5 dicas para incorporar a medicina complementar e integrativa na prática clínica

25 de janeiro de 2021

Ronald Koh, DVM, MS, CVA, CCRP, CVCH, CVFT, Louisiana State University

O uso da medicina veterinária complementar e integrativa tem crescido rapidamente em termos de prática clínica, pesquisa e educação e está ganhando importância como um novo recurso no manejo de doenças, especialmente doenças crônicas, e problemas de saúde desafiadores.

Em 1996, uma pesquisa demonstrou que 6% dos proprietários de animais de estimação norte-americanos usaram pelo menos uma forma de terapias complementares e alternativas (CAM) no cuidado de seus animais de estimação.1

Em outro estudo de acompanhamento de 2003, a porcentagem de uso de terapias CAM aumentou para 21 % .1

Uma pesquisa de 2006 descobriu que 76% dos proprietários usavam alguma forma de terapias CAM, mais comumente suplementos nutricionais, em cães e gatos com câncer.2

Essa tendência sugere que os clientes continuarão a exigir terapias CAM, o que afetará o futuro da prestação de cuidados à saude dos animais de estimação. 

A seguir estão 5 dicas e informações importantes que podem ajudar as equipes veterinárias a incorporarem  a medicina complementar e integrativa na sua prática clínica  atual.

1. Entenda a Terminologia

O Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa, antigo Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa, classifica a medicina alternativa como uma nova abordagem terapêutica  utilizada no lugar da medicina convencional. A medicina complementar, por outro lado, é utilizada em conjunto com a medicina convencional. O levantamento de evidências científicas sobre a segurança e eficácia dos tratamentos complementares levou a um novo termo, a medicina integrativa (IM), descrito como a combinação da medicina convencional com a medicina complementar segura e baseada em evidências para maximizar os resultados terapêuticos positivos e alcançar a saúde e a cura ideais. Por exemplo, evidências sugerem que a acupuntura é uma terapia segura e eficaz para o manejo da dor crônica, das náuseas e dos vômitos. Atualmente, Medicina veterinária complementar e integrativa (CIVM) é o termo mais utilizado na medicina veterinária.

2. Conheça os Objetivos

A intenção de uma abordagem integrativa é melhorar o estado geral do animal, prevenir doenças e aliviar sinais e condições clínicas debilitantes, como dor, convulsões e paralisia. A CIVM mantém os padrões dos princípios da prática médica e científica e, ao mesmo tempo, prioriza:

  • O foco no bem-estar e na prevenção de doenças
  • A incorporação de terapias complementares baseadas em evidências, seguras e éticas
  • Uma abordagem individual para qualquer paciente ou situação clínica usando a modalidade ideal disponível
  • Uso mínimo de medicamentos prescritos e terapias convencionais, resultando em redução de custos e menos efeitos adversos.

3. Conheça os Benefícios

Essas terapias têm o potencial de:

  • Aumentar a eficácia da medicina convencional
  • Fornecer alívio dos sinais clínicos
  • Tratar condições que não responderam à medicina convencional (por exemplo, dor crônica, convulsões, atopia)
  • Evite ou reduza alguns efeitos adversos medicamentosos (por exemplo, mau apetite, vômito, diarréia, letargia, dor, enzimas hepáticas elevadas)
  • Minimizar o uso de medicamentos (por exemplo, uso reduzido de NSAIDs, usar apenas conforme necessário após uma série de tratamento CIVM)
  • Melhorar a saúde física e mental
  • Prevenir doenças
  • Melhorar o bem-estar e a qualidade de vida.

4. Considere as Modalidades

As seguintes modalidades de CIVM poderiam ser adicionadas aos serviços clínicos que voce  fornece:

  • Acupuntura
  • Suplemento dietético e terapia nutracêutica
  • Terapia de ondas de choque extracorpóreas
  • Homeopatia
  • Oxigenoterapia hiperbárica
  • Terapia a laser de baixo nível
  • Terapia manual ou manipuladora
  • Reabilitação física (por exemplo, hidroterapia, ultrassom terapêutico, exercícios terapêuticos)
  • Terapia com células-tronco
  • Medicina de ervas ocidentais e chinesas.

5. Dê aos clientes conselhos apropriados

O primeiro passo,  mais importante em relação ao uso de CIVM é estabelecer um diagnóstico clínico. Os clientes que solicitarem assessoria sobre o uso e integração do CIVM devem primeiro ter seus animais de estimação avaliados por um veterinário. Quando um diagnóstico é estabelecido, o veterinário deve avaliar a indicação  do uso do CIVM juntamente com o tratamento convencional, apresentar todas as opções de tratamento convencionais e CIVM disponíveis ao cliente, e discutir cada modalidade específica, suas vantagens e desvantagens.

A maioria das terapias CIVM tendem a ser seguras,  com incidência de efeitos adversos relativamente baixos, principalmente quando aplicadas por veterinários integrativos experientes. Algumas terapias podem ser potencialmente perigosas, no entanto, ou podem interferir com o efeito terapêutico do tratamento convencional,  quando elas estão combinadas.

Por exemplo, usar laserterapia de baixo nível para um tumor pode, em vez disso, estimular o crescimento do tumor. Além disso, por exemplo, as ervas Ginkgo bilobaAngelica sinensis, ou Salvia miltiorrhiza podem interagir com anticoagulantes e, assim, aumentar a tendência de sangramento.

Os potenciais benefícios devem ser sempre avaliados para superar quaisquer  potenciais riscos antes de usar essas terapias. O consentimento do cliente deve ser obtido antes de qualquer tratamento. Uma vez iniciado o tratamento, é importante procurar quaisquer efeitos adversos e avaliar o progresso da doença e a condição dos pacientes. Se o paciente não melhorar ou tiver efeitos indesejados, o veterinário deve reavaliar o paciente e decidir se é necessário um trabalho adicional ou se a modalidade de tratamento deve ser alterada ou interrompida.

Conclusão

No futuro, haverá uma maior compreensão do CIVM pelos profissionais,  porque houve um aumento dos esforços em ensinar e implementar os  princípios do CIVM,  baseados em evidências,  no currículo escolar veterinário. Uma pesquisa com 2000 escolas de veterinária dos EUA descobriu que 10 das 24 escolas ofereciam um curso de CIVM. Oitenta e sete por cento dos entrevistados acreditavam que o currículo deveria incluir acupuntura, nutracêuticos, suplementos nutricionais e fisioterapia. Várias escolas que não ofereceram um curso de CIVM em 2000, agora incluem pelo menos um curso eletivo em seu currículo.

Fonte: Top 5 Points for Incorporating Complementary & Integrative Medicine Into Practice | Clinician’s Brief

 

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