Caso Animed: clínica veterinária retirava sangue de pets para vender; MP denuncia 13 pessoas por maus-tratos contra animais

26 de outubro de 2021
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Por Alex Araújo, g1 Minas — Belo Horizonte

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra os médicos veterinários Marcelo Simões Dayrell e Francielle Fernanda Quirino dos Santos, a Clínica Veterinária Cuidado Animal (Animed) e mais 11 pessoas sob acusação de maus-tratos de animais, estelionato e descarte irregular de lixo infectante.

Os denunciados retiravam sangue de animais levados para banho e tosa, sem autorização, para vender, prescreviam medicamentos desnecessários e davam diagnósticos falsos para justificar internações – dentre outras práticas criminosas, segundo o MPMG

Eles são alvo de investigação desde 2019. O inquérito foi instaurado após suposto descarte irregular de lixo veterinário infectante. Segundo a polícia, a clínica “agia no sentido de ludibriar tutores de animais para obter vantagem ilícita, com consequente inobservância da legislação vigente sobre medicina veterinária e abusos em animais”.

De acordo com o MPMG, os dois médicos-veterinários, que são sócios da Animed, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, dois gerentes, o advogado da empresa e sete médicos veterinários são acusados de se associar com o objetivo de ter vantagens como aumento de lucro, bonificações salariais e manutenção de empregos.

Eles também foram denunciados por vender medicamentos proibidos, vencidos e com embalagens adulteradas. Uma outra pessoa foi denunciada por falso testemunho.

Segundo a denúncia da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Nova Lima e da Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna (Cedef), a Animed “foi constituída e era utilizada para o cometimento de crimes, visando à obtenção de lucro, o que causava sofrimento aos animais atendidos e aos seus tutores, que, em momento de vulnerabilidade, faziam e pagavam o que fosse preciso para salvar os animais”.

Ainda de acordo com a denúncia, os médicos veterinários e os gerentes foram omissos e o advogado garantia que as determinações do sócio-administrador fossem seguidas e impedia, por meio de intimidações, o vazamento de informação ou denúncia às autoridades por parte de funcionários e clientes.

Os crimes praticados pelos denunciados são, segundo o MPMG:

  • Retirada de sangue de animais levados para banho e tosa, sem autorização dos tutores, com objetivo de venda;
  • Postergação de comunicação ao tutor sobre a morte do animal nas dependências da clínica para estender o período de internação;
  • Simulação de procedimentos em animais já mortos;
  • Prescrição de medicamentos desnecessários;
  • Utilização de remédios proibidos, vencidos e com embalagem adulterada;
  • Descarte irregular de lixo infectante para economizar com a coleta própria;
  • Realização de procedimento cirúrgico sem a autorização do tutor;
  • Ocultação de erros cometidos em cirurgias;
  • Congelamento de animal morto e posterior descongelamento para simular que o animal acabara de morrer;
  • Diagnósticos falsos para justificar internações e tratamentos desnecessários.

 

Na denúncia, o MPMG pede que os réus sejam condenados a pagar indenização pelos danos causados; a perda dos produtos dos crimes ou de qualquer bem ou valor conseguido com os crimes; a suspensão dos direitos políticos dos acusados; a liquidação forçada da pessoa jurídica constituída ou utilizada com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crimes ambientais; e a perda do patrimônio da clínica.

O MPMG quer ainda medida cautelar de suspensão do exercício profissional médico veterinário dos sócios da clínica, principais articuladores do esquema criminoso; o bloqueio de contas, bens e valores, de todos os denunciados, a fim de assegurar eventual reparação; interdição da Animed, ficando os sócios impedidos de figurarem como sócios em empresas que tenham por finalidade prestar tratamento veterinário, com a finalidade de evitar o risco de novas infrações e a exposição dos animais e tutores às diversas práticas criminosas dos denunciados.

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