Megaesôfago

Dr Fernando Maschio

Ultima atualização: 15 JAN DE 2021

Nomenclatura (sinônimos)

  • Divertículo esofágico
  • Dilatação esofágica
  • Saculação esofágica

Nome em inglês

  • Idiopathic megaesophagus 
  • Canine esophageal dilation 
  • Canine megaesophagus

Definição

Megaesôfago consiste em uma dilatação do esôfago, produzida por uma desordem neuromuscular, onde ocorre perda parcial ou total do peristaltismo do órgão, sendo classificado em: idiopático, congênito e adquirido.

Fisiopatogenia

Megaesôfago caracteriza-se pela ausência ou pela diminuição acentuada dos plexos nervosos intramurais do esôfago, determinando distúrbio motor esofágico à deglutição.

Quando esta destruição celular atinge níveis de 50% a 95%, ocorre uma progressiva desorganização de toda a atividade motora e dilatação do órgão.

A motilidade esofágica fica reduzida ou ausente, resultando no acúmulo ou na retenção de alimento e de líquido no esôfago.

Esta dilatação do esôfago resulta em uma severa desordem na motilidade, tornando o órgão dilatado e flácido e o peristaltismo ineficiente.

Etiologia

Os mecanismos provavelmente são os mesmos para o megaesôfago congênito ou adquirido idiopático, advindo de um defeito nos nervos aferentes.

Quando ao megaesôfago adquirido, este pode ser secundário a outras doenças, principalmente aquelas que promovem alterações neuromusculares como hipoadrenocorticismo e miastenia gravis).

Maior ocorrência (raça. idade, gênero, localização geográfica)

Espécie: Caninos, raramente em felinos

Raças e idade:  Quando se apresenta de forma congênita torna-se mais comum em animais com menos de 1 ano.

Cães da raça Fox Terrier, Schnauzer, Pastor Alemão, Dog Alemão, Golden Retriever e Setter Irlandês possuem uma predisposição.

Em gatos é relativamente rara, talvez graças à prevalência de fibras musculares lisas no esôfago felino, sendo a raça Siamesa a mais predisposta 

Achados de anamnese

Histórico de regurgitação de alimentos e água e perda de peso.

Devido a causas subjacentes os animais podem apresentar: fraqueza, paresia ou paralisia ataxia, mimica de vômitos e/ou apatia.

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos são caracterizados pela regurgitação de ingestas, perda de peso, deficiência do crescimento, hipersalivação e som de borbulhas na deglutição.

Outras alterações também podem ser observadas no megaesôfago, como tosse, corrimento nasal mucopurulento, dispneia e pneumonia por aspiração..

Secundário ao megaesôfago pode-se observar crepitações respiratórias, taquipneia, fraqueza muscular e atrofia muscular.

Procedimentos diagnósticos

O diagnóstico começa com um minucioso exame físico da cavidade oral, região cervical e ausculta do tórax.

Radiografia simples e contrastada e endoscopia são os métodos diagnósticos atualmente disponíveis na clínica veterinária, demonstrando uma dilatação esofágica com acúmulo de gás, ingesta e fluidos. 

Diagnósticos diferencias

  • Outras doenças que promove regurgitação
  • Doenças obstrutivas como corpo estranhos
  • Distúrbios do palato mole

 

Terapia inicial

O tratamento é conservador e visa evitar o agravamento da dilatação e a aspiração.

O animal é alimentado com alimentação pastosa, em uma plataforma elevada que requeira o animal em estação, com o apoio dos membros posteriores.

Desta maneira, o esôfago cervical e torácico permanece em posição vertical quando o alimento é ingerido, o que permite que a gravidade auxilie a passagem do alimento através do esôfago para o estômago.

Esta posição deve ser mantida por cinco a dez minutos após a alimentação.

Oferecer várias refeições por dia em pequenas quantidades também evita a retenção de alimento no esôfago.

A cirurgia pode ser necessária para corrigir anomalias que estejam ligadas ao megaesôfago como por exemplo anomalias do anel aórtico, contudo não existem técnicas cirúrgicas eficientes para a correção ou para devolução da motilidade ao esôfago.

Terapia de manutenção

Não existem medicações direcionadas exclusivamente ao megaesôfago, o tratamento de manutenção visa a correção das causas subjacentes.

Pode ser indicado o uso de sucralfato, bloqueadores de H2 (ranitidina ou cimetidina) ou omeprazol.

A utilização de procinéticos que estimulam o esvaziamento gástrico como a metoclopramida.

O uso de Sildenafil (Viagra) apresentou melhora nos sintomas e no aspecto radiográfico em cães apresentando megaesôfago idiopático congênito.

O uso de antibióticos se faz necessários quando o animal apresenta pneumonia secundária.

Prognóstico

Infelizmente cães e gatos com megaesôfago têm um prognóstico ruim, contudo, em muitos casos os animais podem ser tratados por meses ou anos com êxito.

