Organização Pan-Americana da Saúde(OPAS) lança nota com atualizações sobre COVID-19 em animais

2 de agosto de 2020

Nota Informativa  – Infecção por  SARS-CoV-2 em animais

27 de julio de 2020

O SARS-CoV-2 é um patógeno que causa a doença de COVID-19, que foi relatado pela primeira vez em dezembro de 2019. Acredita-se que o SARS-CoV-2 tenha se originado de uma fonte animal e posteriormente se espalhado para a população humana. Embora vírus geneticamente relacionados tenham sido isolados de morcegos Rhinolophus, a origem exata do SARS-CoV-2 não foi estabelecida e a via de introdução desse vírus na população humana permanece sob investigação.

Vários países relataram infecções por SARS-CoV-2 em animais, no entanto, é importante observar que a atual pandemia de COVID-19 é principalmente sustentada pela transmissão de humano para humano. Demonstrou-se que várias espécies de animais são suscetíveis à infecção por SARS-CoV-2, naturalmente ou por infecção experimental (Tabela 1). Demonstrou-se que espécies animais produtoras de alimentos (porcos e aves) não são suscetíveis à infecção por meio de estudos experimentais. No entanto, são necessárias pesquisas adicionais para entender completamente a infecção por SARS-CoV-2 em animais.

O isolamento de SARS-CoV-2 de amostras de secreções respiratórias e fezes de animais já foi documentado. A rota de transmissão de SARS-CoV-2 entre animais é ainda considerada limitada. No entanto, com base no conhecimento de outros vírus respiratórios, acredita-se que o SARSCoV-2 seja transmitido aos animais e entre animais por contato direto (por exemplo, gotículas de secreção nasal, fezes).

O período de incubação em animais experimentalmente infectados em laboratório parece ser semelhante ao observado em humanos (entre 2 a 14 dias, com média de 5 dias). No entanto, são necessários mais estudos para estabelecer o período de incubação e o período infeccioso.

O conhecimento sobre as manifestações clínicas da doença em animais ainda é limitado. As evidências atuais sugerem que os sinais clínicos podem incluir, entre outros, tosse, espirros, falta de ar, coriza, secreção ocular, vômito, diarréia, febre e letargia. E as infecções assintomáticas foram documentadas assim como ocorre em humanos.

Até o momento, existem apenas relatos esporádicos de infecção por SARS-CoV-2 em animais de estimação e em animais que se encontram em cativeiro. Em relação aos animais de produção, a infecção por SARS-CoV-2 foi relatada em fazendas de minks (martas) na Holanda, com alta morbidade e baixa mortalidade.

Tabela 1. Resumo dos achados sobre suscetibilidade, sinais clínicos e evidências de transmissão.
por espécie animal.

 

Nota da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS)

Dados os últimos relatórios de infecção de animais com SARS-CoV-2, a OPAS/OMS lembra aos Estados
Membros que as medidas básicas de higiene continuam sendo a principal maneira de prevenir a transmissão deste vírus.  O contato de pessoas com suspeita ou confirmação de infecção por SARS-CoV-2 dee ser restringido também para mamíferos não humanos, incluindo animais de estimação, durante o período de doença. Da mesma forma, animais com suspeita ou confirmação de infecção por SARS-CoV-2 devem ficar isolados de outros animais e seres humanos.

Qualquer pessoa que visite mercados que vendam animais vivos ou produtos oriundos de animais deve praticar medidas gerais de higiene, incluindo lavagem regular das mãos com água e sabão depois de tocar nos animais e nos produtos de origem animal, deve evitar tocar nos olhos, nariz ou boca com mãos e evitar o contato com animais doentes ou produtos de origem animal em mau estado. Deve ser evitado qualquer contato com outros animais que possam viver nestes mercados (por exemplo, gatos e cães abandonados, roedores, pássaros). Deve-se também prestar atenção para evitar o contato com resíduos ou fluidos de animais que possam potencialmente contaminar o solo ou as estruturas e instalações das lojas nestes mercados. Em relação aos processos industriais que envolvem a manipulação de produtos e subprodutos animais, procedimentos de proteção individual e higiene no manuseio de alimentos pelos trabalhadores em toda a cadeia produtiva deve ser aplicado da mesma maneira. Da mesma forma, de acordo com a declaração do Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) sobre a pandemia de COVID-19, realizada em 1º de maio de 2020, a OPAS/OMS recomenda que os Estados Membros trabalhem juntos durante a pandemia COVID-19 para fortalecer e mitigar possíveis interrupções na cadeia global de suprimento de alimentos, especialmente em populações vulneráveis.

É importante documentar todas as infecções em animais para entender melhor sua importância epidemiológica para a saúde animal, para a biodiversidade e para a saúde humana. As evidências disponíveis com base em investigações epidemiológicas e estudos experimentais não sugerem que animais vivos ou produtos de origem animal desempenhem um papel na infecção humana por SARS-CoV-2. Além disso, existe uma baixa probabilidade de exposição de seres humanos através de restos de carne, órgãos, fluidos corporais, e dejetos de animais, e/ou caso sejam vendidos como produtos crus nos mercados de varejo (onde os padrões de higiene alimentar não são atendidos). – Codex Alimentarius – CAC, 2009), onde pode haver  contaminação cruzada, de hospedeiros animais não identificados ou uma pessoa infectada com SARS-CoV-2 pode trazer riscos.

Fonte : OPAS/OMS – https://reliefweb.int/sites/reliefweb.int/files/resources/download_13.pdf 

 

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