BLOG – O dia a dia do anestesista veterinário

18 de janeiro de 2021

O dia a dia do anestesista veterinário

Concentração, empatia e busca por conhecimento fazem parte da jornada

Por Sandra Mastrocinque*

 

Ao cursar Anestesiologia na graduação, chamou-me atenção o envolvimento da especialidade em muitas áreas, incluindo Farmacologia, Fisiologia e Anatomia, para exemplificar. Mas qual aptidão nos inclina para essa escolha? Talvez a concentração total seja o preparo mais importante para o anestesista veterinário. Fora isso, é fundamental estar familiarizado com o quadro do paciente, estudá-lo e fazer um planejamento. É interessante que os casos mais graves e críticos são aqueles que podem ser mais motivadores — e para estes, claro, o foco acaba sendo diferenciado.

A capacidade de gerar conforto ao paciente, durante todo o período perioperatório, traz uma satisfação incrível, mas, como em toda profissão na área de Saúde, há momentos delicados. Ter controle emocional e sensibilidade para comunicar um caso de óbito ao tutor é relevante no dia a dia. É de vital importância haver um preparo para esse momento, mas, infelizmente, notamos com tristeza que muitos colegas não estão preparados para dar esse tipo de notícia.

Lidar com o luto é muito desafiador, e vale ressaltar: felizmente, a taxa de óbitos em anestesia é baixíssima atualmente, mas cada óbito é 100% óbito e por isso não devemos medir esforços para evitar que ocorram, sempre investindo em conhecimento e equipamentos de monitoração, dando importância ao procedimento, por menos invasivo e mais corriqueiro que pareça.

Minha dica é fazer a comunicação do óbito em ambiente adequado, isolado, sentar-se de frente para o tutor, olhando em seus olhos, e comunicar o acontecido, com calma. É preciso aguardar a manifestação da pessoa, em silêncio, e então oferecer o amparo, sempre se colocando à disposição para mais esclarecimentos. Ter empatia é um diferencial na profissão.

O bônus 

Aliviar o sofrimento, proporcionar conforto e segurança para o paciente e seu tutor, que confia no anestesista veterinário para cuidar de seu ente querido, é muito compensador. Quando passamos segurança para o tutor, minimizam-se ansiedades, e é gratificante observar como expor os riscos de maneira adequada evita um ambiente de estresse. Salvar uma vida, contribuir para o bem-estar e a recuperação do paciente é o bônus máximo desse ofício.

Dentro da especialidade, ainda há a possibilidade de atuar com a dor crônica — algo recente na Medicina Veterinária —, que gera um impacto significativo na qualidade de vida do paciente e, por consequência, de seus tutores. Nesses casos, há necessidade de suporte analgésico, assim como de cuidados paliativos e apoio psicológico, o que nos faz oferecer ao animal e ao tutor muito mais além da eutanásia.

Seguir o coração com conhecimento

 Aos estudantes de Medicina Veterinária que ainda não decidiram a área de atuação, segue um conselho: procurem conhecer as mais diversas áreas, por meio de estágios e diálogos com os professores. Além disso, é importante priorizar a satisfação em exercer algo que te encante, te motive, e não apenas seguir o caminho mais fácil, mais rentável.

Gosto muito de uma frase que exemplifica bem isso: “Nada que vem de maneira fácil se sustenta por muito tempo. Fuja dos atalhos e procure seu caminho”. E lembre-se de sempre se aperfeiçoar, independentemente do tempo de formação, pois é o estudo que nos move e nos diferencia. O contato e aprendizado com um docente que te motiva e inspira é essencial. No meu caso, tive a felicidade de ter como docente — hoje minha grande amiga — a Prof.ª Dra. Denise Fantoni, que fez parte dessa minha escolha pela Anestesiologia, um trabalho árduo, porém lindo.

*Sandra Mastrocinque é anestesiologista, doutora pela FMVZ-USP. docente e colaboradora do Vetsapiens

 

@sandramastrocinque

Facebook: Sandra Mastrocinque

E-mail: [email protected] 

 

 

Comentar esta notícia

Você precisa estar logado para comentar as notícias.
Desenvolvido por logo-crowd