Imunidade dos gatos ao coronavírus pode ser utilizada em vacinas

5 de outubro de 2020

Em um cenário ainda desolado pela pandemia do novo coronavírus, uma nova pesquisa científica publicada terça-feira (29) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences concluiu que, além dos humanos, também os cães e gatos podem ser infectados pelo microrganismo, porém não desenvolvem a doença clínica.

Estudados por meses quanto às suas reações ao vírus por pesquisadores da Escola de Medicina Veterinária Estadual do Colorado, os gatos apresentaram um tipo de resposta imune que os protege contra reinfecções. Segundo os pesquisadores, o mecanismo pode ser utilizado no desenvolvimento de vacinas tanto para animais quanto para humanos.

Conforme a pesquisa: “Os gatos desenvolvem anticorpos neutralizantes significativos e são resistentes à reinfecção, embora a duração da imunidade neles ainda não seja conhecida”. Apesar de tanto cães como gatos não apresentarem sintomas após a contaminação pelo Sars-CoV-2, os felinos conseguem se defender com muito mais eficiência do que se pensava.

Metodologia

No exame clínico, sete gatos foram infectados propositalmente com o vírus e depois colocados em contato próximo com outros gatos. O mesmo foi feito com três cães. Porém enquanto esses últimos não foram capazes de transmitir o vírus entre si, os gatos realmente transmitem o vírus uns aos outros, porém com uma diferença.

Ainda que se tornem altamente contagiosos e liberem o vírus de uma forma muito mais agressiva, os gatos infectados foram capazes de desenvolver defesas incrivelmente fortes contra a reinfecção. E essa imunidade revelou-se muito mais poderosa do que aquela observada nas outras espécies testadas em laboratório.

O exame clínico também revelou que, ao contrário dos gatos, os cachorros não produziram nenhum tipo de imunidade e permaneceram sujeitos a novas infecções.

Limitações do estudo

No entanto, há uma limitação nesse estudo que é o seu tempo de duração. Por ser ainda recente, não há como saber por quanto tempo os gatos estudados vão manter sua imunidade forte. Será uma reação passageira ou estarão os bichanos permanentemente protegidos contra a reinfecção?

O que ficou de muito positivo foi a força e a velocidade com as quais o sistema imunológico felino respondeu ao vírus após a infecção, e isso pode ser um campo fértil para novas pesquisas relacionadas à elaboração de vacinas.

Das 34 vacinas contra o coronavírus atualmente em fase de testes clínicos, talvez o maior desafio para que haja eficácia seja a duração da imunidade. Embora possa ser relativamente fácil criar uma imunização com base no conhecimento do vírus, a grande questão é sua duração. Enquanto algumas vacinas imunizam para o resto da vida, outras precisam de reforço de tempos em tempos.

Concluído o estudo, os autores enfatizaram que, embora os animais domésticos possam contrair o novo coronavírus, é improvável que eles sejam uma fonte potencialmente perigosa de transmissão para os seres humanos. Para os cientistas, o mais provável é que os humanos transmitem o vírus para os seus pets.

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