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BLOG – Verminoses Caninas: será que estamos cientes de nosso papel essencial na prevenção e controle?

3 de novembro de 2025

As verminoses caninas continuam entre as principais causas de morbidade em cães e representam um desafio constante para nós veterinários. Além dos impactos diretos na saúde e bem-estar animal, muitas delas possuem potencial zoonótico, exigindo atenção redobrada na prevenção, diagnóstico e no manejo integrado.

Por que as verminoses ainda preocupam?

Mesmo com a ampla disponibilidade de antiparasitários nas lojas e pet shops, mesmo com as orientações sobre prevenção dadas por nós nas primeiras consultas, as infecções por vermes intestinais, pulmonares e cardíacos seguem prevalentes em varias partes do mundo. Isso ocorre porque o ciclo de vida dos parasitas envolve múltiplos hospedeiros e ambientes, tornando o controle complexo.

Além disso, temos as pulgas e carrapatos, atuando como vetores de doenças infecciosas e os ácaros causadores das sarnas, ampliando assim os riscos à saúde dos nossos pacientes e das pessoas que convivem com eles.

Sempre é bom lembrar!

Fonte: VERMINOSES CANINAS – UM GUIA PRÁTICO DE MANEJO E PREVENÇÃO

Principais parasitas e suas implicações clínicas

Sempre é bom lembrarmos e explicarmos aos tutores que os parasitas caninos podem ser divididos entre os ectoparasitas (pulgas, carrapatos e ácaros) e os endoparasitas (vermes intestinais, pulmonares e cardíacos).

Entre os vermes intestinais mais relevantes, temos:

  • Ancylostoma spp. → causa a ancilostomíase, caracterizada pelas enterites hemorrágicas e anemia. E em humanos, provoca a conhecida larva migrans cutânea ou bicho geográfico.
  • Toxocara canis → causa a toxocaríase, zoonose associada a larva migrans visceral e ocular e em cães pode causar vômito, emagrecimento e abdômen inchado.
  • Trichuris vulpis → provoca a tricuríase, com quadros de colite crônica e perda de peso.
  • Dipylidium caninum → transmitido por pulgas, causando incomodo ao animal (prurido anal).

Outras verminoses importantes, incluem:

  • Dirofilariose (Dirofilaria immitis), o “verme do coração”, transmitido por mosquitos e potencialmente fatal.
  • Angiostrongilose pulmonar (Angiostrongylus vasorum), que afeta o sistema respiratório e cardiovascular.
  • Espirocercose (Spirocerca lupi), que pode causar formações granulomatosas e, em casos crônicos, transformação neoplásica no esôfago.

Já quando falamos de ectoparasitas, sempre reforçar a importância do controle dos carrapatos, explicando que são vetores de doenças graves como erliquiose, babesiose, anaplasmose e hepatozoonose, enquanto que as pulgas estão associadas à dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP), a anemia e a transmissão de parasitas como o Dipylidium caninum.

Diagnóstico e monitoramento: base da medicina preventiva

Como clínicos devemos sempre estimular a medicina preventiva e pedir exames de rotina que devem incluir o exame coproparasitológico, sendo uma ferramenta essencial para o diagnóstico precoce e acompanhamento da eficácia da vermifugação.

Lembrar que o exame coproparasitológico periódico auxilia o clínico pois permite identificar infecções subclínicas e ajustar o protocolo antiparasitário conforme o risco e a resposta individual.

Nos casos de parasitos sistêmicos, como a dirofilariose e angiostrongilose, exames sorológicos e de imagem são fundamentais para o diagnóstico definitivo e monitoramento terapêutico.

