A gangorra entre adoção e abandono de animais na pandemia

27 de julho de 2020
O papel do veterinário no esclarecimento de dúvidas e combate a fake news sobre a Covid-19 é essencial. Estudantes de Medicina Veterinária também são protagonistas das ações de esclarecimentos. “Perdi o emprego, casei, mudei, separei, tive filho, adoeci, não tenho mais tempo, dá muito trabalho…” ONGs e protetores já conhecem bem as diversas desculpas usadas por tutores para justificar o abandono de animais. Com a pandemia, o número de casos aumentou e dois fatores são apontados como principais. Um deles é o impacto econômico trazido pela quarentena, com famílias que perderam o emprego e, consequentemente, a renda, e abandonam seus pets por não terem mais condições de cuidar, de alimentar, de levar os animais ao veterinário, de castrar. O outro fator é o receio de que animais de estimação transmitam coronavírus, o que ainda não tem embasamento da comunidade científica em nenhum estudo no mundo. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, embora não haja números oficiais no Brasil, algumas ONGs de adoção de animais apontam seis vezes mais casos de abandono. E segundo a Comissão de Defesa dos Animais da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, entre abril e maio de 2020, houve 1.809 denúncias de abandonos. Em São Paulo, o aumento dos abandonos foi maior: segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, entre janeiro e abril de 2020 foram registradas 4.524 denúncias de abandono de animais, 10% mais que o mesmo período em 2019. Por outro lado, acontece um fenômeno inverso desde o início da pandemia: aumento do número de adoções. São pessoas que procuram animais para lhes fazer companhia durante o confinamento. No entanto, é uma tendência que também gera preocupação, já que não se sabe se essas adoções são motivadas por um sentimento real de amor e intenção de se comprometer com os cuidados daquele animal até o fim de sua vida ou mera necessidade de suprir uma carência momentânea em um período de solidão e distanciamento social. Na Espanha, por exemplo, de acordo com a Real Sociedad Canina de España, após o aumento de 50% na procura por cachorros durante o confinamento, o número de cães abandonados aumentou 25% desde que o país começou a sair dele.

Abandono de animais na pandemia e o papel dos veterinários

Nós, do Vetsapiens, lembramos a importância de veterinários conectando conhecimento nesse cenário. Primeiramente, no esclarecimento de dúvidas e combate a fake news sobre a Covid-19, acalmando tutores em relação ao medo infundado de que cães e gatos possam transmitir coronavírus. Em segundo lugar, na orientação das pessoas em relação às medidas protetivas da família quanto a passeios e higienização das patas dos animais. Podemos também aconselhar quem queira adotar para que não tome essa decisão por impulso. Os estudantes de Medicina Veterinária são igualmente importantes. Além de divulgar informações corretas e combater fake news, podem ajudar voluntariamente de diversas formas. Muitos participam ativamente de ONGs e projetos de extensão com ações de castração, manejo de abrigos e outros temas relacionados à Medicina do Coletivo. Existem muitos campi universitários com animais abandonados e comunitários, e os estudantes se organizam para cadastrá-los, capturar, vacinar e castrar, junto com os professores e residentes do curso. O estudante veterinário é muito bem-vindo e pode contribuir enormemente para pensar em questões éticas e morais relacionadas ao bem-estar animal, ética e legislação, principalmente durante momentos tão críticos como o atual. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, somos mais de 142 mil médicos-veterinários brasileiros, porém, muitos ainda não descobriram o poder que têm em mãos para transformar a sociedade e influenciar escolhas responsáveis.

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