Hipocalcemia Puerperal

Dra Claudia Brito

Ultima atualização: 05 MAR DE 2020

Nomes (Sinônimos)

Hipocalcemina Puerperal, Hipocalcemia da Lactação, Tetania Puerperal, Eclampsia 

Nome em Inglês

Hypocalcemia, Puerperal Tetany, Eclampsia 

Definição

A hipocalcemia puerperal ou tetania puerperal é caracterizada por uma diminuição do Cálcio circulante por aumento da demanda, resultando em alterações clínicas específicas como espasmos musculares, tetania e que podem evoluir para convulsões e morte se não tratada.

O termo eclampsia, apesar de na veterinária ser usado como sinônimo de hipocalcemia, em humanos é caracterizado por um quadro convulsivo pré parto, associado a alterações de pressão arterial, de aumento de proteínas circulantes, proteinúria, diminuição de plaquetas e sem alterações do cálcio.

Etiologia

A hipocalcemia pode ocorrer ao final da gestação (menos frequente) e no período lactacional pela alta demanda de cálcio para a produção de leite associada a baixa ingestão, redução da absorção pelo intestino ou redução da mobilização do cálcio dos ossos por intermédio do paratormônio (PTH).

A suplementação de cálcio durante o período gestacional também pode levar a uma atrofia ou resposta debilitada do PTH, quando ocorre o aumento da demanda, predispondo a hipocalcemia.

Fisiopatologia

Com a diminuição do cálcio circulante há uma diminuição da ligação do Cálcio com a membrana celular o que resulta em aumento da permeabilidade da membrana muscular aos íons, requerendo menos estímulos para despolarização.

Consequentemente, os sinais de despolarização repetida e espontâneas do músculo, ou tetania, ocorrem.

O cálcio mensurado para diagnóstico normalmente é o total, mas somente a forma ionizada é importante para a função neuromuscular. 

Maior ocorrência (raça, idade, gênero, localização geográfica)

Mais comum em fêmeas de pequeno porte e o tamanho da ninhada pode ser um fator predisponente, apesar de não haver trabalhos confirmando.

Normalmente são fêmeas primíparas. 

Achados de anamnese

Normalmente são fêmeas recém paridas ou em final de gestação (gestação múltipla patológica), com quadro característico de tetania, incoordenação e taquipneia.

Podem ter histórico de suplementação de dieta com cálcio durante a gestação ou ingestão de alimento de baixa qualidade.

Manifestações clínicas

  • Sinais iniciais: inquietação, ofegância, relutância aos cuidados com os neonatos, rigidez e prurido facial.
  • Sinais mais tardios (poucas horas): hipertermia, espasticidade de membros, taquipneia, dificuldade em se levantar ou deambular, tremores musculares, tetania e convulsões.

Procedimentos diagnósticos

Diagnóstico deve ser realizado pela história clínica e manifestações clínicas. 

Dosagem de cálcio deve ser realizada, se possível verificar o Cálcio ionizado, porém cálcio total abaixo de 7mg/dl já deve ser reposto. O tratamento deve ser iniciado mesmo sem o resultado em mãos.

Ao eletrocardiograma podem aparecer ondas T mais profundas e largas, intervalo Q-T prolongado e ondas R mais altas. Bradicardia ou taquicardia podem estar associados a hipocalcemia.

Avaliação da glicemia deve ser feita, uma vez que os quadros de tetania podem levar a um consumo energético importante.

Diagnósticos diferenciais

  • Acetonemia da prenhez
  • Epilepsias verdadeiras
  • Envenenamentos com cafeína, estricnina, piretróides.

Terapia inicial

A infusão de cálcio intravenoso deve ser iniciada imediatamente, sempre com a monitoração cardíaca.

Deve-se infundir inicialmente 0,2 a 0,4 mg/kg de gluconato de cálcio a 10%, de maneira lenta, mas constante (mesmo que exceda a dose preconizada), até que a tetania cesse ou diminua, permitindo que o animal possa restabelecer seus reflexos e as respostas aos estímulos externos.

Junto com fluidoterapia, sempre associar uma ampola de glicose 50%.

Monitorar o animal com eletrocardiograma e se ocorrerem mudanças durante a aplicação, essa deve ser descontinuada ou diminuir a velocidade de infusão.

Após estabilização, deve ser mantida uma infusão intravenosa lenta de cálcio diluído em Solução Fisiológica de 0,5 a 1,5 ml/kg/hora, até que o animal não apresente mais nenhum dos sinais clínicos.

Terapia de suporte e manutenção

Fêmeas em lactação devem ser monitoradas e suplementadas com cálcio oral.

Se filhotes ainda estão em fase neonatal, pode-se fazer a tentativa de recolocar com a mãe, mas alternar mamadas com sucedâneo e na mãe, para evitar uma recidiva.

Se mesmo assim, ela apresentar novamente a hipocalcemia, a lactação deve ser interrompida e secar o leite da mãe com inibidores de prolactina.

A suplementação de cálcio pode ser realizada com a alimentação na dose de 25 a 50mg/kg/dia, dividido em 3 - 4 vezes.

Pode associar a Vitamina D também na dose de 10.000 U/dia.

Importante a introdução de uma ração de qualidade super premium.

Prognóstico

Muito bom se a manifestação clínica for rapidamente diagnosticada e tratada.

Literatura recomendada

APPARICIO, M.; VICENTE, W.R.R. Reprodução e Obstetrícia em cães e gatos. 1. ed. São Paulo: MEDVET, 2015. 458p.

 

JOHNSTON, S.D.; KUSTRITZ, M.V.R.; OLSON, P.N.S. Canine and Feline Theriogenology. 1ed. Philadelphia: Saunders, 2001. 592p.

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