Miíase

Dra Caroline B. Lima

Ultima atualização: 17 MAR DE 2020

Nomenclatura

Miíase, berne, bicheira, dermatobiose, tapuru.

Nome em Inglês

Myiasis, Maggot infestation, bot fly.

Definição

Miíase é a infestação de tecidos ou cavidades abertas de animais vivos por larvas de dípteros (Cochliomyia hominivorax ou Dermatobia hominis) que se alimentam de tecido vivo ou morto e/ou substâncias corporais líquidas.

Fisiopatogenia

A fase larval das moscas Cochliomyia hominivorax levam a miíase conhecida como bicheira (lesões em áreas grandes e de mau cheiro).

Os animais ficam agitados, param de se alimentar e emagrecem.

As lesões geralmente são muito contaminadas e a morte dos animais pode ocorrer por toxemia, hemorragia ou infecções bacterianas.

Já a larva da mosca Dermatobia hominis causa outro tipo de miíase, que é de forma cutânea nodular e furunculosa, é conhecida como “berne” ou dermatobiose.

Neste segundo tipo de miíase, a presença das larvas causa dor, processo inflamatório local e pus, os animais ficam irritados e devido ao ato de coçar pode ocorrer a ulceração dos nódulos e a invasões bacterianas e abscessos. 

Etiologia

No Brasil os dípteros causadores mais comuns de miíase são das espécies Cochliomyia hominivorax (causadora da “bicheira”) ou Dermatobia hominis (causadora do “berne”). As miíases podem ser classificadas da seguinte forma:

- Dermal ou subdermal (traumática, furuncular)

- Cavitária (cavidade nasal, seios paranasais, conduto auditivo)

- Intestinal ou urogenital (trato gastrointestinal ou urogenital)

- Sanguinívora (larvas que se alimentam de sangue)

 

Maior ocorrência

Apresenta maior ocorrência em locais de clima quente, úmido (estações chuvosas), com vegetação abundante e onde há presença de matéria orgânica (atração de moscas).

Geralmente animais de pelagem escura são mais acometidos.

Achados de anamnese

Os proprietários irão referir irritação e prurido nos animais, presença de odor desagradável, feridas abertas ou nodulações na pele. 

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas mais comuns são incômodo e dor, apatia e anorexia, lesões com aspecto úmido e odor fétido, lesões nodulares, presença de larvas nas lesões.

Em virtude da localização das larvas, outras manifestações podem ocorrer, como cegueira, “head tilt” e claudicação.

Procedimentos diagnósticos

O diagnóstico é presuntivo e depende muito do exame físico do animal (busca por larvas nos tecidos).

Terapia inicial

Limpeza do local, tricotomia (se necessária), debridamento dos tecidos necrosados, remoção das larvas, terapia antimicrobiana local e/ou sistêmica e tratamento local com repelentes e larvicidas (sprays com piretróides, organofosforados e carbamatos como repelentes, somente em cães).

Nitenpyram 1 -2 mg/kg via oral (cães a cada 24 h e gatos a cada 48h)

Ivermectina 0,2-0,4mg/kg via oral ou subcutânea

Sarolaner 2 – 4 mg/kg (somente em cães) – uso mensal

Spinosad 31–62 mg/kg + Milbemicina oxima 0.5– 1.0 mg/kg (somente cães) – uso mensal.

Terapia de suporte e manutenção

Remoção ativa das larvas, limpeza da ferida, antibioticoterapia e terapia de suporte (analgésicos, antiinflamatórios, fluidoterapia).

A prevenção pode ser realizada através do uso de inseticidas no ambiente e nos animais e manter ferimentos e lesões dos animais fechadas e bem manejadas para evitar a oviposição pela Cochliomyia hominivorax (evitar locais atraentes nos animais).

Prognóstico

Bom se o paciente não estiver demasiadamente debilitado ou com infecções maciças.

Literatura recomendada

CORREIA, Thaís R., et al. Larvicidal efficacy of nitenpyram on the treatment of myiasis caused by Cochliomyia hominivorax (Diptera: Calliphoridae) in dogs. Veterinary parasitology, 173.1-2: 169-172, 2010.

DA SILVA MACHADO, Mauro Luís; RODRIGUES, Eglete Maria Pacheco. Emprego do nitenpyram como larvicida em miíases caninas por Cochliomyia hominivorax. Acta Scientiae Veterinariae, 30.1: 59-62, 2002.

RIBEIRO, Bianca Chiganer Cramer, et al. Inquérito sobre os casos de miíases por C. hominivorax e D. hominis em cães e gatos atendidos no Centro do Município do Rio de Janeiro no ano 2000. JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 11: 145-148, 2001.

Han, H. S., Sharma, R., Jeffery, J., & Noli, C. (2017). Chrysomya bezziana (Diptera: Calliphoridae) infestation: case report of three dogs in Malaysia treated with spinosad/milbemycin. Veterinary dermatology, 28(2), 239-e62, 2017.

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