Cardiomiopatia dilatada, DCM

Dr Cesar Martins de Souza

Ultima atualização: 24 AGO DE 2020

Nomenclatura (sinônimos)

Cardiomiopatia dilatada, DCM 

 

Nome em inglês

Dilated cardiomyopathy

Definição

É uma doença hereditária, de progressão lenta caracterizada por dilatação ventricular (esquerda e/ou direita) e perda de função sistólica sem nenhuma sobrecarga de volume ou alteração coronariana.

Fisiopatologia

A doença consiste em perda primária de função sistólica ventricular.

Sendo assim, há uma diminuição da capacidade cardíaca de ejetar o sangue, causando uma diminuição do débito cardíaco e subsequente ativação dos sistemas compensatórios, resultando em insuficiência cardíaca.

Com a progressão da doença, a função ventricular deteriora cada vez mais e há uma sobrecarga de volume no coração resultando em dilatação das 4 câmaras e insuficiência cardíaca congestiva.

Arritmias cardíacas também são muito comuns na cardiomiopatia dilatada, tanto supraventriculares (quando há dilatação cardíaca) e ventriculares (que podem aparecer de maneira importante até em cães com coração de tamanho normal).

Etiologia

A causa definitiva da cardiomiopatia dilatada permanece como alvo de debate ainda hoje.

Embora já tenha sido evidenciado que alguns fatores nutricionais (p.ex. gatos que não recebam suplementação de taurina, possuem maior chance de desenvolver DCM) e infecciosos também influem para o aparecimento da doença, a hereditariedade parece ser algo importante. 

Maior ocorrência (raça, idade, gênero, localização geográfica)

A doença é muito mais comum em cães de raças grandes e gigantes como Dobermann, Dogue alemão, Fila brasileiro, etc.

O Cocker americano é uma raça de médio porte que também pode apresentar a DCM.

A maioria dos cães é diagnosticado entre 5 a 7 anos (embora alguns cães podem começar a apresentar alterações antes mesmo dos 2 anos de vida), sendo que os machos tendem apresentar manifestações clínicas de forma mais importante.

Achados de anamnese

A maioria dos cães podem apresentar, perda de peso, cansaço fácil, indisposição e sinais de insuficiência cardíaca congestiva como ascite, dispneia, edema de membros, síncope e morte súbita. 

Manifestações clínicas

Existem 2 formas de apresentação da DCM:

A forma clássica, na qual o paciente apresenta insuficiência cardíaca grave, dilatação cardíaca, ascite, perda de peso, dispneia, emagrecimento, etc.

A segunda forma é quando animal aparentemente não possui nenhuma alteração – a forma oculta.

O paciente não possui nenhuma alteração marcante aos olhos do tutor, no entanto já pode apresentar alterações ecocardiográficas e/ou arritmias ventriculares.

O problema da segunda forma é que as vezes o paciente pode apresentar morte súbita como primeira manifestação clínica.  

Procedimentos diagnósticos

É recomendada realização de exames para avaliação de DCM de cães (principalmente em Dobermanns) a partir dos 3 anos de vida, anualmente, por toda a vida do animal já que uma avaliação pontual não pode descartar o aparecimento da enfermidade.

É recomendado a realização do exame ecodopplercardiográfico e holter 24 horas.

Como a apresentação da doença pode ser apenas como dilatação e/ou com arritmias cardíacas, idealmente os dois exames devem ser realizados. 

Exames auxiliares como eletrocardiograma de superfície, biomarcadores podem auxiliar em lugares em que o ECO e o holter não estão disponíveis, porém são menos sensíveis. 

Testes genéticos, parecem funcionar bem nos Estados Unidos, porém não mostram a mesma eficácia nos estudos europeus.

Não possuímos tais comparativos no Brasil.

Diagnósticos diferenciais

Miocardite, endocardiose ou outras alterações cardíacas. 

Terapia inicial

A terapia inicial depende da manifestação clínica do paciente.

Se o paciente estiver em insuficiência cardíaca congestiva, é indicado estabilizar o paciente com:

Furosemida (IM ou IV) na dose de 2 – 4 mg/kg, podendo ser repetida a cada 1 ou  2 horas (recomenda-se evitar doses maiores de 8 mg/kg ao dia).

Pimobendam (VO) na dose de 0,3 mg/kg deve ser usado já que a base da enfermidade é a disfunção sistólica

Amiodarona (VO) na dose de 5 a 7,5mg/kg/ dia pode ser usada em pacientes com arritmias ventriculares.

Também pode ser usada por via endovenosa em casos mais graves, porém reações como anafilaxia podem acontecer.

Terapia de suporte e manutenção

A terapia inicial deve ser mantida.

Alguns estudos sugerem uso de carvedilol em pacientes com a forma oculta, porém o uso é contraditório e alguns estudos não mostraram benefícios. 

O uso de espironolactona na dose de 2 mg/kg a cada 24 horas provou aumentar a sobrevida em cães com endocardiose, então algumas pessoas utilizam também na DCM. 

Os pacientes devem continuar em monitoramento e outras complicações como fibrilação atrial podem ocorrer e serem tratadas quando presentes.

Prognóstico

Por ser uma doença do músculo cardíaco o prognóstico normalmente é reservado a mau, com uma sobrevida de apenas de 1 a 2 anos. 

Literatura recomendada

J Vet Intern Med. 2007 Nov-Dec;21(6):1272-9.

Carvedilol In Dogs With Dilated Cardiomyopathy.

 

European Society Of Veterinary Cardiology Screening Guidelines For Dilated Cardiomyopathy In Doberman Pinschers

 

Retrospective Evaluation Of The Use Of Amiodarone In Dogs With Arrhythmias (From 2003 To 2010)

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