Espirocercose

Dra Caroline B. Lima

Ultima atualização: 21 JAN DE 2020

Nomenclatura

Spirocerca lupi, Espirocercose, Nematóides

Nome em Inglês

Spirocercosis

Definição

A espirocercose é uma parasitose causada pelo nematoide hematófago Spirocerca lupi, que provoca lesões em esôfago, estômago e aorta de cães e raramente gatos.

Fisiopatogenia

Os parasitas adultos põem ovos que ganham a luz do esôfago ou estômago, através de pequenas fístulas nos granulomas, os ovos alcançam o meio exterior junto com as fezes e são ingeridos por besouros coprófagos e lá viram larvas infectantes.

Os besouros podem ser ingeridos por anfíbios, répteis, aves ou pequenos.

A infecção do cão ou gato (mais raramente) acontece através da ingestão de besouros coprófagos ou hospedeiros paratênicos infectados.

As larvas são liberadas no estômago e penetram na mucosa, migrando pela parede das artérias gástricas e celíacas até alcançar a aorta torácica de onde migram para o esôfago.

As lesões causadas pelo S. lupi ocorrem devido a migração e permanência de larvas ou parasitos adultos nos tecidos.

Os vermes adultos são encontrados em nódulos na parede do esôfago, aorta, estômago e outros órgãos.

No esôfago o parasito estimula a formação de granulomas e esofagite, essas formações esofágicas têm grande chance de culminar em um processo neoplásico maligno (sarcoma).

Na aorta torácica, os achados mais frequentes são os aneurismas aórticos (a reação inflamatória local leva a perda da elasticidade e espessamento da artéria) que são muito relacionados com o quadro de Espirocercose. 

Etiologia

O Spirocerca lupi é um nematoide de coloração avermelhada e com extremidades afiladas que medem de 3 a 8 cm de comprimento.

Os vermes adultos se instalam no interior de nódulos fibrosos, de vários centímetros de diâmetro nas paredes do esôfago, estômago e da aorta (menos comum).

Esses helmintos também podem se alojar em outros lugares durante sua migração.

A infecção dos carnívoros ocorre através da ingestão de besouros coprófagos ou algum vertebrado contaminado que atua como hospedeiro paratênico (serve de refúgio temporário ou transporte para o verme).

 

Maior ocorrência (raça, idade, gênero, localização geográfica)

É um parasita de cães, mas já observado em carnívoros selvagens e raramente, no homem, em gatos e em outros animais domésticos, que são considerados hospedeiros definitivos.

Esta parasitose ocorre em países de clima tropical e subtropical e nas áreas endêmicas pode acometer até em 100% dos cães errantes.

 

Achados da Anamnese

Os proprietários irão referir disfagia e regurgitação e frequentemente os animais terão hábito de comer besouros ou caçar pequenos animais.

Há também a possibilidade desses animais serem alimentados com vísceras cruas de aves silvestres ou galinhas criadas extensivamente.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas dependem da carga parasitária e geralmente são inespecíficas, mas é possível notar emagrecimento, anemia, disfagia, tosse, êmese, regurgitação, síncope, dispneia, sinais neurológicos (pela migração dos vermes na medula) e presença de neoformações esofágicas.

Em casos graves de aneurisma aórtico a ruptura desse vaso pode levar a morte súbita.  

Procedimentos diagnósticos (imagens de ex complementares)

Suspeitar da doença em cães e gatos de locais endêmicos para a doença é que tem o hábito de caçar besouros ou outros pequenos animais.

A radiografia de esôfago (cervical e torácico) pode ajudar e será possível observar opacificação nodular no mediastino em região de projeção esofágica e aneurismas em aorta. 

A endoscopia também é uma ótima opção para avaliação da mucosa esofágica e gástrica e para ver se há presença de granulomas nestas regiões.

O exame coproparasitológico também é valido, porém, é comum ter falsos negativos.

Diagnósticos Diferenciais

Neoplasias esofágicas ou gástricas, megaesôfago, esofagite, gastrites comuns, pneumonia, outras verminoses.

Terapia inicial

Para o tratamento são usadas ivermectina – 0,2 mg/kg, levamisol 10mg/kg ( via IM durante 3 dias seguidos e reaplicar três vezes com intervalo de 3 semanas) ou disofenol sódico 10 mg/kg em duas doses, com intervalo de uma semana. 

Pode ser necessária a remoção no granuloma ou da neoplasia esofágica, mas essa é uma cirurgia complicada devido à dificuldade de cicatrização esofágica, particularmente nesse contexto.

Terapia de suporte e manutenção

É preciso corrigir o estado de desnutrição e se necessário terapia de suporte (fluidoterapia, antibioticoterapia, antieméticos, protetores gástricos).

Para a prevenção pode se utilizar doramectina (400 ug/kg) em áreas endêmicas. 

O controle se baseia no recolhimento rotineiro das fezes, tratamento e combate aos hospedeiros intermediários e paratênicos.

Prognóstico

Mau, devido a evolução geralmente fatal e dificuldade no tratamento.

Literatura Recomendada

MORAILLON, R., et al. Manual Elsevier de veterinária: Diagnóstico e tratamento de cães, gatos e animais exóticos. Dagli C, Guerra JM, Fernandes NCCA, Oloris SCS, Hernandes TD. Aves doenças infecciosas. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elservier, 2013.

 

CANEZIN, Renato, et al. ESPIROCERCOSE: REVISÃO DE LITERATURA, 2008.

 

RIBEIRO, Vitor Márcio. Controle de helmintos de cães e gatos. Rev Bras Parasitol Vet, 13.Suppl 1: 88-95, 2004.

Educação aos Tutores

A espirocercose é uma parasitose causada pelo nematoide hematófago Spirocerca lupi, que provoca lesões em esôfago, estômago e aorta de cães e raramente gatos.

Essas lesões podem evoluir e se tornar um tipo de tumor maligno, sendo que o prognóstico é mau em animais com esse tipo de lesão.

A infecção do cão ou gato (mais raramente) acontece através da ingestão de besouros que se alimentam de fezes ou pequenos mamíferos contaminados com a larva desse parasita que ao chegar no estômago do cão/gato migra até a parede do esôfago, do próprio estômago ou da artéria aorta e lá formam cistos que podem se transformar num tipo de câncer.

As manifestações clínicas geralmente são inespecíficas, mas é possível notar emagrecimento, anemia, dificuldade de engolir, tosse, vômito, regurgitação, desmaios, dificuldade de respirar, sinais neurológicos (pela migração dos vermes na medula) e presença de neoformações esofágicas (em casos graves quando há instalação do parasita na aorta, esse vaso pode se romper causando morte súbita).

O diagnóstico é feito através de exames e imagem (radiografias, endoscopia) e exames de fezes.

O tratamento é difícil e inclui o uso de antiparasitários e até mesmo remoção cirúrgica da formação esofágica.

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