Aspergilose Nasal

Dr Maurício Piovesan Henrique

Ultima atualização: 21 JAN DE 2020

Nomenclatura (sinônimos)

Aspergilose localizada

Nome em inglês

Nasal aspergillosis

Definição

Por definição, a aspergilose nasal refere-se à doença causada por fungos do gênero Aspergillus na cavidade nasal e tecidos adjacentes. 

 

Fisiopatologia

A aspergilose nasal pode apresentar-se de duas maneiras: na forma não-invasiva e na forma invasiva. 

Na forma não-invasiva, após a aspiração do fungo, ocorre a formação de um aspergiloma na cavidade nasal do animal, porém não há invasão para a camada mucosa.

Já na forma invasiva, mais comumente observada, ocorre destruição da mucosa, com acometimento inclusive de seios paranasais, tecidos moles periorbitais e ossos adjacentes.  

Nos gatos, ao contrário dos cães, as vias aéreas inferiores costumam ser mais atingidas. 

Ressalta-se que os esporos são inalados constantemente pela ampla distribuição ambiental do agente, e podem inclusive ser encontrados na cavidade nasal de cães sadios.

Assim, normalmente há desenvolvimento de doença naqueles animais imunocomprometidos. 

Etiologia

Existem mais de 180 espécies para o gênero Aspergillus, todas sapróbias e oportunistas. São microrganismos aeróbios, alguns altamente resistentes ao calor e à dessecação, e crescem em todos os meios comuns empregados em laboratório.

Tais agentes podem ser isolados de matéria orgânica, solo, água, detritos vegetais e ar atmosférico – trata-se de um agente cosmopolita. 

Para cães e gatos, as espécies de maior importância como causadoras de aspergilose são A. fumigatus e A. terreus, sendo o primeiro mais relacionado à aspergilose nasal. 

Maior ocorrência (raça, idade, gênero, localização geográfica)

Os fungos do gênero Aspergillus apresentam distribuição mundial, com elevada importância especialmente em países de clima quente.

Em comparação com a literatura mundial, são escassos os relatos de aspergilose em cães e gatos no Brasil, o que dificulta a análise epidemiológica acurada. 

Cães de qualquer idade podem manifestar a doença, porém em 40% dos casos os animais apresentam até três anos de idade.

Raças dolicocefálicas e mesaticefálicas são as mais acometidas, sendo a aspergilose rara em raças braquicefálicas. Quanto ao sexo, machos aparentemente são mais acometidos.

Em gatos, a ocorrência da doença é extremamente rara. 

Achados de anamnese

Normalmente, a suspeita diagnóstica se inicia na resenha: geralmente, há uma maior predisposição em cães, especialmente os da raça Pastor Alemão, jovens. Com relação à queixa principal, podem ser referidos progressiva deformidade facial, ocorrência de secreções nasais uni ou bilaterais de aspecto mucoso, purulento ou até hemorrágico, além de despigmentação/ulceração em narinas. 

Outra informação bastante relevante obtida em anamnese é quanto à possibilidade de eventos imunossupressores no animal: utilização de corticóides ou outros imunomoduladores (azatioprina, micofenolato, etc), ocorrência concomitante de outro agravo sistêmico (especialmente doenças neoplásicas), quimioterapia em curso, antibioticoterapia prolongada ou má nutrição. 

 

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas mais comumente observadas e associadas à aspergilose nasal são descarga nasal mucopurulenta ou serosanguinolenta (unilateral ou bilateral), despigmentação e/ou ulcerações das partes externas das narinas e desconforto facial, com dor. Em casos mais graves, pode ocorrer deformidade facial, decorrente de osteomielite dos seios paranasais.

Procedimentos diagnósticos

  • Exames laboratoriais

 

Eventualmente, é possível observar leucocitose por neutrofilia com monocitose. Demais exames bioquímicos não revelam alterações significativas. 

 

  • Exames de imagem

 

No exame radiográfico, poderá ser revelada perda de definição óssea nos ossos do crânio. A tomografia computadorizada e ressonância magnética são mais acuradas para definir a extensão da lesão, inclusive para a avaliação da integridade da placa cribiforme. 

Também é possível lançar mão da rinoscopia, que pode permitir a visualização direta das colônias fúngicas na mucosa nasal, que apresentam-se como placas de coloração branca a cinza-esverdeada.

 

  • Exame histopatológico

 

No exame histopatológico, a partir de fragmentos nasais, poderá ser visualizada necrose do epitélio nasal e placas espessas de exsudato fibrinopurulento com a presença de hifas de fungos. 

 

  • Testes sorológicos

 

A sorologia pode contribuir para o diagnóstico, a partir dos testes de difusão dupla em ágar gel, contraimunoeletroforese e ELISA. Porém, isoladamente, tais técnicas não são indicadas para o diagnóstico, pela ocorrência de falsos positivos e reatividade cruzada com Penicillium spp.

 

  • Cultivo e identificação

 

Fragmentos obtidos por biópsia podem ser cultivados em ágar Sabouraud dextrose com cloranfenicol. A identificação dos fungos é feita pelo tamanho e comprimento dos conidióforos, formato das vesículas, tamanho e forma das cadeias de conídios, além de outros critérios morfológicos.

Diagnósticos diferenciais

Como principais diagnósticos diferenciais para a aspergilose nasal, podemos citar neoplasias, corpos estranhos, extensão de doença dental, rinite alérgica e outras infecções causadas por vírus, bactérias e até outros agentes fúngicos, como a esporotricose. 

Terapia inicial

Atualmente,  aplicação de clotrimazol pela via tópica tem sido a estratégia terapêutica de escolha. É possível a aplicação deste agente antifúngico a partir de cateteres fixados às narinas, a cada 12 horas, durante 7 a 10 dias. 

Quando da escolha por antifúngicos sistêmicos para o tratamento da aspergilose nasal, o sucesso é limitado. A maior indicação desta modalidade terapêutica ocorre quando é identificado o acometimento da placa cribiforme – nestes casos, o agente de escolha é o itraconazol, pela via oral, na dose de 5 mg/kg a cada 12 horas, evitando-se a terapia tópica. A modalidade de terapia sistêmica pode levar mais de 3 meses para surtir efeito. 

 

Terapia de suporte e manutenção

A princípio, não são necessárias medidas de suporte clínico para o paciente com aspergilose nasal, na maioria dos casos.

Porém, ressalta-se a importância de realização de acompanhamento seriado da função hepática, quando do uso de antifúngicos sistêmicos. 

 

Prognóstico

Quando da ocorrência da forma nasal, o prognóstico é bom para o paciente canino, e mau para os gatos. 

 

Literatura recomendada

CARVALHO, Gabrielle Sousa. Aspergilose Pulmonar em Cão. 2013.

 

FERREIRA, Rafael Rodrigues et al. Infecções fúngicas do trato respiratório de cães e gatos Fungal infections of the respiratory tract of dogs and cats. Acta Scientiae Veterinariae, v. 35, n. 2, p. 285–288, 2007.

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