Leptospirose

Dra Carolina Santaniello Alfaro

Ultima atualização: 08 FEV DE 2020

Nome em Inglês

Leptospirosis

Sinônimos

Síndrome de Weil 

Definição

A leptospirose é uma zoonose considerada re-emergente em cães e nos seres humanos, é causada por espiroquetas patogênicas do gênero Leptospira spp.

Estes agentes colonizam principalmente os túbulos renais dos animais e são eliminadas através da urina no ambiente.

Alguns outros tecidos também são acometidos como pulmões, fígado e intestino. Sendo os sinais clínicos evidenciados segundo a lesão destes órgãos.

A doença apresenta elevada letalidade e é uma grande preocupação na saúde pública. 

Nos cães são conhecidos dois tipos de síndromes clínicas causadas pela Leptospira.

A síndrome hepatonefrítica que esta associada a Leptospira interrogans sorovar Icterohaemorrhagiae e a síndrome nefrítica por Leptospira interrogans sorovar Canicola. 

Sabe-se que o cão pode se infectar com outros sorovares pertencentes a outros sorogrupos de Leptospira patogênicas, estes podem causar infecção assintomática em animais domésticos ou silvestres através da contaminação do ambiente e também na natureza,  e são conhecidos como hospedeiros de manutenção. 

Os hospedeiros acidentais se contaminam através da água, solo ou urina de hospedeiros de manutenção.

O cão é hospedeiro acidental de sorovares como Icterohaemorrhagiae, Pomona, Copenhageni, Grippotyphosa entre outros e  hospedeiro de manutenção do sorovar Canicola.

É difícil estabelecer diagnóstico em animais hospedeiros de manutenção, uma vez que o agente e o  hospedeiro se adaptam não ocorrendo doença evidente.

Sendo assim, os casos mais severos de doença devem ocorrer em animais por sorovares não adaptados ou em cães mais suscetíveis.

Etiologia e Fisiopatogenia

As leptospiras são espiroquetas, pertencentes à família Leptospiraceae, gênero Leptospira.

A membrana externa deste microrganismo tem em sua composição lipopolissacarídios (LPS), múltiplas lipoproteínas antigênicas e proteínas transmembrana, como secretinas e porinas.

A LipL32  é considerada a principal lipoproteína de superfície, a qual leva papel importante na patogenia da infeção.

Os sorovares por sua vez possuem diferentes composições químicas dos lipopolissacarídios de membrana. 

Este microrganismo penetra as mucosas orais, nasais ou conjuntivais íntegras e a pele lesionada de hospedeiros suscetíveis.

Através da corrente sanguínea a Leptospira irá se replicar se disseminar por diversos tecidos, como rins, baço, fígado, olhos, trato genital e SNC.

Ocorre produção de imunoglobulinas (IgM e IgG) que ganham a circulação 7 a 8 dias após a infecção.

A leptospiremia pode ocorrer por até 10 dias.

Os níveis de anticorpos séricos aumentam e então a infecção tende a ser debelada dos tecidos, podendo permanecer ainda por mais tempo nos rins.

A eficácia do sistema imune vai depender da virulência do agente e da capacidade do indivíduo em combater a infecção.

Os LPS fazem estimulação para adesão de neutrófilos e plaquetas, o que desencadeia uma intensa resposta inflamatória do indivíduo. Associados a outros fatores de virulência ocorre vasculite causando muitos danos endoteliais.

Pode ocorrer então síndrome da resposta inflamatória sistêmica e sepse. Coagulação intravascular disseminada (CID), hemorragias e edema podem ser resultado de trombocitopenia e lesão vascular decorrente da fase aguda da infecção. 

A icterícia observada não esta associada a hemólise em cães com a doença, este sinal se deve a lesão hepatocelular causada pelos fatores tóxicos das leptospiras e por colestase intra-hepática.

Quando a doença é controlada, rapidamente os microrganismos são eliminados do tecido hepático e a icterícia também desaparece.

Alguns sorogrupos não causam lesão hepática, variando de intensidade de acordo com a espécie envolvida.

A leptospira chega aos rins através da circulação, migra do endotélio renal e atinge o interstício, provocando vasculite e edema. Chegam aos túbulos contornados proximais e ao lúmen tubular e são eliminadas através da urina.

O edema renal provoca diminuição na taxa de filtração glomerular e injúria renal aguda, devido a menor perfusão renal. 

O tempo de eliminação do agente varia com a espécie envolvida, sabe-se que o sorovar Canicola pode ser eliminado por longos períodos a anos, e os outros sorotipos geralmente apresentam um menor tempo de eliminação.

