Ministério da Saúde publica Boletim – Morbimortalidade por zoonoses no Brasil | 2007-2023

As zoonoses são um grupo de doenças infecciosas, com transmissão entre animais vertebrados e humanos que representam uma ameaça global à saúde de ambos. Nesse contexto, este boletim tem como objetivo descrever o perfil epidemiológico, a distribuição espacial e as tendências temporais da morbimortalidade por doenças zoonóticas no Brasil, segundo municípios de residência e/ou infecção/ocorrência, no período de 2007-2023.
Método
Estudo ecológico, de base populacional, baseado em análises descritivas, espaciais e temporais, integrando casos e óbitos, considerando zoonoses de notificação compulsória: raiva humana, leishmaniose tegumentar, leishmaniose visceral, leptospirose, hantavirose, febre maculosa e outras riquetsioses, febre amarela, febre do Nilo Ocidental, doença de Chagas, toxoplasmose (adquirida na gestação paraa morbidade e toxoplasmose em geral para mortalidade), nos municípios do Brasil, no período de2007-2023. Os resultados foram apresentados em dois eixos (morbidade e mortalidade). Para cada eixo,foram realizadas as seguintes análises: descritivas, cálculo de taxas médias de incidência/mortalidade padronizadas por idade e sexo (segundo zoonoses, variáveis socio demográficas e de residência e/ou infecção); distribuições espaciais das taxas médias de incidência/mortalidade padronizadas por município, aplicando-se o indicador local de autoc orrelação espacial para identificar agrupamentos significantes(p<0,05); tendências temporais utilizando pontos de inflexão (Joinpoint) com o cálculo das variações percentuais anuais (VPA) e variações percentuais anuais média (Vpam); e sobreposição da ocorrência das doenças nos municípios em um recorte temporal mais recente (2019-2023).
Resultados
Morbidade: foram registrados 472.790 casos no período de 2007 a 2023 (média anual de 27.811), 65,0% desses (307.440) representados pela leishmaniose tegumentar, e uma taxa média de incidência padronizada de doenças zoonóticas de 13,77 por 100 mil habitantes. As taxas médias de incidências padronizadas mais altas foram em pessoas do sexo masculino (18,63 por 100 mil habitantes), da faixa etária de 15-59 anos (15,83 por 100 mil habitantes), da raça/cor indígena (66,71 por 100 mil habitantes), de municípios de residência e/ou infecção/ocorrência da Região Norte (53,84 por 100 mil habitantes), de municípios de residência e/ou infecção/ocorrência com Índice Brasileiro de Privação (IBP) “Muito alto” (32,09 por 100 mil habitantes), intermediários remotos (92,82 por 100 mil habitantes), e no estado do Acre (138,97 por 100 mil habitantes). Foram identificadas tendências crescentes nas Regiões Sudeste (Vpam 3,44, IC95%: 1,65 a 5,51) e Sul (Vpam 3,26, IC95%: 0,14 a 7,16), com altas taxas médias de incidência padronizadas e sobreposição das doenças em municípios dos estados de Roraima, Amapá, Pará, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Amazonas, Tocantins, Maranhão, Bahia e Minas Gerais. Mortalidade: foram registrados 139.987 óbitos no período de 2007 a 2023 (média anual de 8.235), 75,6% desses (105.832) por doença de Chagas, e uma taxa média de mortalidade padronizada de 4,08 por 100 mil habitantes. A taxa média de mortalidade padronizada mais alta foi em pessoas do sexo masculino (4,70 por 100 mil habitantes), com 60 anos ou mais (20,33 por 100 mil habitantes), raça/cor de pele preta (5,90 por 100 mil habitantes), residência na Região Centro-Oeste (12,27 por 100 mil habitantes), em municípios com IBP “Baixo” (4,61 por 100 mil habitantes), tipologia de município “Rural remoto” (4,58 por 100 mil habitantes), e no estado de Goiás (18,53 por 100 mil habitantes). Foi identificada tendência decrescente da taxa de mortalidade em nível nacional (Vpam -0,85, IC95%: -1,25 a -0,44), com maior taxa média de mortalidade padronizada e maior sobreposição de doenças em municípios dos estados de Goiás, Bahia, Piauí, Tocantins, Minas Gerais e São Paulo.
Conclusão
Este boletim apresenta uma perspectiva agrupada de dez zoonoses com importância epidemiológica no cenário brasileiro, sob a perspectiva da morbidade e da mortalidade. Observa-se uma distribuição em todo território brasileiro, com variações regionais importantes, com mais altas incidências e mortalidades em pessoas do sexo masculino, em faixas etárias economicamente ativas e idosos, de raça/cor indígena e preta, e em municípios com piores indicadores sociais das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; e tendência crescente da incidência global nas Regiões Sudeste e Sul.
Palavras-chave: Vigilância de Zoonoses, Morbimortalidade, Série Temporal Interrompida, Análise Espacial, Brasil.
Para acessar o boletim – https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2025/boletim-epidemiologico-de-morbimortalidade-por-zoonoses-no-brasil-2007-2023-numero-especial-jul-2025.pdf/view
Fonte: Ministerio da Saude.
