Hepatozoonose

Dra Cristiene Rosa

Ultima atualização: 01 MAR DE 2020

Nomenclatura

Reino: Protista

Subreino: Protozoa

Filo: Apicomplexa

Classe: Sporozao

Ordem: Eucoccida

Família: Hepatozoidae

Gênero: Hepatozoon

Espécie: Hepatozoon canis

Nome em inglês

Canine hepatozoonosis

Definição

Hemoparasitose causada pelo protozoário Hepatozoon, transmitida pela ingestão de carrapatos infectados.

É considerada uma doença oportunista, geralmente associada a animais imunossuprimidos, ou com doenças concomitantes.

Fisiopatologia

Após a ingestão do carrapato, o parasita é liberado no trato gastrointestinal, que penetra na parede intestinal.

Chegam ao baço, medula óssea, linfonodos, coração, pulmão, rins e fígado, pelas vias hemáticas e linfáticas.

Após três semanas da infecção são detectados pontos de inflamação no baço, coração e medula óssea, onde ocorre a reprodução do parasita.

São originadas formas que serão encontradas na circulação, que irão parasitar neutrófilos.

Etiologia

Prozoário, coccídeo extraintestinal, parasita de neutrófilos, capaz de infectar cães, gatos, canídeos silvestres.

Maior ocorrência (raça, idade, gênero, localização geográfica)

O Hepatozoon acomete principalmente cães, mas há relatos de gatos e animais silvestres infectados, sem predisposição de raça, idade ou sexo.

Épocas do ano de melhor desenvolvimento do vetor, tendem a aumentos no número de casos.

A ocorrência tende a ser maior em cães de áreas rurais, pois além da transmissão pelo Rhipicephalus sanguineus, que ocorre tanto em áreas rurais como em urbanos, as espécies Amblyomma ovale (ambiente silveste e rural) e Rhipoicephalus boophilus (carrapato do boi).

Estes dois últimos encontrados mais em áreas rurais.

Achados de anamnese

Incluem passagem dos animais por áreas rurais.

É comum a ocorrência de infecções concomitantes.

Manifestações clínicas

Os animais infectados podem se manter assintomáticos, ou desenvolver manifestações brandas, que incluem anemia, anorexia, pirexia, mialgia e apatia. 

Em coinfecções com outros hemoparasitas, ou doenças virais, os animais podem apresentar emagrecimento, anorexia, letargia, diarreia, vômitos e mucosas pálidas.

 

Procedimentos diagnósticos

Hemograma: (sangue com EDTA)

Podem ser observados neutrófilos parasitados, normalmente com baixa parasitemia.

Anemia regenerativa, Leucocitose por neutrofilia, linfopenia e monocitose. Em coinfecções com outros hemoparasitas, pode apresentar trombocitopenia.

Bioquímico: (soro ou plasma de acordo com o bioquímico pesquisado)

Aumento da fosfatase alcalina (FA), alamino aminotransferase (ALT) e creatinoquinase (CK), esta última devido à lesão muscular.

Azotenia.

Anticorpos específicos: (soro)

Anticorpos das classes IgM e IgG podem ser detectados a partir de duas e três semanas pós infecção, respectivamente.

Os métodos normalmente empregados são a imunofluorescência (RIFI) e o ensaio imunoenzimático (ELISA), porém dificilmente são encontrados kits comerciais.

Biologia molecular: (sangue total em EDTA)

A técnica possui alta especificidade e sensibilidade.

Necrópsia:

Linfadenopatia, pneumonia, hepatoesplenomegalia.

Histopatológico:

Inflamação piogranulomatosa em baço, fígado e músculo cardíaco, necrose focal em baço, hiperplasia das células de Kupffer, nefrite intersticial.

O parasita pode ser observado em pulmão, medula óssea, baço, fígado e músculo cardíaco.

Diagnósticos diferenciais

Erliquiose, babesiose, rangeliose, anaplasmose.

 

Terapia inicial

Não há fármacos que eliminem comprovadamente o Hepatozoon.

Pode se obter melhora clínica com o uso de Dipropianato de Imidocarb (5 a 6,6 mg/kg/subcutâneo, 2 a 4 doses com intervalo de 14 dias); doxiciclina (10 mg/kg/via oral, uma vez ao dia, por 21 dias) ou sulfadiazina + trimetoprina (15 a 30 mg/kg/ a cada 12 ou 24 horas) associada a clindamicina (10 mg/kg/ a cada 8 horas), por 14 dias.

Terapia de suporte e manutenção

Controle de carrapatos.

Prognóstico

Normalmente favorável a reservado.

O prognóstico é influenciado pela espécie do parasita, condição geral do animal, idade e coinfecções.

Literatura recomendada

AGUIAR, D.M. hepatozoonose. In: MEGID, J.; RIBEIRO, M.G.; PAES, A.C. Doenças infecciosas em animais de produção e de companhia. Rio de Janeiro, ed. Roca, 2016.

AGUIAR, D.M.; RIBEIRO, M.G.; SILVA, W.B.; DIAS JR, J.G.; MEGID, J.; PAES, A.C. Hepatozoonose canina: achados clínico-epidemiológicos em três casos Arquivo Brasileiro Med.Vet. Zootec., v.56, n.3, p.411-413, 2004 

ALMEIDA, A.P. FMVZ Pesquisa de Rickettsia, Ehrlichia, Anaplasma, Babesia, Hepatozoon e Leishmania em Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) de vida livre do Estado do Espírito Santo 2011. 88. f.. Dissertação (Mestrado). Epidemiologia Experimental e Aplicada ás Zoonoses, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.

O'DWYER, L.H. Brazilian canine hepatozoonosis. Rev. Bras. Parasitol. Vet. (Online) vol.20 no.3 . 2011. http://dx.doi.org/10.1590/S1984-29612011000300002 

SPOLIDORIO, M.G.; TORRES, M.M.; CAMPOS, W.N.S.; MELO, A.L.T.; IGARASHI, M.; AMUDE, A.M.; LABRUNA, M.B.; AGUIAR, D.M. Molecular detection of Hepatozoon canis and Babesia canis vogeli in domestic dogs  from Cuiabá, Brazil. Rev. Bras. Parasitol. Vet., v. 20, n. 3, p. 253-255, 2011.

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