BLOG – Acidentes e Doenças de Verão – Como alertar os tutores

21 de dezembro de 2021

Por M.V MSc. Rosangela Gebara

Acidentes e Doenças de Verão – Como alertar os tutores.

Os meses mais quentes do ano trazem muitas alegrias, viagens e festas. Mas para cães e gatos, as altas temperaturas e altos índices de umidade podem exigir cuidados especiais para se garantir a saúde e o bem-estar deles. E nós, devemos sempre que possível alertar os tutores sobre os possíveis riscos, prevenindo assim os acidentes e as afecções mais comuns desta época do ano.

É muito comum nesta época atendermos mais casos de hipertermia (heat stroke), queimadura dos coxins, desidratação, leptospirose, dirofilariose, alergias sazonais, DAPP, toxi-infecções alimentares, acidentes domésticos em piscinas, entre outros.

Quanto aos passeios, devemos sempre orientar:
– para fazerem passeios nas horas menos quentes do dia, de preferência antes das 10 hr e depois das 16hr.
– para avaliarem a temperatura do asfalto com a mão, para ver se não esta muito quente.
– para manterem os produtos anti-pulgas e carrapatos em dia.
– para usarem protetor solar nos animais com focinhos, pina e face brancas.

Quanto aos banhos e tosas, orientar:
– para tosar os animais muito peludos, e manter os banhos em dia.
– escovar diariamente o animal afim de eliminar os pêlos mortos e melhorar a sensação de calor.
– se o animal possuir sub-pêlos, fazer somente a tosa-higiênica em abdômen e períneo, pois em algumas raças como Husky Siberiano, Chow-chow, Akita e Spitz, esse sub-pelo ajuda a isolar o corpo do animal das altas temperaturas.

Importante lembrar os tutores sobre os riscos de deixar os animais dentro de carros fechados ou presos em locais sem cobertura ou ventilação, especialmente nos dias muito quentes e/ou úmidos.

Orientar tambem quanto aos cuidados de nunca deixar os animais sem vigilância, secando em secadores muito quentes e potentes após o banho.

Desidratação
Lembrar sempre ao tutor que este deve oferecer água sempre fresca e limpa ao animal, e se for passear, levar água fresca e oferecer a cada 20-30 minutos prevenindo a desidratação e a hipertermia.

Leptospirose
Outra doença que pode ocorrer mais comumente na época do verão é a leptospirose. Lembre-se sempre de avaliar o status vacinal do seu paciente, e alertar os tutores que em épocas quentes e com muitas chuvas, enxurradas e enchentes , há um maior risco de contaminação por este bactéria, que pode causar insuficiência renal e hepática se não diagnosticada e tratada a tempo. Alerte os tutores sobre os principais sintomas e oriente-os para evitarem andar com animais em áreas alagadas ou evitar que eles tenham contato, mordam ou matem roedores.

Alergias Sazonais
Muitos animais acabam manifestando sintomas dermatológicos nesta época do ano, e doenças relacionadas a bactérias e fungos são mais frequentes no verão do que no inverno. Alguns alérgenos são sazonais como as pulgas, a grama e diversas plantas. Devemos alertar os tutores dos nossos pacientes alérgicos sobre este maior risco.

Dirofilariose
No Brasil ainda diagnosticamos poucos casos de Dirofilaria, quando comparamos com outros países, como por exemplo EUA. Devemos indicar testes de triagem periódicos, e medidas preventivas como coleiras repelentes e  medicamentos preventivos, que devem ser dados  pelo menos 30 dias antes da viagem. Explicar sobre os riscos e os locais com maior incidência.

Festas de fim de ano
Alertar tutores que muitos ingredientes da ceia de Natal são tóxicos para os animais, como as uvas passas, panetones, frituras, bebidas alcoólicas, assados e, especialmente, chocolates são algumas das principais causas de intoxicação alimentar nesta época que pode variar de leve a grave.

Os sintomas da intoxicação dependem da quantidade ingerida em relação ao porte e peso do animal, podendo ocorrer vômitos, fraqueza, falta de apetite, apatia, aumento da frequência ou arritmias cardíacas, aumento da micção (urina), aumento da pressão arterial, hiperatividade; insônia, tremores e até mesmo convulsões. Portanto diante de algum destes sintomas, perguntar sempre na anamnese sobre as possibilidades de o animal ter tido acesso a ceia de natal, chocolates e/ou bebidas alcoólicas.

Viagens, praia e piscina
Orientar sempre que nem sempre a opção de levar o animal junto na viagem é a melhor opção para ele.

Sabemos que há espécies (Ex: gatos) e animais que não gostam da troca da rotina, e talvez a melhor opção é deixar o animal em casa sob os cuidados de alguém de confiança que possa, diariamente, alimentá-lo, fazer a limpeza do local e lhe dar carinho e atenção. Como veterinários podemos auxiliar o tutor nesta decisão e/ou indicar bons serviços de Pet Sitter ou de hotéis que oferecem estadia para cães e gatos.

Se o tutor estiver indo viajar, orientar para levar telefones e endereços de clinicas veterinárias locais caso necessite. Se estiver indo para um local com piscina, alertar para não deixar o animal sozinho com acesso a piscina descoberta.

Se estiver indo para  praia e perguntar sua opinião, se leva o animal ou não, sua resposta vai depender primeiramente das regras locais da praia, se permitem ou não animais. Além disso, voce deve avaliar se todas as vacinas, vermífugos e anti-pulgas do seu paciente estão em dia. E deve alertar os tutores quanto aos riscos da ancilostomíase, quantos aos perigos de se deixar o animal perto no mar sem supervisão, do risco dele ficar tomando agua salgada, do risco de ter abrasão de córnea por conta da areia, e dos riscos de afogamento,  especialmente quando houver ondas muito fortes no local.

Alertar quanto ao risco de afogamento em PISCINAS! Nunca deixar o animal sozinho perto de piscinas sem proteção ou cobertura.

Proteja-o do calor do verão

Lembrar os tutores que o calor excessivo é perigoso para cães e gatos. Diferente de nós humanos, devemos explicar que eles não possuem glândulas sudoríparas espalhadas pelo corpo e só trocam calor com o ambiente pela respiração (ofegação) e alertar que os animais braquicefálicos terão mais risco de desenvolverem uma hipertermia fatal.

Alertar os tutores sobre os riscos e os principais sintomas da hipertermia: ofegação acelerada (respiração curta e rápida), hipersalivação, saliva espessa, mucosas orais de coloração vermelho-escura (cor de tijolo), tremores musculares, vômitos, diarreia, incoordenação motora (andar cambaleante) e até perda de consciência, desmaios e convulsões.

Por fim – lembrar que tanto cães quanto gatos sentem saudades e portanto não devem ser “esquecidos” em casa sem carinho e atenção!!

Ajude seu cliente pela melhor decisão quanto as viagens de fim do ano e preserve a saúde e estar de seu paciente.

 

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