Os fatores endotóxicos liberados pelo microrganismo afetam o mecanismo de concentração renal resultando em hipostenúria e isostenúria.

Estes também podem atingir o tecido pulmonar, e em casos graves levar a hemorragia pulmonar intensa.

O prognóstico da doença depende do grau de comprometimento pulmonar. 

Alguns sorovares podem causar manifestações clínicas mais agudas e variar de gravidade conforme  a região de seu aparecimento. 

De maneira geral os cães são mais acometidos pelo sorogrupo Canicola, Grippotyphosa e Bratislava. E estes provocam lesões hepáticas e renais.

Já, os sorogrupos de Pomona e Icterohaemorrhagiae causam mais doenças hepáticas.  

Maior Ocorrência

Não há predileção por raça, mas sabe-se que cães de trabalho, pastoreio e caça podem estar mais suscetíveis a infecção por leptospira.

Qualquer idade também pode ser acometida, mais frequente em animais jovens menores a 6 meses e dificilmente os indivíduos acima de 10 anos. 

Quanto ao sexo, atinge mais machos não castrados. 

Achados de Anamnese

Importante levar em conta o local onde o animal vive, para avaliação epidemiológica da região e  auxílio no diagnóstico.

O contato com roedores deve ser questionado, hábitos de caça e dados sobre a alimentação do animal também.

No início dos sintomas, alguns sinais podem ser encontrados como anorexia, prostração e febre, porém são poucos específicos. 

Diante de infecções mais graves outros sintomas serão observados e serão descritos em Manifestações Clínicas.

 

Manifestações Clínicas

As manifestações clínicas são pouco específicas e dependem dos tecidos acometidos durante a infecção.

Pode-se observar anorexia, letargia e êmese. 

A leptospirose pode ser hiperaguda, aguda, subaguda ou crônica. 

É importante levar em conta alguns fatores para a influência das manifestações clínicas como o a virulência do sorovar, o ambiente, a área geográfica e o a imunidade do hospedeiro.

De modo geral os animais jovens apresentam quadros mais graves aos adultos.

Alguns animais podem ainda desenvolver leptospiremia fulminante levando o animal a óbito sem muitos sintomas aparentes.

Na fase aguda da doença, o cão pode desenvolver síndrome da resposta inflamatória sistêmica e sepse.

Sendo observados sintomas correspondentes a estes quadros. Como febre (39,5°C a 40°C), êmese, letargia, fraqueza muscular, tremores, desidratação, taquipneia, pulso irregular e choque.

Em decorrência dos distúrbios de coagulação e trombocitopenia, pode-se observar petéquias, epistaxe, sufusões, hematêmese, melena e hematoquesia. Resultando em  CID.

Como citado anteriormente a icterícia dependerá do grau de lesão hepática. E são somadas as manifestações oriundas do comprometimento renal. 

Nos casos, em que o sorovar envolvido é o Canicola, não há ocorrência de lesão hepática e sim de comprometimento renal.

Os sinais mais observados nestes casos, são anorexia, desidratação, êmese, perda de peso, poliúria e polidipsia .

Pode ser encontrando dor abdominal por inflamação dos tecidos principalmente a sensibilidade renal e por uremia. As mucosas podem estar congestas ou ictéricas.

Em casos avançados da lesão renal, podem haver sintomas que esta relacionados a uremia, como por exemplo, estomatites, necrose de língua e gastrite urêmica.

Quando há melhora do quadro, o cão tende a normalizar a função renal de 2 a 3 semanas. 

Outras manifestações podem ser observadas em quadros pulmonares e existem relatos ainda sobre acometimentos dos olhos, notando-se conjuntivites, uveíte e injeção escleral. 

Animais portadores de infecções crônicas podem não manifestar a doença ou ainda se mostrarem assintomáticos, desenvolvem sinais inespecíficos compatíveis com doença renal crônica.

Procedimentos diagnósticos

Hemograma

No geral não mostram alterações na série vermelha, quando há encontramos anemia arregenerativa.  Já no leucograma pode-se observar na fase inicial da leptospiremia discreta leucopenia seguida de leucocitose com ou sem desvio à esquerda. 

A trombocitopenia é intensa na fase aguda da infecção.

Bioquímica

A função renal estará alterada na maior partes dos pacientes, os graus de azotemia são variaveis com o comprometimento renal. 

Hipoalbuminemia pode ser encontrada na fase aguda. Há também aumento do número de globulinas.

Distúrbios eletrolíticos como hipercalemia, hiponatremia, hipocloremia e hiperfosfatemia.

Em casos de acidose metabólica há alterações na concentração de bicarbonato e diminuição do pH sanguíneo.

