Hiperplasia Prostática Benigna

Dra Claudia Brito

Ultima atualização: 05 MAR DE 2020

Nomes (Sinônimos)

Hiperplasia ou Hipertrofia prostática benigna

Nome em Inglês

Benign Prostatic Hypertrophy/Hiperplasia

Definição

Aumento do tamanho prostático (hipertrofia) ou número de células (hiperplasia), caracterizando-se pelo maior volume dos elementos prostáticos glandulares, pela diminuição da função secretória, incremento da vascularização e da inflamação intersticial.

Etiologia

A etiologia está relacionada ao hormônio testosterona e também com a idade.

A HPB pode ocorrer em duas fases, sendo uma glandular (acomete animais com menos de 5 anos) e outra complexa (animais com mais de 5 anos).

A hiperplasia glandular é caracterizada pelo aumento simétrico da próstata e e do número e tamanho das células secretórias, sendo a proliferação primariamente epitelial com pouco envolvimento estromal.

A complexa é caracterizada pelo aumento assimétrico da glândula, com áreas de atrofia.

Os alvéolos podem estar mais dilatados, císticos e cheio de material eosinofílico.

Fisiopatologia

A testosterona é o principal andrógeno circulante e dá origem a outros dois hormônios: diidrotestosterona (DHT) e ao 17beta-estradiol.

Estudos demonstram que os níveis de DHT e testosterona circulante diminuem com a idade, mas os de estrógeno não se alteram.

Isso cria uma alteração na razão andrógeno:estrógeno secretada pelos testículos.

O estrógeno estimula a expressão dos receptores de DHT na próstata, induzindo uma maior sensibilidade da glândula ao DHT.

Também alteram o grau de morte celular prostática, além de causarem atrofia das células epiteliais glandulares, proliferação das células prostáticas basais e metaplasia escamosa dos ductos epiteliais.

Maior ocorrência

Não há predisposição racial, podendo acometer machos inteiros a partir de 3 anos de idade.

Achados de anamnese

Principais queixas são de disquesia, onde as fezes podem ser eliminadas achatadas ou em forma de fita e dor ao defecar. 

Manifestações clínicas

  • Disquesia
  • Tenesmo, coproestase
  • Disúria, cistites
  • Casos mais graves podem vir acompanhado de hérnia perineal

Procedimentos diagnósticos

  • Toque retal: a próstata se apresenta aumentada, tendendo a se projetar para a cavidade abdominal, porém apresenta aumento de volume simétrico, mantém o formato bilobado e mobilidade. Animal pode sentir dor durante o procedimento.
  • Ultrassonografia abdominal: pode diferenciar as principais afecções prostáticas pela sua caracterização e também a mensuração.
  • Citologia aspirativa por agulha fina, guiada por ultrassom: Indicada para a distinção das afecções prostáticas por meio da identificação de alterações no número de células da próstata, na população celular, na morfologia e características das células e seus elementos.
  • Biópsia prostática: quando a citologia não for conclusiva e exista uma chance importante de se tratar de uma neoplasia.

Diagnósticos diferenciais

  • Neoplasias prostáticas
  • Cistos prostáticos
  • Prostatites
  • Abscessos prostáticos

Terapia inicial

  • A orquiectomia é indicada, pelo fator hormonal associado.
  • A prostatectomia não é indicada, pelas potenciais complicações cirúrgicas, principalmente em animais idosos.
  • Em animais de Reprodução ou de alto valor genético pode-se utilizar drogas inibidoras da 5 alfa redutase, diminuindo a conversão da testosterona em DHT, como a finasterida, na dose de 0,1 a 1,0 mg/kg/a cada 24 horas, por pelo menos 4 semanas/VO. Depois de 8 semanas de tratamento a finasterida pode diminuir o volume seminal, sem alterações das células. Recomenda-se que animais que ainda estejam em atividade reprodutiva, uma pausa depois de 8 semanas de tratamento e retornar após no máximo 2 meses.
  • Outras drogas alternativas são relatadas para uso na HPB como estrogênios e progestágenos. Os estrogênios podem levar a um quadro de pancitopenia, pela supressão de medula óssea dependendo da dose utilizada. Já os progestágenos podem diminuir os sinais clínicos da HPB rapidamente, podendo ser utilizado o acetato de megestrol na dose de 0,5mg/kg/a cada 24 horas durante quatro a oito semanas. Efeitos adversos: diabetes mellitus, hipotireoidismo e aumento de apetite. 
  • A colheita de sêmen e congelação é indicada para animais de Reprodução que estejam em tratamento com a Finasterida, uma vez que a orquiectomia deverá ser indicada quando a medicação já não fizer efeito.

Terapia de suporte e manutenção

Já citado e somente para animais de alto valor reprodutivo.

Prognóstico

Bom se animal não for ligado a reprodução e reservado se for.

Literatura recomendada

APPARICIO, M.; VICENTE, W.R.R. Reprodução e Obstetrícia em cães e gatos. 1. ed. São Paulo: MEDVET, 2015. 458p.

 

JOHNSTON, S.D.; KUSTRITZ, M.V.R.; OLSON, P.N.S. Canine and Feline Theriogenology. 1ed. Philadelphia: Saunders, 2001. 592p.

 

SMITH, J. Canine prostatic disease: A review of anatomy, pathology, diagnosis and treatment. Theriogenology, v.70, p.375-383, 2008.

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