Sarna Notoédrica

Dra. Rita Carmona de Cassia

Ultima atualização: 28 JUN DE 2020

Nomenclatura

Sarna notoédrica, escabiose felina, sarna de cabeça e pescoço.

Nome em inglês

Scabies, Notoedric mange.

Definição

Enfermidade parasitária, altamente contagiosa, causada pelo parasitismo do ácaro Notoedris cati, que acomete gatos, cães e também, o homem. 

Etiologia e Fisiopatologia

É causada pelo parasitismo do ácaro Notoedris cati. A transmissão ocorre através do contato com gatos enfermos e através de fômites.

A sarna notoédrica ocorre, principalmente, em gatos com menos de um ano de idade, sendo o prurido, bastante intenso e que, na grande parte dos casos, não é proporcional ao número de parasitas presentes na epiderme. É decorrente de reações de hipersensibilidade ao ácaro, irritação pelo escavar mecânico, substância pruridogênica liberada pelas fêmeas ao escavarem as galerias e por resposta inflamatória local.

Prevalência

Prevalência baixa e geralmente, quando presente, observa-se em animais errantes e em gatis.

Achados de Anamnese e Manifestação clínica

Acometem principalmente as regiões cefálica e cervical. As lesões são representadas por: alopecia, eritema e intensa hiperqueratose. Com a intensa ceratose cefálica, em algumas ocasiões, observa-se entrópio.

O prurido, geralmente de início agudo e intenso.

Imagem

Consulta rápida sarna notoédrica

Procedimento Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se nos achados clínicos e dermatológicos e através do exame parasitológico do raspado cutâneo (EPRC) ou pela fita adesiva. Deve ser, preferencialmente, realizado nas bordas de pavilhões auriculares e região cefálica. Não necessário que sejam profundos contudo, uma vez que os ácaros estão nas camadas mais superficiais da pele. Contudo, vale ressaltar que, positividade ao parasitológico de raspado cutâneo, é da ordem de 80-90%. Quando há quadro clínico e dermatológico compatíveis com a sarna notoédrica, indica-se o diagnóstico terapêutico, qual seja: instituição de terapia e avaliação de resposta a ela. 

Diagnóstico Diferencial

Dermatofitose, alergopatia e pênfigo foliáceo

 

Tratamento

AMITRAZ, aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration), aplicado por sobre o corpo do animal, na diluição de 4mL para cada 1L de água, em 3 a 4 aplicações semanais consecutivas. 

As lactonas macrocíclicas, endectocidas, derivados da fermentação de actinomicetos do gênero Streptomyces que possuem efeito parasiticidas. São elas as avermectinas e as milbemicimas. As avermectinas são: a ivermectina, a abemectina, doramectina e selamectina e as milbemicimas: a moxidectina e a milbemicina oxima. 

IVERMECTINA pode ser utilizada na dose de 0,2 a 0,4mg por quilo de peso, com intervalo de 7 a 14 dias, totalizando 2 a 4 administrações. Pode ser realizada pela via oral, na forma de comprimidos (aprovada para uso de cães e gatos) e pela via subcutânea, esta não aprovada para uso em pequenos animais, sendo necessária a realização de termo de ciência e concordância firmada pelo tutor, quando a opção por esta via de administração.

SELAMECTINA, desenvolvida por uma modificação estrutural da doramectina, possui amplo espectro de ação sobre o Sarcoptes scabiei e o Otodectes cynotis, apesar de uso extra-bula, tem bom efeito sobre o Notoedris cati. Pode ser utilizado na dose de 6 a 12mg por quilo, com intervalo de administração de 14 a 30 dias, totalizando 2 a 4 administrações para resolução do quadro.

MOXIDECTINA, recomendada na dose de 0,2 a 0,4mg por quilo, com intervalo de 7 a 14 dias, pelas vias oral ou subcutânea. Ressalta-se que para ambas, não existe liberação para uso em cães e gatos e a despeito de sua eficácia, deve-se realizar termo de ciência e concordância, firmado pelo tutor.

MOXIDECTINA + IMIDACLOPRIDA, recomendada na forma de aplicação tópica com intervalo de 14 a 30 dias.

ISOXAZOLINAS

Nova classe medicamentosa, tem ação acaricida e inseticida, sendo atualmente considerada a primeira linha de escolha para tratamento da demodiciose canina. São antagonistas não competitivos do GABA (ácido-gama-aminobutírico) e dos receptores L-glutamato de  canais de cloro, que leva à paralisia e morte do parasita.

Para uso em gatos, está, no Brasil aprovado o uso de FLURALANER, transdermal, a cada três meses. Normalmente apenas uma única aplicação é suficiente para controle do quadro.

 

A alta clínica e parasitológica ocorre quando há remissão das lesões cutâneas e do quadro sintomático.

Todos os contactantes sintomáticos e assintomáticos devem ser tratados.

Prognóstico

Bom

Literatura recomendada

LARSSON & LUCAS. Tratado de Medicina Externa: Dermatologia Veterinária, 2ª edição, Ed Interbook, 2019

Anexos referente a esta consulta rápida

Nenhum anexo disponível

O conteúdo deste site é para uso exclusivo e restrito dos associados. Apenas Médicos Veterinários graduados e estudantes de Medicina Veterinária são autorizados a acessar este site.

Não está permitida a divulgação de qualquer conteúdo sem a prévia autorização do Vetsapiens, por escrito. Os Médicos Veterinários são os únicos responsáveis pelo tratamento e cuidado de seus pacientes.

Quaisquer recomendações de colegas ou especialistas recebidas através deste site são meras opiniões individuais, e cada clínico é o exclusivo responsável pelo manejo de seus pacientes. Os fármacos e doses recomendadas ou calculadas no Vetsapiens devem ser sempre conferidos antes de sua aplicação.

Veterinários não devem utilizar medicações e ou protocolos com os quais não estejam familiarizados e confortáveis. O Vetsapiens preconiza que o encaminhamento para especialistas seja sempre a primeira recomendação dos clínicos gerais ao se depararem com casos clínicos além do seu conhecimento.

As imagens e informações trocadas neste site não substituem o exame físico do paciente, e a relação exclusiva entre veterinário-paciente-cliente. As imagens aqui postadas não podem ser consideradas de qualidade diagnóstica.

Toda e qualquer informação obtida neste site deve ser considerada apenas como uma sugestão individual e não tem qualquer valor diagnóstico.

Desenvolvido por logo-crowd