Protocolos preventivos: ajuste conforme o perfil do paciente

Um ponto muito importante esquecido por muitos de nós é que a frequência da vermifugação deve ser individualizada, levando em conta o perfil de risco do animal e o contexto epidemiológico:

Cães caseiros (baixo risco):

  • Vive exclusivamente dentro de casa/apto ou sai raramente
    • Sem contato com outros cães ou parques
    • Não caça pássaros e roedores
    • Não consome dieta crua
    • Sem acesso a hospedeiros intermediários/paratênicos*
    • Sem acesso livre à rua ou a áreas rurais

Cães ativos (risco moderado):

  • Passeia na rua com o tutor
  • Frequenta parques, creches ou tem contato com outros cães
  • Eventual contato com animais ou ambientes de risco

Cães aventureiros (alto risco):

Acesso livre à rua ou a áreas rurais

  • Contato constante com outros animais e ambientes de risco
  • Caça pequenos animais ou insetos
  • Consome dieta crua com frequência
  • Alta chance de contato com hospedeiros intermediários/paratênicos*
  • Convive com crianças, idosos ou pessoas imunossuprimidas.

*Diferentes tipos de hospedeiros que um parasita (como os vermes) pode usar em seu ciclo de vida, como caramujos, lesmas, aves, roedores etc.

O protocolo de vermifugação pode ser realizado de 2 a 12 vezes ao ano, sempre baseado no estilo de vida e risco parasitário para o animal. Filhotes, cadelas gestantes ou lactantes e animais convivendo com crianças ou imunossuprimidos merecem atenção especial.

PROTOCOLO DE VERMIFUGAÇÃO PARA FILHOTES

Por terem maior risco de doença verminótica, nessa fase, os filhotes de cães demandam um protocolo de vermifugação diferenciado.

  • Recomendado iniciar a administração dos vermífugos a partir de duas semanas de idade e repetir a cada 15 dias até o desmame total (por volta das 8 semanas).
  • De 2 a 6 meses de idade – recomenda-se vermifugação mensal.
  • Após os 6 meses de idade – avalie o risco e recomende de acordo com o estilo de vida do animal e no risco de infecção a estes parasitas.

Controle integrado: mais que uma simples recomendação de vermifugação

Devemos ir além de somente prescrever vermífugos genéricos, devemos entender e explicar aos nossos clientes que a prevenção efetiva depende da associação entre o controle ambiental, o diagnóstico periódico e o uso racional de antiparasitários de amplo espectro. E o controle e tratamento deve abranger tanto os ectoparasitas, quanto os endoparasitas simultaneamente, garantindo proteção completa.

Os produtos com ação combinada contra pulgas, carrapatos, sarnas e vermes (como Trichuris vulpis, Ancylostoma e Toxocara) como o Nexgard spectra (afoxolaner e milbemicina) facilitam a adesão do tutor e reduzem o risco de falhas no protocolo.

Nexgard Spectra pode ser administrado mensalmente e é indicado para cães adultos e filhotes a partir de 2 meses e 2 kg de peso. É seguro para todas as raças de cães, com alta eficácia e um irresistível sabor carne que os cães adoram, o que facilita a administração.

Devemos entender nosso papel como gestores da saúde parasitária

Mais do que prescrever medicamentos, o médico-veterinário tem papel central como gestor da saúde preventiva. Cabe a ele:

  • Avaliar o risco individual e ambiental do paciente;
  • Definir protocolos antiparasitários personalizados;
  • Reforçar a importância dos exames coproparasitológicos periódicos;
  • Educar tutores sobre zoonoses e higiene ambiental;
  • Promover o uso consciente de antiparasitários, evitando resistência parasitária.

Essa atuação proativa transforma o veterinário em um agente de saúde pública, protegendo não apenas os animais, mas também as pessoas que convivem com eles.

Conclusão

As verminoses caninas são um desafio contínuo na clínica de pequenos animais. O manejo preventivo baseado em risco, aliado ao uso de antiparasitários de amplo espectro e à educação dos tutores, constitui a base do controle eficaz.

A nossa atuação técnica e vigilante é essencial para quebrar o ciclo parasitário, promover o bem-estar e garantir uma convivência mais segura entre humanos e cães.

Referências

  • ESCCAP Guideline 01 – Worm Control in Dogs and Cats (6ª e 7ª edições)
  • TroCCAP (2019). Guidelines for the Diagnosis, Treatment and Control of Canine Endoparasites in the Tropics
  • ACAZAP (2021). Companion Animal Zoonoses Guidelines

 

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