Avulsão do plexo braquial e/ou raiz nervosa

Claudia Inglez

Ultima atualização: 16 FEV DE 2020

Nomeclatura (sinônimos):

Ruptura do plexo braquial, neuropraxia, axonotmese, neurotmese

Nome em inglês:

Brachial plexus/nerve root avulsion

Definição:

Condição traumática resultante da lesão por tração na qual as raízes nervosas que originam o plexo braquial podem ser tracionadas ou arrancadas da medula espinhal.

Fisiopatologia:

O plexo braquial origina os nervos que suprem os membros torácicos. É formado comumente por ramos ventrais dos nervos espinhais C6, C7, C8, T1 e T2. A severa abdução do membro torácico em relação ao tronco gera uma tensão excessiva nas raízes nervosas que originam o plexo braquial, podendo ocorrer fenômenos de estiramento, ruptura ou avulsão, arrancando-as de suas inserções na medula espinhal. A lesão também pode ocorrer no próprio plexo braquial, embora as raízes sejam mais vulneráveis. As raízes motoras ventrais são mais suscetíveis que as raízes sensitivas dorsais, mas ambas podem ser afetadas.  As lesões podem gerar morte axonal e degeneração de mielina. Pode ocorrer também a formação de neuromas na tentativa de regeneração do nervo, que pode ser responsável por reações sensitivas anormais.

 

Etiologia:

Traumática (quedas, acidentes automobilísiticos)

Espécies, raças, sexo,e idade de maior prevalência:

Não há.

Anamnese:

Impotência funcional aguda do membro torácico, após evento traumático.

 

Manifestações clínicas

  • Dependem da localização e gravidade da lesão.
  • Atrofia muscular é notada após 5-7 dias de trauma.
  • Pode- se notar síndrome de Horner ipsilateral por lesão na inervação simpática que sai do canal vertebral nas vértebras torácicas mais craniais.
  • O reflexo cutâneo do tronco pode estar ausente ipsilateral, por acometer o nervo torácico lateral que é formado pelas raízes C8-T1.
  • Auto-mutilação pode ocorrer pela alteração da função sensitiva.
  • Lesões envolvendo as raízes C6-7 promovem sinais de danos ao nervo supraescapular, ou seja, a locomoção permanece inalterada e nota-se atrofia dos músculos supraescapular e infraescapular.
  • Lesões envolvendo as raízes de C6-8 promovem sinais de danos ao nervo musculocutâneo, ou seja, incapacidade de flexionar o cotovelo e ombro, porém ainda com capacidade de sustentação do peso no membro. O reflexo de retirada pode estar presente, porém diminuído.
  • Lesões envolvendo as raízes de C7-T1 promovem sinais de danos ao nervo radial, caracterizada por perda da força extensora, ou seja, incapacidade de sustentação no peso no membro afetado, que apresenta paresia ou paralisia. Se a função das raízes do nervo musculocutâneo estão preservadas, o paciente pode conseguir flexionar o cotovelo. Caso contrário, fará lesões abrasivas na porção dorsal da extremidade do membro. A sensação cutânea pode estar ausente na superfície cranial do antebraço e extremidade

 

Procedimentos diagnósticos e resultados esperados:

  • O diagnóstico é baseado no histórico de trauma e nos achados do exame neurológico
  • Testes eletrodiagnósticos são úteis para verificar a gravidade da lesão, sua distribuição, estabelecer prognóstico e ainda monitorar a reinervação.
  • Tomografia computadorizada e ressonância magnética podem permitir a visualização das estruturas danificadas

Diagnósticos diferenciais:

  • Hérnia de disco intervertebral lateralizada (sinais progressivos, comumente com dor)
  • Embolia fibrocartilaginosa
  • Tumor da bainha nervosa (evolução mais lenta e progressiva)
  • Sinais contralaterais ou nos membros pélvicos estariam presentes somente nas afecções envolvendo a medula espinhal (hérnia de disco, embolia firocartilaginosa).

Terapia inicial:

  • Em geral, antiinflamatórios e analgésicos são indicados para aliviar a inflamação e a dor.
  • A fisioterapia deve ser iniciada nos estágios iniciais após a lesão, a fim de manter a amplitude de movimento e minimizar a atrofia muscular.
  • Se a lesão produzir monoparesia e trauma à porção dorsal da pata, a mesma deve ser protegida com botas, talas ou bandagens especiais disponíveis comercialmente.
  • Indicações potenciais para amputação do membro acometido são a presença de auto-mutilação (possivelmente causada por parestesias), contraturas articulares e presença de feridas contaminadas por traumas devido à locomoção.

Prognóstico:

  • O principal fator preditivo para recuperação é a presença de percepção da dor. Em cães com função motora parcial, o resultado pode ser ligeiramente melhor do que em cães com monoplegia, mas a função motora é menos preditiva de recuperação funcional do que a presença ou ausência de percepção da dor. Tais casos devem ser monitorados por meses antes de se estabelecer um prognóstico definitivo. A recuperação é favorável em casos onde a lesão nervosa não foi completa, podendo haver a reinervação do músculo. Se a função motora não recuperou em 8 meses, provavelmente não ocorrerá. Feridas graves ou automutilição podem não permitir esse período de espera, e a amputação do membro pode ser considerada.

Literatura recomendada:

Dickinson PJ: Thoracic Limb Trauma: Examination Tips. Veterinary Neurology Symposium 2006.

Faissler D, Cizinauskas S, Jaggy A: Prognostic Factors For Functional Recovery In Dogs With Suspected Brachial Plexus Avulsion. ACVIM Proceedings 2002.

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