Já a função hepática sofre menos alterações em comparação com a renal mas pode apresentar elevações em ALT, AST e fosfatase alcalina.

Pode ainda haver aumento nas concentrações séricas de bilirrubina direta devido a colestase hepática. Os animais podem desenvolver hepatite crônica em resultado da leptospirose.

Urinálise

A análise urinária pode demonstrar alterações como glicosúria devido a lesão tubular, bilirrubinúria e a proteinúria geralmente esta associada a lesão nestes casos tubular por nefrite túbulo-intersticial.

Também podemos encontrar cilindros granulares no exame de sedimento urinário.

Coagulograma

Os animais podem sofrem alterações de hiper ou hipocoagulabilidade.

Imagem

Os exames de imagem são auxiliares nos casos de leptospirose quando existe hemorragia pulmonar, tosse e dispneia.

Neste caso deve ser feito, Raio X de tórax para avaliação torácica.

Ultrassom abdominal pode revelar renomegalia, pielectasia, hepatomegalia, fluído perrirenal e alterações de parênquima renal.  

Diagnóstico específico

Teste de soroaglutinação microscópica (SAM)

Esta técnica é a recomenda pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e visa detectar anticorpos aglutinantes frente a leptospiras vivas.

As reações são observadas em microscopia de campo escuro e são feitas diluições para obter-se o título final frente ao agente encontrado.

No Brasil, são testados  até 20 sorogrupos patogênicos, conforme é indicado pela OMS.

Alguns pontos devem ser levados em conta a respeito deste método.

O teste é específico do sorogrupo e não para os sorovares, sendo assim o resultado de SAM indica o sorogrupo em qual o sorovar está inserido e não indica o sorovar específico.

Se o agente pertencer a outro sorogrupo que não os incluídos no teste, este pode ser negativo (falso-negativo).

Cães vacinados podem apresentar títulos altos e serem confundidos com doença clínica, deve-se aguardar se possível 4 meses após a vacinação para que não ocorra um falso-positivo, e testes pareados devem ser realizados a fim de avaliar o aumento ou diminuição de quatro vezes do título inicial para confirmação do teste.

A vacinação não é capaz de produzir tal efeito diante destas avaliações. 

Teste de ELISA

Estão disponíveis testes imunoenzimáticos específicos que detectam IgM e IgG antileptospira, estes trazem bons resultados para que consigamos distinguir resposta vacinal de infecção recente.

Outro teste que pode ser realizado, é o de aglutinação macroscópica em lâmina, este dispensa uso de microscópio e é uma boa ferramente para ser usado em campo. 

Apesar de bons testes disponíveis, o método SAM ainda é o teste padrão ouro, sendo realizado pela maioria dos laboratórios para defecção de leptospirose no Brasil.

Cultivo bacteriano

É possível realizar cultivo da bactéria, porém este método é pouco utilizado, pois a leptospira tem o crescimento fastidioso e pode sofrer com diversos tipos de condições ambientais.

O resultado negativo só pode ser considerado após 28 dias de cultivo. 

A urina deve ser coletada prioritariamente por cistocentese a fim de minimizar a contaminação da microbiota do trato urinário inferior com a amostra, e deve ser semeada em no máximo 2 horas após a obtenção da mesma.

Na ocorrência de leptospiremia o sangue deve ser coletado nos primeiros 10 dias de infecção para que sejam adequadamente isolados na cultura. 

Vale lembrar que as amostras devem ser obtidas antes do início do tratamento com antibióticos. 

PCR

A reação em cadeia de polimerase (PCR), visa detectar fragmentos de DNA nas amostras biológicas.

Este teste é útil antes mesmo dos anticorpos serem detectados no SAM.

Também serve como monitoramento de animais assintomáticos e portadores crônicos, e podem indicar infecção ativa precoces a detecção pelo SAM. 

Indica-se realizar o exame de amostras de sangue e urina simultaneamente pois nem sempre a fase da infecção é conhecida.

No caso de resultados positivos em amostras de urina devem ser interpretados juntamente ao quadro clínico, os resultados negativos não descartam totalmente a infecção por leptospira pois a eliminação renal do agente é intermitente. 

Atualmente a técnica de PCR em tempo real vem sido desenvolvida e aprimorada, com o intuito de tornar o teste mais rápido, sensível e com menor interferência de contaminação.

Tornando assim mais uma ferramente no diagnóstico de leptospirose. 

Diagnóstico Diferencial

Injúria Renal Aguda

Uveíte

Hemorragia Pulmonar

Doença Febril Aguda

Pielonefrite aguda

Doença Renal Crônica

Hepatite infecciosa canina

Tratamento inicial

Terapia suporte para estabilização e conforto dos pacientes, empregando medidas conforme as manifestações clínicas estão presentes.

