Brasil já enfrenta segunda onda da COVID-19, alerta pesquisador da USP

24 de novembro de 2020

Com aumento de casos da COVID-19 no Brasil, após um período de queda, cientistas e autoridades de saúde apontavam para uma possível segunda onda do novo coronavírus (SARS-CoV-2) por aqui. Agora, dados levantados pelo Portal COVID-19 Brasil confirmam esse cenário, segundo o pesquisador Domingos Alves, do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto.

“O Brasil já está na segunda onda da COVID-19”, defende o pesquisador para a BBC. Desde o início da epidemia no país, há cerca de oito meses, Alves acompanha os dados da infecção e é um dos responsáveis pelas análises estatísticas do Portal. Com base nessa avaliação, é que se torna possível afirmar que o Brasil vive uma nova onda de contágios por coronavírus, como a Europa e os Estados Unidos.

Taxa de transmissão acima de 1 no Brasil

Sua avaliação de que o Brasil está vivendo, assim como os Estados Unidos e a Europa, uma nova onda de contágios se baseia na evolução da taxa de transmissão do coronavírus — também conhecido como Rt ou taxa R — no país. Com base no aumento de novos casos, essa taxa é calculada e permite estimar quantas pessoas saudáveis são contaminados por um doente. Por exemplo, se o índice é superior a 1, a doença está se expandindo. Quando está abaixo, o contágio está se retraindo.

Segundo o Observatório de Síndromes Respiratórias da Universidade Federal da Paraíba, a Rt brasileira da COVID-19 era calculada em 1,12, na segunda-feira (16). De forma simplificada, cada 100 pessoas contaminadas transmitem o coronavírus para outras 112. Em seguida, esses 112 novos doentes vão contaminar mais 125 pessoas e, dessa forma, a epidemia vai se espalhando exponencialmente.

Na mesma data, a Rt estava acima de 1 em 20 brasileiros (Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins) e no Distrito Federal. No entanto, a situação sera mais crítica no Paraná, onde a taxa chegou a 1,62.

Além disso, o pesquisador Alves também analisou a média móvel da Rt, que é calculada com base nos 14 dias anteriores. “É importante a gente olhar a média móvel porque isso indica que não se trata apenas de uma flutuação do índice, mas que há uma tendência concreta de alta ou queda”, explica Alves.

Ainda na segunda-feira, o Rt móvel do país era calculado em 1,06. Na mesma data, a média móvel da Rt estava acima de 1 em 16 estados brasileiros (Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo). Novamente, o maior índice foi estimado no Paraná (1,34).

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