Hérnia Perineal

Dr Fernando Maschio

Ultima atualização: 06 JAN DE 2020

Nomenclatura (sinônimos)

  • Hérnia Perineal
  • Intumescência perineal

Nome em inglês

Perineal hernia

Definição

Consiste em uma falha do grupamento muscular que formam o diafragma pélvico, promovendo uma desunião destes músculos, o que possibilita a passagem de vísceras abdominais pelo canal pélvico.

Pode ser classificada, de acordo com os músculos envolvidos em: caudal, isquiática, dorsal e ventral.

 

Fisiopatologia

A causa da fragilidade do diafragma pélvico é pouco conhecida, mas alguns fatores têm sido propostos, como atrofia muscular neurogênica ou senil, miopatias, aumento do volume da próstata, alterações hormonais e constipação crônica.

A hérnia pode ser uni o bilateral sendo que o saco herniário pode conter gordura pélvica ou retroperitoneal, o reto dilatado e desviado, vesícula urinária, intestino delgado e até mesmo o útero em fêmeas gestantes.

Estes órgãos deslocados para dentro do saco herniário pedem se tornar encarcerados e até mesmo estrangulados pelo anel herniário. quando ocorre o estrangulamento do órgão juntamente com a vascularização, este sofrer danos e até mesmo entrar em processo de necrose.

Etiologia

A causa ainda é desconhecida, porém com caráter multifatorial.

A perda gradativa da função de sustentação do diafragma pélvico é considerada parte fundamental ou precondição no desenvolvimento da hérnia perineal e, na grande maioria dos casos, o músculo elevador do ânus está atrofiado ou até mesmo ausente.

Este músculo juntamente com o esfíncter anal externo e o obturador interno são os principais músculos envolvidos dando conformidade para a hérnia caudal.

Contudo, pode ser caracterizada de acordo com outros músculos envolvidos, sendo hérnia ciática (m. coccígeo e ligamento sacrotuberal), hérnia dorsal (m. elevador do ânus e m. coccígeo) e hérnia ventral (m’s. isquiouretral, isquiocavernoso e bulbouretral).  

Maior ocorrência (raça. idade, gênero, localização geográfica)

Espécie: Caninos e raras em felinos

Raças e idade:  Ocorre quase que exclusivamente em cães machos inteiros sendo que cães de cauda curta estão mais propensos a desenvolverem a hérnia. As raças de cães que possuem maior predisposição para esta doença são: Boxer, Pequinês, Collie, Pastor Alemão e Dachshund

Achados de anamnese

Os tutores normalmente relatam a presença de um aumento em região de ânus e a dificuldade de defecar ou urinar dos animais.

Em alguns casos os animais podem se apresentar em quadros emergenciais, como por exemplo em hérnias envolvendo a bexiga no saco herniário, promovendo a uma uremias pós renal ou aquelas que promovam um estrangulamento intestinal, levando ao choque.

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos podem incluir tenesmo (esforço para defecar ou urinar sem eliminação de fezes ou urina), constipação (defecação difícil ou em intervalos prolongados), obstipação (constipação intratável), disquezia (defecação dolorosa), anúria, vômitos e aumento de volume perineal, que pode ser ou não redutível.

 

Procedimentos diagnósticos

O diagnóstico de hérnia perineal pode ser baseado na anamnese, nos sinais clínicos, no exame retal e através de exames de imagem, como a radiografia e a ultrassonografia.

A palpação retal e perineal também são muito importantes no exame físico do animal com hérnia perineal. 

Diagnósticos diferencias

  • Neoplasia Perineal
  • Hiperplasia da glândula Perineal
  • Saculite anal
  • Neoplasia do saco anal
  • Atresia anal
  • Tumores vaginais

Terapia inicial

Tratamento conservador: Objetiva o alívio e a prevenção tanto da constipação quanto da disúria, evitando o estrangulamento visceral e a correção dos fatores que favorecem o processo herniário. A intervenção pode ser através de enemas ou remoção digital no caso de deposição fecal ou sondagem uretral, quando a bexiga encontra-se herniada.

 

Tratamento cirúrgico: A herniorrafia deve ser realizada sempre que possível. Diversas técnicas de correção são indicadas na literatura, tendo como função principal, independente da técnica, a recuperação da estabilidade do diafragma pélvico, devolução dos órgão herniados à sua anatomia normal e correção de fatores ou possíveis fatores que promoveram a hérnia. A castração pode ser indicada durante a correção da hérnia, devido a relatos da redução de recidivas. 

