Hiperplasia Vaginal

Dra Claudia Brito

Ultima atualização: 05 MAR DE 2020

Nomes (Sinônimos)

Prolapso vaginal, Hipertrofia vaginal, Hipertrofia do Estro

Nome em Inglês

Vaginal Hyperplasia, Vaginal Prolapse, Vaginal Eversion

Definição

A Hiperplasia vaginal é um edema da mucosa vaginal em resposta ao aumento das concentrações de estrógeno circulante.

Prolapso vaginal é a protrusão da vagina edemaciada pelos lábios vulvares em diferentes graus, consequente a hiperplasia.

Alguns autores consideram que o prolapso vaginal é o sinal clínico consequente a hiperplasia vaginal, por isso a nomenclatura mais correta é Hiperplasia Vaginal.

Etiologia

Ocorre principalmente nas cadelas durante a fase Folicular do ciclo estral (aumento estrogênico) e menos observada no período de trabalho de parto como observado em Grandes animais.

A ocorrência de hiperplasia e prolapso vaginal em gatas é muito rara.

Fisiopatologia

Não se conhece ao certo a fisiopatologia uma vez que os animais acometidos não apresentam hiperestrogenismo ou qualquer alteração reprodutiva que sugira um aumento dos níveis de estrógeno circulante como nos cistos foliculares.

Uma hipótese seria que essas cadelas possam apresentar mais receptores estrogênicos que as outras, resultando numa resposta mais exacerbada a ação do hormônio.

Acredita-se que exista uma natureza hereditária, apesar de nunca comprovada.

Maior ocorrência

A hiperplasia vaginal acomete normalmente fêmeas mais jovens, ocorrendo principalmente em primeiro ou segundo CIO (1 ano a 3 anos); as raças de grande porte parecem ser mais acometidas, principalmente as braquiocefálicas como Boxer, Mastin Napolitano, Bull Mastiff, Bulldogs e seus cruzamentos, mas também são relatadas em Labradores, Fila Brasileiro, Dalmatas, Dobermanns e PittBulls. 

Achados de anamnese

Tutor normalmente refere um aumento de volume em região vaginal com a presença ou não de massa exteriorizando pela vulva.

Relato de CIO recente ou sangramento vaginal. Para criadores pode ser relatado uma dificuldade da fêmea no acasalamento ou refugo a penetração.

Manifestações clínicas

A Hiperplasia vaginal pode resultar em prolapso ou não vaginal, sendo classificado em 3 graus:

grau 1 - caracterizado pela protuberância ou saliência, mas que não protrui pelos lábios vulvares, mas que pode ser visibilizada pela rima vulvar;

grau 2 - ocorre quando há a protrusão da parede cranial e lateral da vagina, pelos lábios vulvares;

grau 3 - ocorre protrusão de toda a circunferência vaginal, formando uma massa com aspecto de "rosca"e com lúmen.

Procedimentos diagnósticos

O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos e no histórico de CIO ou parto recente.

A citologia vaginal ou colpocitologia deve ser realizada para confirmação da fase do ciclo estral (final de Proestro ou Estro).

Diagnósticos diferenciais

O principal diagnóstico diferencial é a neoplasia vaginal (pólipos, leiomiomas, fibromas) que são mais comuns em fêmeas idosas. 

Terapia inicial

Nos animais que apresentam prolapso de grau 1 ou 2 podem ter regressão espontânea após a ovulação, quando os níveis de estrógeno naturalmente diminuem, não precisando de intervenção cirúrgica ou medicamentosa.

O tratamento do grau 3 consiste no decréscimo dos níveis de estrógeno circulante, uma vez que a colpocitologia indique ainda sinais de ação estrogênica.

O indicado é a administração de medroxiprogesterona oral (0,4mg/kg) a cada 24 horas, durante 10 dias, até que a citologia vaginal caracterize um DIESTRO.

Os prolapsos que não regredirem por completo após a terapia, devem ser submetidos a cirurgia de colpoplastia.

Como não se sabe ao certo a natureza hereditária da afecção, indica-se sempre a OSH.

Cadelas que tiveram graus baixos de hiperplasia com regressão espontânea, podem apresentar o quadro mais grave em um CIO subsequente.

Terapia de suporte e manutenção

Não se aplica.

Prognóstico

Muito bom, mas são cadelas que não devem ser mantidas na reprodução.

Literatura recomendada

APPARICIO, M.; VICENTE, W.R.R. Reprodução e Obstetrícia em cães e gatos. 1. ed. São Paulo: MEDVET, 2015. 458p.

 

JOHNSTON, S.D.; KUSTRITZ, M.V.R.; OLSON, P.N.S. Canine and Feline Theriogenology. 1ed. Philadelphia: Saunders, 2001. 592p.

Imagens

Informação ao Tutor

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