Gastroenterite Hemorrágica idiopática

Dr Fernando Maschio

Ultima atualização: 06 JAN DE 2020

Nomenclatura (sinônimos)

Enterocolite Hemorrágica aguda

Nome em inglês

Hemorrhagic Gastroenteritis

Definição

Consiste em uma síndrome aguda, com ocorrência superior em cães, caracterizada por vômito agudo e diarreia sanguinolenta. 

Fisiopatologia

Caracteriza-se por perda aguda da integridade da mucosa intestinal com a presença de sangramentos generalizados.

A desidratação e até mesmo o choque hipovolêmico podem ocorrer rapidamente.

Devido a deficiência da barreira fornecida pela mucosa, pode ocorrer translocação bacteriana e em seguida choque séptico ou endotóxico.

Etiologia

A etiologia continua desconhecida, contudo, associa-se sua ocorrência a possíveis causas como reação de hipersensibilidade do tipo I ou infecção por Clostridium perfringens

Maior ocorrência (raça. idade, gênero, localização geográfica)

Espécie: Caninos

Raças e idade:  Ocorre mais comumente em animais acima de 5 anos e quaisquer raça, contudo, raças de pequeno porte como por exemplo Schnauzer, Daschund, Yorkshire Terrier e Poodle possuem uma maior ocorrência. 

Achados de anamnese

Normalmente o histórico é de prostração, anorexia seguido de vômitos e diarreia contida de sangue. 

Manifestações clínicas

O mais comum sinal clínico está relacionado a diarreia sanguinolenta severa.

Junto à hemorragia podemos encontrar hipotermia, desidratação, mucosas hipocoradas ou cianóticas, sendo que estes sinais podem evoluir rapidamente, podendo levar o animal ao óbito.

 

Procedimentos diagnósticos

O diagnóstico começa com um minucioso exame físico da cavidade oral.

O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos e utilização de exames hematológicos complementares, sendo característica a presença de hemoconcentração (hematócrito acima de 55%) devido à desidratação. 

Diagnósticos diferencias

  • Parvovirose
  • Enterite bacteriana
  • Corpo estranho intestinal
  • Pancreatite
  • coagulopatia

Terapia inicial

A correção da desidratação através de fluidoterapia agressiva é muito importante, evitando o choque hipovolêmico, a coagulação intravascular disseminada devido a hipoperfusão e diminuir a agressão renal devido à hipovolemia.

Torna-se interessante o controle do vômito através de antieméticos e a utilização de protetores de mucosa gástrica a fim de evitar a formação de ulceras gástricas.

A administração de antibióticos torna-se importante mediante à translocação bacteriana, evitando a instalação de sepse.

Terapia de manutenção

O paciente deve ser monitorado constantemente, seus níveis hematológicos devem ser checados constantemente.

A atividade deve ser limitada, sendo reestabelecida no decorrer do tratamento.

 

Prognóstico

Quando a intervenção é rápida o prognóstico costuma ser bom. Recidivas são relatadas em cerca de 10% dos casos.

Literatura recomendada

ABD EL-BAKY ABEER A., MOUSA S. A.; KELANY W. M.  Diagnosis of hemorrhagic gastroenteritis in dogs BIOSCIENCE RESEARCH, 14(4): 1223-1229, 2017.

 

GUILFORD WG, STROMBECK DS: Acute gastritis. In Guilford WG, Center SA, Strombeck DR, et al, editors: Strombeck’s small animal gastroenterology, ed 3, Philadelphia, 1996.

HALL J.H, SIMPSOM K.W. Disease of the small intestine. In: Ettinger S. J, Feldman E.C. eds. Textbook of veterinary internal medicine, 5th ed. Philadelphi: Saunders, 2000, 1214-1215.

 

SASAKI J. et al. Hemorrhagic enteritis associated with Clostridium perfringens type A in a dog. J Vet Med Sci. 1999 Feb;61(2):175-7.

 

SPIELMAN, B.L.; GARVEY, M.S. Hemorrhagic gastroenteritis in dog. Journal of the American Animal Hospital Association; 29, 341-344; 1993.

 

WASHABAU, R. J.; HOLT, D. E. Pathophysiology of gastrointestinal disease. In: SLATTER, D. Textbook of small animal surgery. 3rd ed. Philadelphia: Saunders, 2003. v. 1, p. 530-552.

Educação ao cliente

A gastroenterite hemorrágica idiopática, trata-se de uma disfunção gástrica que têm como complicador o aparecimento de sangue nas fezes.

Diferente das causadas por vírus como a parvovirose, está não tem uma causa conhecida.

Ocorre mais comumente em cães acima de 5 anos e quaisquer raça, contudo, raças de pequeno porte como por exemplo Schnauzer, Daschund, Yorkshire Terrier e Poodle possuem uma maior ocorrência. 

O principal sinal demostrado pelo seu cão é a diarreia sanguinolenta, contudo, ele também pode apresentar extremidades frias, tremores, dificuldade de se alimentar e mucosas pálidas.

Caro tutor, esta é uma doença que evolui rapidamente, portanto, assim que o seu pet apresentar qualquer um destes sinais levo-o ao profissional médico veterinário de sua confiança.

Atenção aos detalhes é sempre importante, eles vão auxiliar o médico veterinário à diferenciar esta doença de outras que também promovem o aparecimento de sangue nas fezes. 

O diagnóstico é realizado pelo médico veterinário através do histórico e exames complementares como exames de sangue e testes específicos para outros microorganismos, como o parvovírus.

O tratamento é paliativo aos sinais clínicos, sendo que o clínico dará atenção principalmente a fatores como desidratação e o controle de infecções secundária.

O paciente deve ser monitorado constantemente, seus níveis hematológicos devem ser checados constantemente.

A atividade deve ser limitada, sendo reestabelecida no decorrer do tratamento.

Quando a intervenção é rápida os animais geralmente se recupera bem. O aparecimento de novos episódios de diarréia são relatadas em cerca de 10% dos casos.

 

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