Normalmente quando existe fraqueza ou ausência do músculo elevador do ânus a chance de ocorrência de recidiva no períneo contralateral é grande, por isso, a cirurgiões que optam pela realização da cirurgia no períneo contralateral mesmo sem a ocorrência da hérnia, visando a utilização de técnicas que promovem o fortalecimento daquele diafragma. 

Terapia de manutenção

O uso de laxantes, emolientes fecais e enemas sucessivos pode ser  indicados para animais sem condições de passar por um procedimento cirúrgico, contudo, o risco de encarceramento e estrangulamento visceral é grande, impactando diretamente no risco de vida. Sendo assim a correção cirúrgica é a mais indicada.

Ocorre uma deformação temporária do ânus, sendo o tenesmo e prolapso retal comuns no pós operatório.

Prognóstico

A realização do enema ou remoção digital promovem o alívio imediato e o manejo dietético facilitam a evacuação, contudo, o tratamento conservativo prolongado é arriscado, pois a qualquer momento a bexiga, o intestino ou outros órgão podem tornar-se encarcerados o que pode evoluir para quadros irreversíveis. 

O prognóstico é reservado a bom quando um experiente cirurgião realiza a cirurgia. Animais com retroflexão da bexiga têm um prognóstico pior.

Literatura recomendada

ACAUI, A. et al. Avaliação do tratamento da hérnia perineal bilateral no cão por acesso dorsal ao ânus. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 47, p. 439-446, 2010.

 

BELLENGER, C.R.; CAFIELD, R.B. Hérnia Perineal. In: SLATTER, D.B.V. Manualde cirurgia de pequenos animais. 3. ed., v. 1. Barueri: Manole, p. 487-497, 2007

 

COSTA NETO, J.M. et al. Tratamento cirúrgico de hérnia perineal em cão com saculação retal coexistente. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, v. 7, p. 07-19, 2006.

 

DUPRÉ, G.P.; BRISSOT, H.N. Hérnia perineal. In: Mecanismos das doenças em cirurgia de pequenos animais. 3. ed. São Paulo: Roca, 2014. Cap. 13, p. 91-97.

 

HARVEY, C.E. Treatment of perineal hernia in the dog – a reassessment. Journal of Small Animal Practice, v. 18, p. 505- 511, 1977.

 

RADLINSKY M.G. Cirurgia do sistema digestório: infecção e impactação do saco anal. In: FOSSUM, T.W. Cirurgia de pequenos animais. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, p. 568-573, 2014..

 

MORAES, P.C. et al. Correction of rectal sacculation through lateral resection in dogs with perineal hernia - technique description. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 65, p. 654- 658, 2013.

 

RIBEIRO, J.C.S. Hérnia perineal em cães: avaliação e resolução cirúrgica – artigo de revisão. Revista Lusófona de Ciência e Medicina Veterinária, v. 3, p. 26-35, 2010

 

Educação ao cliente

A hérnia perineal consiste em uma deficiência nos músculos próximos ao anus, estes músculos têm a função de evitar que os órgão da cavidade abdominal como intestinos, bexiga, útero, entre outros, tenham acesso ao exterior do corpo.

A deficiência destes músculos faz com que estes órgãos abdominais  sejam vertidos para fora da cavidade, sendo separados no exterior apenas pela pele.

As causas desta anormalidade ainda é desconhecida, contudo, pode estar associada a falha no desenvolvimento destes músculos, dificuldade de defecação ou até mesmo alterações hormonais.

Ocorre quase que exclusivamente em cães machos inteiros sendo que cães de cauda curta estão mais propensos a desenvolverem a hérnia.

As raças de cães que possuem maior predisposição para esta doença são: Boxer, Pequinês, Collie, Pastor Alemão e Dachshund

 

Os sinais clínicos podem incluir tenesmo (esforço para defecar ou urinar sem eliminação de fezes ou urina), constipação (defecação difícil ou em intervalos prolongados), obstipação (constipação intratável), disquezia (defecação dolorosa) e dificuldade para urinar.

O diagnóstico é baseado no histórico por você relatado, raça, idade, sinais clínicos do seu animal e principalmente a radiografia e ultrassonografia abdominal.

 O tratamento visa inicialmente promover o alívio ao seu pet, tentando colocar o órgão herniado de volta ao local correto, contudo, a cirurgia é indispensável para a correção completa do problema.

Caro tutor, a observação em casa pode melhorar muito as chances de sucesso no tratamento, portanto, ao observar qualquer aumento na região anal do seu animal, notar que ele tenta defecar ou urinar e não consegue, sente dor ou outros sintomas, leve-o imediatamente ao seu veterinário.

O prognóstico desta afecção depende do tempo de intervenção médica,  do grau de lesão dos órgão envolvidos e grau de comprometimento sistêmico.

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