O tratamento intuído com o objetivo de combater a lepstopirose é empregado a base de uso de antibióticos.

E isso tem que ser feito o quanto antes, e logo que há suspeita da doença.

Não se deve esperar o resultado dos testes para início da terapia, visando evitar ao máximo as complicações da leptospiremia e comprometimento dos tecidos pulmonares, hepáticos e renal. 

Com o objetivo de combater a lepstopiremia são utilizadas penicilinas e derivados, estes não eliminam por completo as bactérias presentes nos rins.

Podem ser utilizados para animais em síndrome urêmica e com comprometimento hepático, porém a dose deve ser empregada com cautela nos casos de azotemia grave. 

Em animais com a doença subaguda ou crônica e que estejam se alimentando, pode-se administrar os antibióticos por via oral. 

O antibiótico de escolha recomendado para tratamento da leptospirose, é a Doxicilina pois este medicamento promove rápida eliminação da leptospira dos rins. 

A ceftriaxona e a cefotaxima também são eficazes no tratamento, porém as cefalosporinas de primeira geração tem menos eficácia. 

Os aminoglicosídios não devem ser empregados até resultados da função renal.

As flouroquinolonas tem sua eficácia duvidosa, pois não tendem a combater a leptospira.

Nos animais que apresentem hemorragia pulmonar, outras manobras devem ser realizadas, a fim de restabelecer a oxigenação correta dos tecidos, porém diante desta situação o prognóstico é ruim para recuperação e não muitas técnicas que comprovem melhora significativa nestes pacientes.

É necessário fornecer suplementação de oxigênio seja ele com oxigenioterapia ou até mesmo ventilação mecânica nos casos mais graves. 

Terapia de suporte e manutenção

Uso de anti-eméticos, analgésicos e protetores hepáticos são indicados.

Na forma aguda da infecção, o intuito é o tratamento da injúria renal aguda, corrigindo a desidratação, com uso de soluções cristaloides e monitorando o débito urinário.

Administrar anti-eméticos em casos de vômitos e suspender a alimentação oral.

Quando há sinais como equimoses, petéquias e indícios de CID, o ideal é repor os fatores de coagulação. 

Observar a presença de oligúria, levando em conta a hidratação do paciente.

Em casos, em que a oligúria persista é indicado o uso de diuréticos com ação em alça de Henle, pois estes são mais potentes. 

Na evolução desfavorável da doença, lavagem peritoneal e hemodiálise são ferramentas possíveis visando melhorar o quadro clínico instalado, porém estes fatores devem ser avaliados juntamente ao prognóstico do animal.

 

Prognóstico

O prognóstico é bom em cães tratados de forma rápida e intensiva, com antibióticos e fluidoterapia.

A diminuição de ureia e creatinina quando os animais são submetidos a hemodiálise, é muito satisfatória uma vez que os néfrons não são comprometidos na lesão renal.  

Com o avanço da melhoria clínica os microrganismos são depurados dos tecidos renais 10 -14 dias e as concentrações das enzimas hepáticas também voltam a sua normalidade.

Espontaneamente as plaquetas voltam ao seu número normal.

Vacinação

As vacinas disponíveis atualmente contém bactérias inteiras inativadas.

As vacinas contendo sorovares Canicola e Icterohaemorrhagiae são consideradas essenciais para a proteção dos cães.

No Brasil, as vacinas disponíveis contem 4 grupos de sorovares, são eles o Canicola, Pomona, Grippotyphosa e Icterohaemorrhagiae. 

Cães que são imunizados desenvolvem anticorpos mais rapidamente quando infectados por outras leptospiras patogênicas em  comparação com animais não vacinados. E a infecção costuma ser mais branda nestes animais. 

A imunoprofilaxia inicial em filhotes de cães deve ser feita em 3 doses, com intervalos de 2 a 4 semanas e iniciadas após  9 semanas de idade. 

Literatura recomendada

HAGIWARA, Mitika Kuribayashi et al. Leptospirose. In: JERICÓ, Marcia Marques et alTratato de Medicina Interna de Cães e Gatos. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015. cap. 102, p. 2678-2715. ISBN 978-85-277-2666-5.

 

SILVA, Raquel Albuquerque et al. Leptospirose canina: Relato de caso. PUBVET, [S. l.], ano 2018, v. 12, n. 6, p. 1-6, 1 jun. 2018. Disponível em: file:///C:/Users/Felipe/Downloads/leptospirose-canina-relato-de-caso.pdf. Acesso em: 25 nov. 2019.

