Abandono de animais pode ter causado surto da doença de gatos em Manaus

8 de janeiro de 2021
Noticia esporoticose
6 de janeiro de 2021 no Dia a Dia
Da Redação

MANAUS – Com 18 casos confirmados até 31 de dezembro de 2020, a incidência de esporotricose em Manaus é decorrência do abandono de animais domésticos e da desinformação da população quanto à urgência em castrar cães e gatos, afirma a médica veterinária e pesquisadora Alessandra Nava, do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA-Fiocruz Amazônia).

Alessandra Nava diz que a doença é causada por um fungo de distribuição mundial que está no ambiente de ocorrência em climas tropicais. “Ele não surgiu em Manaus, já estava no ambiente”, disse, em entrevista ao site da entidade de pesquisa.

ni Beatriz Matsuura, pesquisadora em Saúde Pública e membro do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde, também da Fiocruz, diz que o Brasil é o país com o maior número de casos de esporotricose felina no mundo. “A doença ocorre no Sul e Sudeste do país há 21 anos e na região Nordeste há 5 anos. É uma doença negligenciada e somente de notificação compulsória em alguns municípios específicos”, afirma.

Os casos de esporotricose em Manaus preocupam as pesquisadoras que alertam sobre a necessidade de adoção de medidas de prevenção e cuidados que a população deve ter para evitar o avanço da doença.

O fungo que causa a enfermidade está na natureza, no solo, em plantas ou madeira, principlamente a espécie S. schenckii. Os pesquisadores ainda não encontraram S. brasiliensis em solo. “No entanto, essa espécie é a mais envolvida na transmissão da doença de gato para gato e também do gato para a pessoa. Ainda não se sabe porque os gatos tem uma alta susceptibilidade a infecção de Sporothrix brasiliensis”, disse Ani Beatriz ao site da Fiocruz.

O contágio ocorre por inoculação do fungo através de um ferimento causado por um espinho, solo ou material orgânico em decomposição contaminados, ou por arranhões e mordidas de gatos doentes com o fungo. Raramente o contágio pode ser por inalação dos esporos do fungo.

Os gatos desempenham um papel fundamental como fonte de infecção porque tem uma grande quantidade de células de levedura nas lesões cutâneas e foi verificado a presença do fungo nas garras e na cavidade oral de animais doentes.

Ani Beatriz diz que existe tratamento para a esporotricose e cura, tanto para o animal quanto para os humanos. “O importante é procurar um médico ou veterinário assim que aparecer qualquer lesão e não deixar progredir. O abandono de animais preocupa. É necessário diagnóstico correto e tratamento adequado para o animal acometido pela esporotricose”.

A providência básica para prevenir contra o contágio é levar o animal para o médico veterinário diagnosticar. O diagnóstico correto, o tratamento adequado e o cuidado ao tratar o animal acometido, mantendo-o dentro de casa, bem nutrido e isolado dos outros animais durante tratamento, resolve o problema.

(Com Ascom Fiocruz)

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