Efusão Pericárdica

Dr Cesar Martins de Souza

Ultima atualização: 29 FEV DE 2020

Nomenclatura (sinônimos)

Efusão pericárdica

Tamponamento cardíaco

Derrame pericárdico

Nome em inglês

Pericardial effusion

Definição

É o acúmulo (discreto, moderado ou importante) de fluido na cavidade pericárdica que pode levar ao tamponamento cardíaco.

Tamponamento cardíaco é quando ocorre prejuízo no preenchimento ventricular, resultado da alta pressão intrapericárdica causada pela efusão.

Fisiopatologia

A efusão pericárdica só causa alteração clínica quando gera tamponamento cardíaco.

Conforme a pressão intrapericárdica aumenta, pressiona o ventrículo direito (que normalmente opera com pressões mais baixas, em relação ao lado esquerdo), não conseguindo realizar seu preenchimento adequadamente.

Com a diminuição da pré carga (enchimento) do ventrículo direito, menos sangue é enviado para o pulmão e, consequentemente menos sangue chega ao lado esquerdo para ser enviado ao resto do corpo, resultando em diminuição da pressão arterial sistêmica e ativação dos mecanismos compensatórios (principalmente tônus simpático).

Simultaneamente, o coração não consegue realizar adequadamente o esvaziamento dos reservatórios venosos e a pressão atrial direita aumenta, podendo resultar em sinais de insuficiência cardíaca congestiva direita.

Não é o volume de derrame pericárdico que define a gravidade da doença.

Acúmulos agudos de líquido podem causar severo tamponamento.

Etiologia

A causa mais comum da efusão pericárdica é a presença de neoplasias cardíacas ou pericárdicas.

Também pode ocorrer por pericardite (inflamatória, infecciosa ou idiopática), insuficiência cardíaca congestiva, hipoalbuminemia, intoxicação entre outras causas. 

Maior ocorrência (raça, idade, gênero, localização geográfica)

Como a maioria dos pacientes com efusão pericárdica possuem neoplasia cardíaca, normalmente os pacientes afetados são de raças grandes, como Goldens Retrievers, Labradores, Pastores alemães.

Pacientes com doenças cardíacas congestivas graves (principalmente gatos) podem apresentar uma quantidade discreta a moderada de efusão pericárdica, no entanto, esses pacientes normalmente NÃO possuem tamponamento cardíaco.

Achados de anamnese

A grande maioria dos pacientes diagnosticados com efusão pericárdica (com tamponamento cardíaco) são admitidos tendo ascite como manifestação clínica.

Dependendo do grau e do tempo de tamponamento cardíaco, o paciente também pode apresentar, cansaço, dispneia, indisposição e hiporexia.

Manifestações clínicas

Ao exame físico, o paciente pode apresentar membros gelados e hipofonese de bulhas cardíacas, aumento de volume abdominal e mucosas hipocoradas.

Procedimentos diagnósticos (imagens de ex complementares)

O exame ouro para avaliação da efusão pericárdica e tamponamento cardíaco é o ecodopplercardiograma.

É o único exame capaz de verificar o grau de tamponamento, bem como a quantidade de derrame pericárdico.

Além disso, o eco consegue identificar a presença de neoplasias cardíacas.

O eletrocardiograma não auxilia muito na identificação da avaliação de alterações pericárdicas.

Em casos de tamponamento grave pode ser identificado alternância elétrica (mudanças na amplitude do complexo QRS) no traçado eletrocardiográfico.

Radiografias torácicas também conseguem avaliar importantes aumentos no tamanho da silhueta cardíaca que podem indicar acúmulos importantes de líquidos, no entanto, em casos de acúmulos menores, não é possível precisar se o paciente apresenta acúmulo de líquido pericárdico ou cardiomegalia.

Diagnósticos diferenciais

Cardiopatias em geral

Hipoalbuminemia

Terapia inicial

Inicialmente, deve-se avaliar se há ou não tamponamento cardíaco causado pela efusão pericárdica.

Em casos de tamponamento cardíaco NÃO há tratamento medicamentoso.

O mecanismo de ação dos diuréticos (furosemida) faz com que a pressão caia muito antes de conseguir reduzir o derrame pericárdico, podendo levar o animal a uma piora no quadro, até ao choque circulatório e subsequente óbito. 

Assim que diagnosticado o tamponamento cardíaco, deve-se realizar a pericardiocentese o mais rápido possível. 

A pericardiocentese é um procedimento ambulatorial que visa retirar o líquido no saco pericárdio.

Recomenda-se puncionar o pericárdio pelo hemitórax esquerdo (com intuito de evitar as coronárias mais importantes) utilizando um cateter adequado para o tamanho do paciente.

Pode ser realizado em decúbito lateral ou esternal.

É indicado utilizar uma torneira de 3 vias, porque alguns pacientes podem acumular volumes maiores que 200 ml no pericárdio.

Sempre monitorar todo o procedimento com um monitor cardíaco, porque, conforme a drenagem for acontecendo, o cateter pode encostar no miocárdio que responderá com extrassístoles ventriculares.

Essas arritmias normalmente são auto limitantes mas indicam que o cateter deve ser afastado para evitar complicações maiores.

É importante salientar que a maioria dos pacientes apresentam ascite também, é indicado realizar a abdominocentese antes de realizar a drenagem pericárdica.

Terapia de suporte e manutenção

A terapia de manutenção envolve o diagnóstico da causa base.

Pode ser por quimioterapia, tratamento de infecções, suporte , etc

A pericardiocentese pode ter que ser realizada outras vezes, e se tiver que ser realizada muitas vezes em um intervalo de menos de 1 mês, deve ser cogitada a pericardectomia que consiste basicamente em remoção do saco pericárdio para impedir novos acúmulos. 

Prognóstico

O prognóstico depende da causa base do derrame pericárdico.

Se o paciente possuir uma neoplasia cardíaca, o prognóstico é ruim, porém se for por um trauma por exemplo, o prognóstico é reservado a bom. 

Literatura recomendada

Tratado de Medicina Interna Veterinária – Ettinger

Small Animal Cardiovascular Medicine – Kittleson e Kenle

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