo teor de gordura é indicada, principalmente nos pacientes com dislipidemia. Endocrinopatias associadas devem ser tratadas. O acompanhamento clínico e por exame ultrassonográfico e de sangue deve ser regular, com reavaliações a cada 2 a 4 semanas.  

Prognóstico

A sobrevida dos pacientes após a intervenção cirúrgica é de cerca de 66%, com os piores resultados naqueles pacientes em que a colecistoenterostomia é necessária. A mortalidade ocorre principalmente nas duas primeiras semanas pós cirurgia e, após esse período, o prognóstico é excelente. As principais complicações são peritonite biliar, sepse, coagulação vascular disseminada e deiscência. Animais com pancreatite associada tem pior prognóstico.

Literatura recomendada

 

Amsellem P.M., Seim III H.B., MacPhail C.M., Bright R.M., Twedt D.C., Wrigley R.H. Long-term survival and risk factors associated with biliary surgery in dogs: 34 cases (1994–2004). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 229, p. 1451–1457, 2006.

Smalle, T. M., Cahalane, A. K., Loster, L. S. Gallbladder mucocele: A review. Journal of the South African Veterinary Association, v. 1, p. 86, 2015.

Norwich, A. Gallbladder mucocele in a 12-year-old Cocker spaniel. The Canadian Veterinary Journal, v. 52, p. 319-321, 2011.

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