Micoplasmose Hemotrópica Canina

Dra Cristiene Rosa

Ultima atualização: 17 MAR DE 2020

Nomenclatura

Reino: Monera

Divisão: Firmicutes 

Classe: Mollicutes

Ordem: Mycoplasmatales 

Família: Mycoplasmataceae

Gênero: Mycoplasma

Espécie: Mycoplasma haemocanis (principal); ‘Candidatus Mycoplasma haematoparvum”

Nome em inglês

Canine Hemotropic Mycoplasmosis

Definição

Micoplasmose hemotrópica de cães é uma doença infecciosa, capaz de resultar em anemia hemolítica, agravada em animais com infecções concomitantes.

A doença é considerada uma zoonose.

Fisiopatologia

A infecção ocorre durante o repasto sanguíneo de vetores, transfusões sanguíneas, contaminação por fômites ou de forma transplacentária. 

As infecções por M. haemocanis podem gerar bacteremias com intensidades diferentes de acordo com o estado geral do cão, devido ao estresse, imunodepressão e infecções concomitantes.

Cães esplenectomizados apresentam períodos de incubação mais curto.

Em infecção experimental, os animais apresentaram parasitemia cíclica, com intervalos de uma semana.

Animais cronicamente infectados podem se manter por longos períodos assintomáticos.

Etiologia

Assim como descrito na hemobartonelose felina, os micoplasmas são bactérias sem parede celular, gram negativas, de difícil isolamento em meios de cultura, estritamente dependentes de seus hospedeiros.

O grupo de micoplasmas hemotrópicos podem ter o formato de bastonete, esfera ou anular, são encontrados individualmente ou em cadeias fixados à superfície de eritrócitos.

A espécie Haemobartonella canis foi reclassificado, após estudos moleculares, como Mycoplasma haemocanis.

A diferença morfológica entre as espécies de M. haemocanis para a espécie que infecta felinos é a disposição em cadeia na superfície das hemácias de cães.

Maior ocorrência

O agente é encontrado em quase todos o território nacional, com baixa ocorrência, a despeito da distribuição de seu vetor, o carrapato Rhipicephalus sanguineus.

Em diferentes países é descrita a maior predisposição para cães jovens de abrigo e animais que tem acesso livre a rua.

A imunossupressão e a ocorrência de outras doenças concomitantes foram identificadas como fatores importantes que favorecem a infecção por esses agentes.

Achados de anamnese

Animais jovens provenientes de abrigos e com infecções concomitantes.

Manifestações clínicas

A maioria dos cães apresentam infecção crônica assintomática.

A apresentação de sinais clínicos está relacionada à imunossupressão (medicamentosa ou por retroviroses), desnutrição, prenhez, lactação e co-infecções.

A manifestações comumente encontradas são letargia, fraqueza, depressão, colapso, palidez, taquicardia, dispneia/ taquipneia, sopro cardíaco, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia, desidratação, febre, perda de peso, icterícia, devido à anemia e/ou do processo imunomediado, que pode ser fatal em casos graves.

Procedimentos diagnósticos

Hemograma:

Na maioria dos casos anemia regenerativa, macrocítica e normo ou hipocrômica, com aumento absoluto de reticulócitos e presença de corpúsculos de Howell-Jolly.

Monocitose, monócitos ativados e eritrofagocitose são encontrados com frequência.

Na fase aguda da doença observa-se autoaglutinação em amostras resfriadas.

Bioquímico:

Hiperproteinemia, hiperglobulinemia, hiperbilirrubinemia, aumento discreto de ureia e creatinina, devido à desidratação.

Anticorpos específicos:

Kits diagnósticos não estão disponíveis, devido a dificuldade de produção de antígenos.

Biologia molecular:

A técnica de PCR pode ser utilizada para diagnóstico na fase aguda da doença, avaliação de doadores de sangue e para monitorar o tratamento.

Deve-se realizar colheita de sangue antes do início da terapia antimicrobiana e a cada semana até que os resultados sejam negativos. Falsos positivos podem ocorrer em infecções crônicas, devido ao baixo número de bactérias circulantes. 

Diagnósticos diferenciais

Erliquiose, hepatozoonose, rangeliose, anaplasmose.

Terapia inicial

Doxiciclina (10mg/kg/via oral, a cada 24 horas, por 14 a 21 dias, podendo se estender a 8 semanas)

Enrofloxacina (5 a 10 mg/kg/ via oral, a cada 24 horas, por 3 a 4 semanas)

Marbofloxacina (2 a 2,75 mg/kg/ via oral, a cada 24 horas, por 2 a 4 semanas)

Terapia de suporte e manutenção

Fluidoterapia.

Transfusão: avaliar em casos de hematócrito <14%, sendo fortemente indicada quando <10%.

Não é recomendado o uso de corticosteroides.

Prognóstico

O prognóstico depende do estado imunológico do animal, espécie envolvida na infecção e coinfecções, sendo favorável em infecções por este hemoplasma.

Literatura recomendada

GREENE, C.E. Doenças Infecciosas de Cães e Gatos. 4ª ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2015. 1354p.

RANI, N.; TOMAR, P.; KAPOOR, P.K.; SINGH, Y. A Review on Emerging Zoonotic Mycoplasma. Int. J. Pure App. Biosci., v. 6, n. 5, p. 784-790. 2018 DOI: http://dx.doi.org/10.18782/2320-7051.7028

SOARES, R.L.; ECHEVERRIA, J.T.; PAZZUTI, G.; CLEVELAND, H.P.K.; BABO-TERRA, V.J.; FRIOZI, E.; RAMOS, C.A.N. Occurrence of Mycoplasma haemocanis in dogs infested by ticks in Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil. Rev. Bras. Parasitol. Vet., v.25, n.3, p. 359-363. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S1984-29612016043

VALLE, S.F. Prevalência, fatores de risco e alterações laboratoriais na infecção pelos hemoplasmas canino e felino em cães no hospital veterinário da universidade de passo fundo. 93. f. Tese (Doutorado). Ciências Veterinárias na área de Morfologia, Cirurgia e Patologia Animal. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

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