Informações para tutores

A leptospirose é uma zoonose considerada reemergente em cães e nos seres humanos, é causada por uma bactéria do gênero Leptospirra spp. 

Esta bactéria penetra nas mucosas orais, nasais ou ocular, além da pele lesionada dos animais suscetíveis.

Quando os animais estão contaminados com o agente, ocorre principalmente acometimento dos rins e através disso os microrganismos são eliminados na urina para o ambiente, contaminando assim outros animais ou humanos através da própria urina, solo ou da água contaminada. 

O conhecimento do ambiente, o contato com roedores e a vacinação, são elementos importantes no momento da história clínica apanhada pelo médico veterinário ao examinar o paciente.

As espécies de bactérias que mais atingem os cães levam principalmente a lesões hepáticas e renais.

No início da doença podem ser observadas manifestações clínicas como inapetência, prostração, vômito e febre.

Os sintomas serão influenciados pela virulência da espécie envolvida, o ambiente, a área geográfica e a imunidade do paciente.

Geralmente, os animais mais jovens desenvolvem quadros mais graves.

Alguns animais ainda podem apresentar a forma fulminante e vir a óbito sem muitos sintomas evidentes. 

Quando há comprometimento renal os sinais serão além dos já mencionados, de desidratação, perda de peso, aumento na ingestão de água e aumento no volume urinário.

No acometimento hepático os sinais serão de icterícia somados as manifestações do comprometimento renal.

O agravamento da lesão renal pode desencadear outros sinais como estomatites, gastrite, necrose de língua, além da diminuição do volume de urina (oligúria). 

Quando o médico veterinário suspeitar da doença, ele solicitará exames para confirmar o diagnóstico, estes testes incluem provas especificas e testes para avaliar as funções hepáticas e renais dos animais doentes. 

Como tratamento, é importante estabilizar e dar conforto ao paciente.

A terapia de suporte visa restabelecer a hidratação e utilizar medicamentos para proteção gástrica, hepática e combater o vômito.

O tratamento específico é a base se antibióticos.

Com o emprego do tratamento e a melhora do quadro a função renal tende a voltar aos níveis normais dentro de 2 a 3 semanas.

O prognóstico é bom quando os cães são tratados de forma rápida e intensiva, principalmente com antibióticos e fluidoterapia.

Os microrganismos são combatidos dos rins em 10 - 14 dias, sendo acompanhados da melhora das enzimas hepáticas. 

Referências

GREENE, Craig E. et al. Leptospirosis. In: GREENE, Craig E. Infectious Diseases of the Dog and Cat. 3. ed. St. Louis: Elsevier, 2006. cap. 44, p. 402-417. ISBN 978-1-4160-3600-5.

 

PAES, Antonio Carlos. Leptospirose canina. In: MEGID, Jane et alDoenças Infecciosas em Animais de Produção e de Companhia. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2016. cap. 34, p. 356-377. ISBN 978-85-277-2789-1.

 

HAGIWARA, Mitika Kuribayashi et al. Leptospirose. In: JERICÓ, Marcia Marques et alTratato de Medicina Interna de Cães e Gatos. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015. cap. 102, p. 2678-2715. ISBN 978-85-277-2666-5.

Anexos referente a esta consulta rápida

Nenhum anexo disponível

O conteúdo deste site é para uso exclusivo e restrito dos associados. Apenas Médicos Veterinários graduados e estudantes de Medicina Veterinária são autorizados a acessar este site.

Não está permitida a divulgação de qualquer conteúdo sem a prévia autorização do Vetsapiens, por escrito. Os Médicos Veterinários são os únicos responsáveis pelo tratamento e cuidado de seus pacientes.

Quaisquer recomendações de colegas ou especialistas recebidas através deste site são meras opiniões individuais, e cada clínico é o exclusivo responsável pelo manejo de seus pacientes. Os fármacos e doses recomendadas ou calculadas no Vetsapiens devem ser sempre conferidos antes de sua aplicação.

Veterinários não devem utilizar medicações e ou protocolos com os quais não estejam familiarizados e confortáveis. O Vetsapiens preconiza que o encaminhamento para especialistas seja sempre a primeira recomendação dos clínicos gerais ao se depararem com casos clínicos além do seu conhecimento.

As imagens e informações trocadas neste site não substituem o exame físico do paciente, e a relação exclusiva entre veterinário-paciente-cliente. As imagens aqui postadas não podem ser consideradas de qualidade diagnóstica.

Toda e qualquer informação obtida neste site deve ser considerada apenas como uma sugestão individual e não tem qualquer valor diagnóstico.

Desenvolvido por logo-crowd