Vacina contra Covid-19: veterinário, diretor de Imunização do Ministério da Saúde reforça inclusão da categoria no grupo prioritário

23 de janeiro de 2021

Laurício Monteiro Cruz é também presidente do Conselho Regional de Veterinária do DF. Em ofício, ele diz que orientou estados e municípios a disponibilizarem vacinas para esses profissionais.

Um ofício do Ministério da Saúde reforça a inclusão de veterinários no grupo prioritário de profissionais de saúde que devem ser vacinados contra a Covid-19. O texto é assinado pelo diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis da pasta, Laurício Monteiro Cruz, que também atua como presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal (CRMV-DF).

No documento, ele afirma ter solicitado “a todos os postos dos municípios, estados e do Distrito Federal, que disponibilizem a vacina” à categoria. “Orientamos que para ter direito, basta o médico veterinário apresentar sua carteira de identidade profissional”, diz o ofício.

Os veterinários já estavam incluídos no grupo prioritário de profissionais de saúde desde que eles foram definidos pelo ministério, em dezembro do ano passado. Questionada pelo G1 se o ofício permite a vacinação de veterinários já na primeira fase de vacinação, que começou nesta semana, a pasta não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

Já o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) disse que, “neste primeiro momento, não basta estar registrado no CRMV para receber a vacina”, pois o Ministério da Saúde recomenda um escalonamento dos grupos prioritários, a critério de cada estado.

Ofício

 

O documento assinado por Laurício Cruz foi uma reposta a um questionamento apresentado pelo CFMV em 11 de janeiro, antes de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar o uso emergencial da vacina no país.

A entidade enviou perguntas a Laurício sobre como os profissionais poderiam comprovar a atuação na área no momento de receber a vacina, já que “os estabelecimentos veterinários não estão inseridos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES)”, apesar de listados no grupo prioritário.

Em resposta, o diretor enviou o ofício. O documento foi encaminhado na última segunda, quando teve início a vacinação no país. Há atualmente 145,8 mil médicos-veterinários no Brasil, segundo balanço do conselho federal da categoria.

No mesmo dia, o Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica que lista os grupos prioritários, mas ressalta que “a ampliação da cobertura desse público será gradativa, conforme disponibilidade de vacinas” e que “especificidades e particularidades” regionais serão discutidos pelos governos locais, responsáveis por delimitar quem recebe as doses primeiro.

Justificativas

 

Vacina contra Covid-19 testada em profissionais de saúde do DF — Foto: TV Globo/Reprodução

Vacina contra Covid-19 testada em profissionais de saúde do DF — Foto: TV Globo/Reprodução

No ofício, o diretor afirma que o informe do Ministério da Saúde “reafirma a necessidade da vacinação do médico veterinário, por definir que trabalhadores dos serviços de saúde são todos aqueles que atuam em espaços e estabelecimentos de assistência e vigilância à saúde, sejam eles hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios e outros locais”.

Laurício afirma ainda que “os médicos-veterinários atuam em diversas frentes”, incluindo a “vigilância ambiental em saúde, epidemiológica e sanitária, o que os torna mais suscetíveis à doença”.

Em nota ao G1, por meio da assessoria do CRMV-DF, Laurício cita uma resolução do Conselho Nacional de Saúde, publicada em 1998, que inclui o médico veterinário entre as categorias de profissionais de saúde, e destaca que os trabalhadores compõem equipes que atuam na vigilância epidemiológica.

“O médico-veterinário está inserido dentro de um conceito amplo e multidiciplinar de Saúde Única também conhecido como One Health e participa ativamente, junto aos demais profissionais da saúde, dentro do SUS, para a construção de um sistema multidisciplinar de observação, planejamento, ações de prevenção e enfrentamento de várias doenças, entre elas a Covid-19”, disse.

 

Orientações aos veterinários

 

Nesta quarta-feira (20), o Conselho Federal de Medicina Veterinária publicou orientações aos profissionais sobre a vacinação.

A entidade destacou a recomendação do Ministério da Saúde, de que “os primeiros a receber a vacina sejam os profissionais da saúde da linha de frente, ou seja, os que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), prontos-socorros, ambulâncias, hospitais referenciados para a Covid-19”.

Apesar disso, o Conselho defende a inclusão dos veterinários no grupo prioritário, na linha de frente contra a doença. A entidade afirma que , durante a pandemia, alguns médicos-veterinários têm trabalhado voluntariamente em hospitais, realizando treinamento de equipes, além da testagem de medicamentos em animais, entre outras pesquisas.

“Eles ainda atuam na linha de testagem por meio dos laboratórios públicos. E, desde o início da pandemia, os estabelecimentos veterinários foram considerados serviços essenciais, como clínicas, hospitais, ambulatórios e laboratórios”, diz a entidade.

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