Pesquisa identifica possíveis problemas relacionados à separação em gatos.

24 de julho de 2020

A primeira pesquisa  para identificar possíveis problemas relacionados à separação em gatos encontrou 13,5% dos gatos de uma amostra exibindo possíveis problemas durante a ausência do proprietário, de acordo com um estudo publicado em 15 de abril de 2020 na revista de acesso aberto PLOS ONE por Daiana de Souza Machado , da Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil, e por seus colegas.

Embora muitos estudos tenham sido realizados sobre problemas advindos da separação do proprietário em cães, poucos trabalhos foram feitos para avaliar possíveis problemas relacionados à separação em gatos. Apesar da crença comum de que os gatos ficam felizes sendo deixados sozinhos por longos períodos de tempo, estudos recentes com gatos e seus donos sugerem que os gatos de companhia são sociais e também desenvolvem laços com seus donos.

Para avaliar problemas relacionados à separação em gatos, Daiana Souza e colegas desenvolveram um questionário para uso com os donos de gatos. Com base em pesquisas realizadas em estudos semelhantes com cães, o questionário solicitou aos proprietários informações básicas sobre cada gato; descrevendo se o gato exibiu certos comportamentos quando o proprietário estava ausente; e descrevendo a si mesmos e suas interações com gatos, bem como o ambiente de vida do gato. O questionário foi entregue a 130 proprietários de gatos adultos residentes na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, Brasil, para um total de 223 questionários preenchidos (um questionário por gato).

Após avaliar e categorizar as respostas para cada categoria, os autores analisaram estatisticamente seus resultados. Os dados mostraram que 13,5% dos gatos da amostra (30 em 223) atendiam a pelo menos um dos critérios para problemas relacionados à separação, com comportamento destrutivo mais frequentemente relatado (presente em 20 dos 30 gatos). Os outros comportamentos ou estados mentais identificados foram: vocalização excessiva (19 em 30 gatos), micção inadequada (18 gatos), apatia-depressão (16 gatos), agressividade (11 gatos), ansiedade-agitação (11 gatos) e defecação inadequada (7 gatos). Os dados também mostraram que esses gatos estavam associados a domicílios sem residentes do sexo feminino, domicílios com proprietários de 18 a 35 anos e/ou domicílios com pelo menos duas residentes, além de não terem acesso a brinquedos (P = 0,04) e/ ou não tendo outro animal em casa (P = 0,04).

Este questionário ainda requer validação adicional com base na observação direta do comportamento do gato. Também é limitado pela dependência de os proprietários poderem interpretar e relatar com precisão as ações de seus gatos em sua ausência (por exemplo, arranhar superfícies é normal em gatos, embora alguns proprietários possam considerá-lo destrutivo).

Embora necessite mais trabalho para elucidar a relação entre humanos e gatos de estimação, este questionário pode atuar como ponto de partida para pesquisas futuras, além de indicar certos fatores ambientais (como brinquedos) que podem ajudar os gatos com problemas de separação.

Os autores acrescentam: “Este estudo fornece informações sobre sinais comportamentais consistentes com “problemas relacionados à separação” (PRS) em uma população de gatos domésticos, bem como sobre as práticas de manejo usadas por seus proprietários. O questionário identificou que cerca de 13% dos gatos pode ter sinais consistentes com o PRS de acordo com os relatórios de seus proprietários e, portanto, poderia ser uma ferramenta promissora para pesquisas futuras investigando o PRS em gatos “.
Referência bibliográfica do trabalho mencionado:

  1. Daiana de Souza Machado, Paula Mazza Barbosa Oliveira, Juliana Clemente Machado, Maria Camila Ceballos, Aline Cristina Sant’Anna. Identification of separation-related problems in domestic cats: A questionnaire surveyPLOS ONE, 2020; 15 (4): e0230999 DOI: 10.1371/journal.pone.0230999

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