Literatura recomendada

ANDRADE, S. F. Megaesôfago secundário à miastenia grave em uma cadela da raça Pastor Alemão. Semina: Ciências Agrárias, v. 28, n. 3, p. 477-482, 2007.

CELANO, R. M. G. et al. Avaliação nutricional pré-operatória dos pacientes com megaesôfago não-avançado. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 34, n. 3, p. 25-31, 2007.

HAGIWARA, M.K.et al. Enterite hemorrágica em cães associada à infecção por um parvovírus. Arq. Inst. Biol. v.47. 1980, p.47-49. 

LONGSHORE, R. C. Megaesôfago. In: TILLEY, L. P.; SMITH, F. W. K. Consulta Veterinária em 5 minutos: canina e felina. 3. ed. São Paulo: Manole, 2008. p. 950-951.

WASHABAU, R. J.; HOLT, D. E. Pathophysiology of gastrointestinal disease. In: SLATTER, D. Textbook of small animal surgery. 3rd ed. Philadelphia: Saunders, 2003. v. 1, p. 530-552.

 

WASHABAU, R. J. Doenças do esôfago. In: ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E. C. Tratado de medicina interna veterinária: doenças do cão e gato. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 1205-1214.

 

Educação ao cliente

O esôfago é um órgão que tem a função de conduzir o alimento da boca até o estômago. Este órgão possui peristaltismo (movimento) próprio.

O megaesôfago consiste na diminuição dos movimentos esofágicos e consequente dilatação, promovendo a acumulo de líquido e alimento, causando anormalidades como a regurgitação.

É uma condição mais comum e cães, contudo pode ocorrer também em felinos. Raças como labrador, Golden Retriever e Shar-pei são predispostas a desenvolver esta anomalia, que pode se desenvolver desde o nascimento, chamada por tanto de congênita ou também depois de adulto, chamado de megaesôfago adquirido.

Esta doença desenvolve-se quando a motilidade esofágica fica reduzida ou até mesmo ausente, promovendo a retenção do alimento e líquidos ingeridos. A causa desta hipomotilidade ainda é desconhecida, contudo, acredita-se que lesões nas inervações do esôfago podem promover a diminuição da motilidade.

Tutor, os animais com esta condição podem apresentar regurgitação, que diferente do vômito, os alimentos ingeridos quase sempre saem inteiros. Outros sinais que devemos ficar de olho são aqueles referentes aos problemas que podem ocorrer secundariamente ao megaesôfago como por exemplo a pneumonia aspirativa, que consiste na inalação do alimento ou liquido retido no esôfago. Esta pneumonia pode se apresentar com o animal tossindo, com dificuldade respiratória, ofegante e com corrimento nasal. 

Atenção aos detalhes é sempre importante, pois estes sinais irão auxiliar o médico veterinário a chegar a um diagnóstico. 

O diagnóstico é realizado pelo médico veterinário através do histórico e exames complementares como o raio-x.

O tratamento é paliativo aos sinais clínicos, visto que não existem medicações ou técnicas cirúrgica que diminuam a dilatação esofágica.

A utilização de medicações que facilitam o esvaziamento do estômago e o manejo alimentar podem ser associados para garantir uma menor retenção do alimento no esôfago. 

O manejo alimentar consiste em utilizar uma plataforma que possibilita que os recipientes de alimentação possam permanecer elevados durante a alimentação do animal, facilitando assim a passagem do alimento ao estômago.

Muitos animais conseguem viver muito bem com adaptações e alterações nos hábitos alimentares, o cuidado e a paciência do tutor é essencial para o sucesso do tratamento.

 

Anexos referente a esta consulta rápida

Nenhum anexo disponível

O conteúdo deste site é para uso exclusivo e restrito dos associados. Apenas Médicos Veterinários graduados e estudantes de Medicina Veterinária são autorizados a acessar este site.

Não está permitida a divulgação de qualquer conteúdo sem a prévia autorização do Vetsapiens, por escrito. Os Médicos Veterinários são os únicos responsáveis pelo tratamento e cuidado de seus pacientes.

Quaisquer recomendações de colegas ou especialistas recebidas através deste site são meras opiniões individuais, e cada clínico é o exclusivo responsável pelo manejo de seus pacientes. Os fármacos e doses recomendadas ou calculadas no Vetsapiens devem ser sempre conferidos antes de sua aplicação.

Veterinários não devem utilizar medicações e ou protocolos com os quais não estejam familiarizados e confortáveis. O Vetsapiens preconiza que o encaminhamento para especialistas seja sempre a primeira recomendação dos clínicos gerais ao se depararem com casos clínicos além do seu conhecimento.

As imagens e informações trocadas neste site não substituem o exame físico do paciente, e a relação exclusiva entre veterinário-paciente-cliente. As imagens aqui postadas não podem ser consideradas de qualidade diagnóstica.

Toda e qualquer informação obtida neste site deve ser considerada apenas como uma sugestão individual e não tem qualquer valor diagnóstico.

Desenvolvido por logo-crowd