Ancilostomíase

Dra Caroline B. Lima

Ultima atualização: 24 AGO DE 2020

Nomenclatura

Ancilostomíase, helmintíase, verminose, amarelão, Doença do Jeca Tatu, opilação.

Nome em Inglês

Ancylostomiasis, hookworms.

Definição

Infecção causada por ancilostomídeos que parasitam o intestino delgado de cães, gatos e o homem.

Causam morbimortalidade e tem alta prevalência, principalmente, em cães e gatos jovens e de países com clima quente e úmido.

É responsável pelas zoonoses Larva migrans cutânea, enterite eosinofílica e miosite no homem.

Fisiopatologia

Cães e gatos se infectam por via oral, percutânea, transplacentária ou lactogênica e os ovos são liberados para o meio ambiente nas fezes do hospedeiro.

O modo de infecção mais comum é por via percutânea, na qual as larvas de terceiro estágio (L3) penetram a pele e vão a corrente sanguínea alcançando os pulmões.

Em seguida, elas podem migrar via somática ou traqueal (as larvas rompem os capilares pulmonares em direção aos alvéolos, sobem a árvore brônquica e traquéia indo para a boca, onde serão deglutidas e chegarão ao intestino delgado onde irão completar seu desenvolvimento).

Os parasitas se ancoram na mucosa intestinal por meio de sua grande cápsula bucal com dentes e causam uma lesão na mucosa para a espoliação sanguínea, já que esses vermes são hematófagos.

Os parasitas liberam enzimas anticoagulantes de glândulas localizadas em seu esôfago o que leva ao extravasamento de sangue até mesmo quando o verme se moveu para outro lugar. ]

Se o animal tiver grande carga parasitária, a perda de sangue diária pode ser grande o que pode causar ao animal um quadro de anemia e até mesmo a morte (principalmente em filhotes). 

Etiologia

No Brasil há maior prevalência de infecção em cães é por Ancylostoma caninum. Cães e gatos podem ser parasitados por Ancylostoma braziliensis e esta espécie apresenta maior risco de causar zoonose.

O gato é parasitado pelo Ancylostoma tubaeforme (em gatos a infecção costuma ser menos prevalente).

Maior ocorrência (raça, idade, gênero, localização geográfica)

Apresenta maior prevalência e morbimortalidade em cães e gatos jovens (até 1 ano) de países tropicais.

 

Achados de Anamnese

Os proprietários referem fezes com sangue, diarreia/fezes pastosas, tosse, espirro, secreções oculonasais, fraqueza, indisposição, ausência ou atraso no uso de vermífugos.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas dependem da carga parasitária, mas a infecção por centenas de parasitos é comum.

Pode ocorrer prurido intenso e erupções pápulo eritematosas (devido a penetração das larvas na pele), diarreia com sangue, dor abdominal, prostração e fraqueza.

Durante a fase de migração das larvas pelo trato respiratório será observado tosse, secreção nasal, febre e outros sinais de pneumonia.

 

Procedimentos diagnósticos (imagens de ex complementares)

O diagnóstico pode ser presuntivo, principalmente em infecções moderadas, mas podemos nos basear em dados de anamnese, sinais clínicos, hemograma (anemia normocítica-normocrômica que pode evoluir para microcítica-hipocrômica nas infecções crônicas com déficit de ferro) e exame coproparasitológico (três amostras durante três dias alternados).

Diagnósticos Diferenciais

Outras verminoses (toxocaríase, tricuríase, estrongiloidíase, dipilidiose), enterites virais, giardíase.

Terapia Inicial

Os anti-helmínticos mais utilizados no Brasil são os benzimidazois (fembendazol, febantel e flubendazol), as tetra-hidropirimidinas (pirantel) e as lactonas macrocíclicas (ivermectina, selamectina, milbemicina e moxidectina). 

 

Mebendazol 25mg/kg 3 dias seguidos via oral

Fembendazol 50mg/kg 3 dias seguidos via oral

Pamoato de Pirantel 15mg/kg via oral

Ivermectina 0,2-0,4mg/kg via oral

Selamectina 6mg/kg via transcutânea

Disofenol 7,5mg/kg via oral

 

Até os vermes imaturos chegarem ao intestino e se tornarem adultos eles demoram pelo menos 2 semanas, por isso, é necessário repetir a administração dos medicamentos após 15 dias.

Terapia de suporte e manutenção

Nos cães, a vermifugação deve ser iniciada antes das 3 semanas de idade, o ideal é realizar o tratamento com 2, 4, 6 e 8 semanas e continuar mensalmente até os 6 meses de idade.

Nos gatos, como não ocorre infeção pré-natal, a vermifugação pode começar na 3ª semana e se prolongar até a 9ª semana.

O ambiente deve ser descontaminado com uso de calor, água, água sanitária ou amônia quaternária.

Os animais devem ser monitorados com exames de fezes para verificar a eficácia do tratamento.

Em pacientes muito debilitados é necessária terapia de suporte de acordo com os sinais que o paciente estiver apresentando (ex. fluidoterapia, analgésicos, transfusão sanguínea).

Pode se realizar tratamentos periódicos em animais adultos, cerca de 2 a 4 vezes por ano.

Prognóstico

Bom se o paciente não estiver demasiadamente debilitado ou com infecções maciças.

Literatura recomendada

LEFKADITIS, M. Ancylostomiasis in dogs. Revista Scientia Parasitologica, 2001, 1: 15-22.

CAMPOS, Diefrey Ribeiro, et al. Capítulo 2-Ancilostomíase e toxocaríase em cães e gatos. Bruno Borges Deminicis Carla Braga Mar tins, 2013, 16.

JERICÓ, Márcia Marques; ANDRADE NETO, João Pedro de; KOGIKA, Márcia Mery. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2015.

MORAILLON, R., et al. Manual Elsevier de veterinária: Diagnóstico e tratamento de cães, gatos e animais exóticos. Dagli C, Guerra JM, Fernandes NCCA, Oloris SCS, Hernandes TD. Aves doenças infecciosas. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elservier, 2013.

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