ESTE SUPERFUNGO É MAIS MORTAL DO QUE COVID E RESISTENTE A MEDICAMENTOS

14 de dezembro de 2020

Um homem hospitalizado na Bahia é suspeito de ter sido o primeiro brasileiro contaminado com um novo superfungo, conhecido cientificamente por Candida aurisA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que se trata de um “fungo emergente que representa uma série ameaça à saúde pública”.

O superfungo foi descoberto em 2009 e já chegou em mais de 30 países, sendo “multirresistente” aos medicamentos e fatal em 39% dos casos. Além disso, o paciente baiano apresenta quadro de Covid-19, sendo um claro exemplo do que podemos esperar do futuro, onde estaremos mais vulneráveis a infecções globais.

Superfungo e os seus perigos

O superfungo apresenta algumas semelhanças com a Covid-19 e conforme o médico infectologista e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Alessandro Comarú Pasqualotto, ainda existem muitas dúvidas quanto a Candida auris.

“Embora ela seja muito resistente e preocupante, não sei se a Candida auris vai chegar ao ponto de infectar muita gente”, explicou. “Em termos globais, ainda são poucos os casos. Não é porque temos a suspeita de um caso no Brasil que temos que fechar as fronteiras”, comentou.

Contudo, ele informa que devido à forte resistência do fungo, é preciso ligar o sinal de alerta. De acordo com estimativas feitas por pesquisadores chineses, existem pelo menos 4,7 mil casos de infecções, em 33 países onde o fungo foi encontrado.

É algo que consegue facilmente driblar os medicamentos que são aplicados, se espalha rapidamente e ainda possui uma alta taxa de mortalidade. “A grande preocupação, especialmente em ambiente hospitalar, é com o fato de ser multirresistente, porque as opções de tratamento ficam muito estreitas”, diz o médico.

superfungo Candida auris
A infecção pelo Candida auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal (Reuters)

A resistência é o grande perigo deste fungo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que a resistência microbiana seja uma das maiores ameaças à saúde global. Ela acontece já que os microrganismos evoluem e se tornam mais fortes. Então, muitas doenças não possuem nenhuma forma de tratamento, o que complica e muito a situação.

“Casos como o da Candida auris são como um evento adverso do progresso da humanidade: à medida que a gente progride, produz mais antibióticos, que as pessoas são mais invadidas por procedimentos médicos e sobrevivem mais, passam a surgir novos patógenos que antes não causavam doenças”, explica o médico.

Para ele, a Candida auris é apenas a bola da vez, assim como outras doenças que já apareceram e foram combatidas. Ainda conforme Pasqualotto, existem entre 20 e 30 espécies desse gênero, que geralmente são transmitidas em ambientes hospitalares. Os fungos são oportunistas e aproveitam procedimentos invasivos para proliferar.

Quando o superfungo consegue chegar ao sangue, torna o risco de óbito ainda maior, elevando a taxa de mortalidade para 45%. Segundo a Anvisa, ele é mais perigoso para as pessoas que possuem comorbidades. Além disso, é complicado de identificá-lo, necessitando de métodos não disponíveis nos hospitais.

Por fim, o paciente internado na Bahia passará por novos exames, para identificar o sequenciamento genético do microrganismo. Essa doença pode ser confundida com outras e por isso exige uma técnica específica para sua identificação, que é cara, conhecida por Maldi-Tof.

Com informações Anvisa e G1.

Fonte: https://socientifica.com.br/superfungo/

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